Resenha: Os mestres do universo

Jacilene Cruz
Ontem, sábado 06/06, fui assistir ao filme do He-man, ou melhor Mestres do universo. Se preferem na língua original: Masters of the Univers, dirigido por Travis Knight com o roteiro de Chris Butler. Sobre esses dois, já que não são o foco da minha escrita, não tenho nada a acrescentar. Porém fizeram o suficiente para despertar memórias, ao mesmo tempo que colocaram o filme em um lugar não imaginado.
Vale destacar que a sala estava superlotada. Quase não conseguia lugar, mas valeu a pena utilizar meus direitos de PCD, sentar na primeira cadeira e sair com o pescoço doendo...
O filme foi muito fiel ao desenho de 1980, achei a Montanha da Serpente e o Castelo de Grayskull, por exemplo, muito parecidos. Penso que tiveram um pouco de carinho para não destruir nossas lembranças infantis. Porém não só isso, a manutenção de personagens importantes como Teela, a Feiticeira, Mentor, Maligna, Homem-fera, Mandíbula, entre outros, nos levaram àquela ida década. Para além disso, os autores nos presentearam com joguinhos de duplo sentido que nos fazem lembrar que, quem está assistindo não é a criança/adolescente de 1980, mas o adulto ou a adulta do ano de 2026, que já beira os 50. Agora pode.
Mas essa resenha não é para destacar os heróis que lutam para reconstruir um mundo devastado pelo mal. O que quero mesmo é trazer a personificação desse mal. Assim, sem medo de errar, o melhor do filme é a simbologia no entorno do Cara de Caveira.
Em um dos seus primeiros diálogos com Maligna, após se tornar rei de Eternus, Esqueleto declara:
- Não sou um mero rei, sou um demônio, mas almejo ser um Deus.
Frases como essa, me lembram aqueles furos de reportagens quando, dentro dos seus “castelos”, seres vis decidem o futuro da humanidade, sem pesar ou remorso. Um pouco mais adiante do filme, Esqueleto ouve de sua “fiel” comparsa Maligna:
- Você matou milhões para que outros milhões lhe temessem.
Estou aqui tentando não dá nome aos bois..., mas eventos e fatos históricos atuais não me deixam ir longe. Em nome de uma vaidade cega, do desejo de dominar por dominar, de manipular milhões através da fé, que naturaliza a ideia de que, para um futuro de paz, o diferente tem que ser eliminado.
Vários rostos nada ficcionais surgem à minha mente. Esqueleto parece que saiu de uma dessas reuniões de paz entre países em guerra. Ao ver seu poderio ameaçado, ordena para Maligna:
- Matem qualquer um que se aproximar, mulheres e crianças primeiro.
Essa frase me reportou à 28 de fevereiro de 2026, quando um bombardeio atingiu Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul iraniano. De 175 vítimas fatais, 150 eram crianças. Sinto decepcionar, mas o He-man de hoje trouxe em sua ficção, elementos muito reais
A construção cinematográfica do Cara de Ossos não foi algo aleatório. O corpo musculoso azul também poderia ser laranja, sem qualquer prejuízo às suas crueldades. Simboliza aqueles que, com discursos de ódio, conseguem cooptar pessoas que alimentam uma rede de destruição que se espraia cada vez mais.
Como no desenho dos anos oitenta, é a violência que garante a paz. Então após o apelo do Mocinho para que o Mal repense suas ações e se redima, Esqueleto faz sua última afirmação:
- Não há bondade em mim que você possa revelar, porque eu sou um vilão, eu sou mal e eu gosto.
Por fim, ainda trago duas considerações. A primeira é de que o mal não é algo abstrato esperando que alguém lhe dê guarida, ao contrário, o mal é inerente ao ser humano. Segundo, outras coisas me chamaram a atenção em Mestres do Universo, espero que em breve, escreva sobre ele novamente.
Fonte:https://wiki-infancia.fandom.com/pt-br/wiki/He-man_e_os_Defensores_do_Universo
Fonte: https://rollingstone.com.br/cinema/mestres-do-universo-live-action-do-he-man-estreia-nos-cinemas/

