Falta de energia após temporal provoca transtornos e prejuízos no campo e na cidade em Nova Esperança
Produtores rurais relatam perdas na produção e dificuldades com animais, enquanto moradores e empresas também enfrentam impactos provocados pela interrupção prolongada do fornecimento.
Poste e rede elétrica nas imediações do Jornal Noroeste, em Nova Esperança, refletem os impactos provocados pelo temporal registrado na segunda-feira (28), que deixou moradores e produtores rurais sem energia e alterou a rotina de atividades no município – Foto Alex Fernandes França
O forte temporal registrado na última segunda-feira (28) provocou danos à rede elétrica e alterou a rotina de moradores, produtores rurais, empresas e estabelecimentos de diferentes regiões de Nova Esperança. Com a queda de árvores e postes em vários pontos do município e da região, localidades do interior e áreas urbanas permaneceram sem energia elétrica por períodos prolongados.
No meio rural, os impactos são relatados principalmente por produtores que dependem diretamente da eletricidade para atividades de produção, armazenamento, abastecimento de água e manejo de animais. Na região do Bairro Bela Vista e em outras localidades do interior, moradores relatam prejuízos decorrentes da interrupção do serviço.
Entre os problemas apontados estão a perda de produtos que necessitam de refrigeração, dificuldades na fabricação de derivados de leite, interrupção de sistemas de abastecimento de água e impossibilidade de utilização de equipamentos empregados na alimentação e no manejo dos rebanhos.
Uma produtora rural que trabalha com a fabricação de derivados de leite manifestou preocupação com os alimentos armazenados nas geladeiras. “Boa tarde, agora vamos começar a jogar tudo fora das geladeiras, até quando isso?”, relatou.
Outro produtor informou que permanecia havia aproximadamente 30 horas sem energia elétrica, tanto em sua residência quanto na propriedade rural localizada na Estrada Bela Vista.
Em outro relato, um produtor chamou atenção para os efeitos da falta de energia sobre a criação de animais. Segundo ele, a interrupção estaria comprometendo a produção e o abastecimento dos animais. “Está complicado essa situação! Produção se estragando, animais sem água e sem comida! Falta energia, não tem como fabricar ração! Só nós aqui 3.000 suínos! Confinamento de boi! Socorro”, afirmou.
Muitas dificuldades
Na Estrada São Carlos, produtores igualmente relataram problemas provocados pela falta de energia. Conforme um agricultor, a rede que atende a localidade permanecia sem fornecimento, levando moradores a recorrer a um gerador para manter equipamentos essenciais em funcionamento.
Entre os equipamentos citados estão ordenhadeira, resfriador de leite e o sistema de poço artesiano, utilizado para o abastecimento de água.
“Complicado essa demora. Soma de prejuízos e custos”, comentou o produtor.
A situação demonstra a dependência da atividade agropecuária em relação ao fornecimento regular de energia, especialmente em propriedades que utilizam sistemas elétricos para ordenha, conservação do leite, bombeamento de água, alimentação e demais etapas da produção.
Impactos também chegam à área urbana
Os transtornos, entretanto, não se restringem às propriedades rurais. Na área urbana de Nova Esperança, moradores também tiveram a rotina afetada pela interrupção do fornecimento de energia.
A falta de eletricidade interfere em atividades domésticas básicas, no armazenamento e conservação de alimentos, no funcionamento de equipamentos eletrônicos e em outros serviços que dependem da rede elétrica. Para famílias que permanecem por longos períodos sem energia, a situação também representa dificuldades adicionais relacionadas ao abastecimento de água em imóveis que utilizam sistemas elétricos de bombeamento.
O setor empresarial e comercial também sente os efeitos da interrupção. Estabelecimentos que dependem de equipamentos elétricos, sistemas de refrigeração, computadores, internet, máquinas e outros recursos necessários ao atendimento ao público enfrentam limitações para manter suas atividades normalmente.
O impacto alcançou inclusive o Jornal Noroeste, que também permanece entre os estabelecimentos afetados pela interrupção do fornecimento após o temporal. A situação exigiu alterações na rotina de produção jornalística e editorial da empresa.
Entre as atividades prejudicadas esteve a gravação do tradicional NoroCast, que não pôde ser realizada nesta quarta-feira (30), conforme ocorre habitualmente. Também foram afetados trabalhos relacionados à produção de conteúdo, diagramação e editoração.
A situação evidencia que os efeitos de uma interrupção prolongada de energia ultrapassam os danos inicialmente provocados pelo temporal. À medida que o fornecimento demora a ser restabelecido, os impactos se acumulam para famílias, trabalhadores, produtores e empresas que dependem da eletricidade para suas atividades cotidianas.
Copel mobiliza equipes para recuperação da rede
Em resposta a um registro de falta de energia realizado por um morador da Estrada São Carlos, a Central de Atendimento da Copel Agro informou que a ocorrência havia sido registrada e que equipes técnicas trabalhavam para restabelecer o fornecimento.
Segundo a companhia, as condições climáticas severas registradas recentemente dificultaram a definição de um horário exato para a normalização do serviço. Para aquele atendimento específico, a previsão inicialmente informada era de restabelecimento até 30 de setembro, às 21h24.
No início da tarde desta quarta-feira (30), a Copel informou que, na região Noroeste do Paraná, já haviam sido substituídos 64 postes, sendo 28 somente naquele dia.
Ainda de acordo com a companhia, 270 profissionais, entre eletricistas, técnicos, inspetores e trabalhadores das áreas de obras e manutenção, estavam mobilizados na região. A empresa afirmou que as equipes permaneceriam trabalhando até a normalização do fornecimento para todos os clientes afetados.
Município acompanha ocorrências provocadas pelo temporal
Após o temporal, o prefeito de Nova Esperança, Eduardo Pasquini, informou, por meio de suas redes sociais, que equipes municipais foram mobilizadas para atender às ocorrências registradas em diferentes pontos do município.
“Logo após o temporal, nossas equipes iniciaram, de forma incansável, os trabalhos para atender às ocorrências registradas em diferentes pontos do município. Os serviços seguem acontecendo e, em breve, a situação estará regularizada. Seguimos trabalhando para restabelecer a normalidade e atender às demandas de toda a população”, publicou.
Enquanto prosseguem os trabalhos de recuperação da rede elétrica, moradores das áreas urbana e rural seguem enfrentando diferentes consequências da interrupção do serviço.
No campo, os relatos envolvem perdas de produtos, dificuldades para ordenha e resfriamento do leite, abastecimento de água e alimentação dos animais. Na cidade, os reflexos atingem a rotina das famílias e o funcionamento de estabelecimentos comerciais, empresas e serviços.
O cenário mostra que, além dos danos físicos provocados pelo temporal, a duração da interrupção do fornecimento amplia os transtornos e pode gerar custos e prejuízos adicionais para diferentes setores da comunidade.

