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Educação com propósito: a comunidade e a vocação


Por: Fernando Razente
Data: 22/07/2024
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No último texto desta coluna, escrevi sobre os dois primeiros pilares de uma educação escolar com propósito. O primeiro é o modelo, isto é, a consciência da instituição, dos pais e alunos sobre o paradigma (ou arquétipo) de personalidade a ser alcançado por todos os alunos e que está implícito no currículo e naquilo que é mais valorizado nos processos pedagógicos. Hoje, pretendo  abordar o segundo e o terceiro pilar: a comunidade e a vocação, respectivamente.

A comunidade é um pilar da educação com propósito pois envolve um fundamental vínculo sólido (para não dizer um contrato intelectual) entre família, aluno e instituição escolar tendo como base um modelo de ser humano a ser alcançado pelo aluno, evitando assim problemas de dissonância moral e ética sobre como o aluno deve se comportar e ser.

Em outras palavras, para se alcançar uma aliança comunitária em prol de um modelo formativo de ser humano é imprescindível que os pais sejam assíduos na comunicação com o colégio e na participação do processo pedagógico, alinhando sempre que necessário os discursos que são pronunciados em casa e na sociedade com o que são pronunciados na escola, de modo que pais e escola caminhem verdadeiramente juntos, reiterando continuamente o pacto com a missão da instituição escolar.

Já o último pilar, a vocação, envolve o dever dos pais e professores em auxiliar os alunos a encontrarem suas vocações. Depois de 1) nos conscientizarmos do nosso modelo de ser humano ideal, 2) de assumirmos um compromisso assíduo de uma aliança comunitária entre pais e colégio em prol desse modelo, precisamos agora 3) auxiliar os alunos a encontrarem um destino para darem às habilidades técnicas, competências emocionais e aos valores éticos que estão adquirindo na educação escolar.

É neste ponto que devemos ser, o mínimo possível, dogmáticos e personalistas. Vocação, como o próprio termo já diz, se refere a um chamado que geralmente vem de fora para realizar algo significativo neste mundo. Este “chamado” é evidenciado por meio de reconhecimento público das habilidades do indivíduo (família, professores, líderes, amigos, sociedade) e confirmado internamente no indivíduo pelo reconhecimento humilde dessas habilidades.

Neste sentido, a família e a escola com a equipe pedagógica precisam por meio de uma observação sensível e criteriosa reconhecer certas habilidades e técnicas específicas de cada aluno, ajudando-os a percebê-las e a desenvolvê-las durante o ano letivo. Não cabe a nós dar aos alunos dons nem decidir sobre seus destinos. Isso é incumbência divina. Mas somos responsáveis por perceber tais dons e, com sabedoria, orientar os alunos sobre a melhor forma de usá-los.

É maravilhoso desejar aos nossos alunos e filhos uma carreira rentável, mas nem sempre essa carreira que tanto sonhamos se encaixa com os dons e habilidades que Deus concedeu aos nossos alunos. Nisso está a maravilha da multiforme graça de Deus. Na escola há alunos que são escritores apaixonados; outros, lógicos precisos; ainda outros que são fisicamente desenvolvidos, atletas com alto potencial; há os de espírito investigativo; os de sensibilidade poética e teatral; os comunicativos, os reflexivos, os práticos, os teóricos e há aqueles que ainda estão tentando perceber suas melhores qualidades com o tempo.

Por isso, a escola não deve ser uma máquina de produção uniforme e equalizadora; mas uma oficina de criatividade com estímulos à descoberta de potencialidades. O fato é que as habilidades dos alunos vão sempre variar, demonstrando a maravilhosa e sábia distribuição pluriforme de dons concedidos amorosamente por Deus.

No entanto, se queremos uma educação com propósito, precisamos estar continuamente observando nossos jovens, nossos filhos e alunos; precisamos estar presentes em suas vidas, dando oportunidades para que eles explorem habilidades em atividades escolares e familiares, orientando-os sobre suas qualidades que muitas vezes eles mesmos não percebem!

Por fim, baseado naquele modelo de ser humano que disse há pouco, creio que haja apenas duas coisas que nós, pais e professores, devemos orientar e dar o exemplo aos nossos alunos nessa questão da vocação. Que eles sejam ensinados a evitar: 1) direcionar suas habilidades e inteligência para promover o mal e 2) usarem suas habilidades para autopromoção. Essas são formas equivocadas de direcionamento para as qualidades recebidas.

Não importa se nossos alunos serão historiadores, médicos, enfermeiros, professores, químicos, matemáticos, engenheiros, cozinheiros, missionários, escritores, zeladores, operários ou mecânicos… eu creio que, o que vocês pais realmente devem se importar é que  seus filhos sejam – onde quer que estejam ou qual profissão escolham – homens e mulheres de caráter e virtude; e que usem seus dons e talentos para promoverem sempre o bem neste mundo e para servir ao próximo! Foi o próprio Jesus Cristo, com seu manso e humilde coração, que nos ensinou a vivermos como servos de nosso próximo para a glória de Deus. E Pedro, que aprendeu aos seus pés, escreveu posteriormente: “Cada um exerça o dom que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas.” (1 Pedro 4:10).

Em suma, educar com propósito é educar tendo como base um modelo de ser humano, por meio de uma aliança comunitária de pais e colégio com o fim de ajudar os nossos jovens a compreenderem suas vocações e darem boas direções para o aprendizado que receberão.

 

 

Fernando Razente

Amante de História, atuante com comunicação e mídia, leitor voraz e escritor de artigos de opinião e matérias jornalísticas.


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