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Será que a Copa do Mundo será sempre assim?


Por: Alex Fernandes França
Data: 16/07/2026
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Essa semana o influenciador @brauneoficial postou um vídeo cuja a mensagem principal se resumia em “gente, simplesmente curtam a Copa do Mundo” Justificou a afirmação no fato de que, ao invés de se deslumbrar com os gols bonitos, dribles desconcertas, defesa milagrosas, avanço tecnológico, inclusão, as pessoas preferiam reclamar, xingar, criar teorias sobre manipulação de jogos, esquecendo de apreciar os momentos.

Percebi que a Copa do Mundo, antes tão esperada, se iniciou e está prestes a terminar, e parece que nada aconteceu e, mais triste, não deixará saudade, simplesmente porque não cativou ou empolgou.

E quando algo não cria vínculo, mesmo sendo notícia global, tendenciamos a criticar, a enxergar somente o lado negativo e, pior, a desacreditar, desmerecer, fantasiando fraudes e manipulações para o sucesso dos outros, tentando justificar o desconforto causado pelo nosso fracasso. Não muito raro, temos o mesmo comportamento em relações, quando somos rejeitados, no trabalho, quando somos preteridos e em outras situações do dia a dia.

Como será que chegamos a esse ponto, quando até pouco tempo éramos chamados o país do futebol, que nas épocas de Copa do Mundo mobilizava multidões, que, mesmo diante de uma vitória simples na fase de grupos, tomavam as ruas das cidades, parando o trânsito, em um frenesi coletivo.

Muitos dirão que os tempos são outros, que a internet expandiu as informações que fez as pessoas terem outros interesses, a praticarem outros esportes. Contudo, ao olhar para as vizinhas Buenos Aires, Assunção ou as distantes, Lisboa, Madri, Londres e tantas outras cidades, em que uma multidão se reúne em praças e locais histórcos para acompanhar, torcer, sofrer e comemorar a vitória da sua Seleção, evidente que o problema não são os tempos atuais.

Talvez o que faltou nesta Copa do Mundo foi a identificação, a conexão entre o fato que nos motivaria e nós. Não nos vimos representados por aqueles que foram nos representar. Estamos e ficamos distantes de cada um daqueles atletas, por acharmos, presumirmos ou sentirmos que não havia, por parte deles, o desejo não só de vencer, mas de representar um sentimento nacional de paixão por esse esporte.

Pode ser que esse distanciamento seja decorrente do fato de que quase a totalidade dos atletas não residam no País e foram jogar muito jovens em outros países, não mais se identificando com seu país natal e nossa população com eles, pois somente ver jogos pela televisão, acompanhar postagens em rede social não criam conexão.

Precisamos mais do que palavras, vídeos e mensagens para sermos próximos. Apoiarmos e torcermos. Precisamos de exemplos, e a comunhão entre torcedores de diversas seleções e suas equipes são provas disso.

E se não nos identificamos com a equipe, não nos empolgaremos com o evento e, consequentemente, deixamos o nosso lado ruim aflorar e a somente o lado negativo dos demais competidores, da organização etc., encobrindo nossa visão para as jogadas extraordinárias, talento alheio e a festa que antes era iniciada e conduzida por nós.

O @brauneoficial tem toda razão quando diz que devemos simplesmente curtir a Copa do Mundo mesmo que não sejamos os protagonistas dela, que tenhamos que olhar com inveja para as demais equipes e torcidas e parar de exaltar o lado negativo ou fantasiar situações para diminuir a nossa insatisfação.

A Copa do Mundo veio e passou, não empolgou e não deixará saudade para nós. O que deixará na realidade é aquela sensação e pergunta incômoda, que insiste em permanecer na nossa cabeça. Parafraseando a banda Jota Quest, a questão que fica é:  Será que toda Copa do Mundo será sempre assim daqui em diante para nós?

 


Anuncie com Jornal Noroeste
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