Mentores de carreira
Desde antes que eu começasse a trabalhar eu contei com a ajuda de mentores de carreira, mas eu sempre tive claro o que eu queria ser: alguém dedicado à vida intelectual, porém, isso não agradava àqueles que queriam me ver no pedestal.
Quando eu fui aprovado no concurso do IFPR para professor 20 horas, os mentores de carreira diziam:
- Você merece algo melhor.
Eu concordava com isso, tanto que dois anos depois meu regime de trabalho saltou para a dedicação exclusiva. Porém, os mentores de carreira não queriam me ver no magistério, muito menos dedicado à vida intelectual, então eles começaram a palpitar sobre como eu deveria escrever:
- Escreva profissionalmente, e não historinhas.
Eu fiz duas licenciaturas e então cursei Direito, ao que os mentores de carreira diziam:
- Agora, sim, você pensou direito.
Ao longo do novo curso cheguei a ouvir de colegas de classe que se julgavam mentores de carreira:
- Abandone o magistério e seja estagiário no fórum, pois mais vale um passo para trás para depois dar mil anos-luz para frente.
Tantos bons conselhos sem eu nunca ter pedido... Que sorte a minha e de tantos outros nas minhas condições...
Por outro lado, eu nunca gostei e nunca me coloquei na posição de guru, porque, se quem estiver à minha frente for alguém inteligente, por que eu deveria menosprezar a sua inteligência me colocando como um palpiteiro de carreira e da vida alheia como um todo? Mesmo na condição de professor, raramente dou direções, pois prefiro mais perguntas e meditações.
Para mim sempre fez sentido um poema de Mario Quintana, e talvez lhe faça sentido também: "Todos esses que aí estão/ atravancando meu caminho/ eles passarão.../ eu passarinho!”

