A lei da fé (Rm 3.27-31)

Romanos 3.27-31: “27 Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé. 28 Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei. 29 É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também dos gentios, 30 visto que Deus é um só, o qual justificará, por fé, o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso. 31 Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei.”
No texto anterior meditamos sobre Deus como justo e justificador dos pecadores mediante a vida e obras de Jesus Cristo (cf. Rm 3.22b-26). Paulo demonstrou que “[...] todos pecaram e carecem da glória de Deus”, e que são aceitos por Deus “[...] gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”, sendo essa redenção apropriada apenas pela fé.
À luz disso, Paulo começa agora o verso 27 de Romanos 3 com uma pergunta: “27 Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída. Por que lei? Das obras? Não; pelo contrário, pela lei da fé.” A pergunta não é improcedente. Se a justificação é um dom gracioso da parte de Deus, onde ficará o orgulho (jactância) humano? Se é pela graça, não é pelas obras; e se não é pelas obras, o orgulho humano está, de todo, excluído diante de Deus. Ou seja, ninguém que foi verdadeiramente justificado pode se vangloriar (cf. Ef 2.10), pois a justificação não procede de suas obras ou méritos.
Mas que lei foi capaz de abolir todo orgulho humano diante de Deus? Foi a “lei das obras”?, pergunta Paulo; foi a regra legalista de que a justificação é resultado do desempenho moral no cumprimento da lei? Claro que não! Na verdade, o orgulho humano é destruído por uma outra lei: “a lei da fé”. O que é a “lei da fé”? Em poucas palavras, é a norma ou regra de que a salvação só pode ser obtida pelo pecador por meio da fé em Jesus Cristo como seu único Mediador. Essa verdade é tão inexorável, inalterável, inegociável e insubstituível, que é tida por Paulo como uma lei. E, essa lei da fé tem um efeito: ela exclui toda vanglória humana.
Agora, à luz de tudo o que foi exposto aqui – que todos estão debaixo do pecado, e que o judeu não constitui exeção – qual é conclusão? Responde Paulo no v. 28: “28 Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei.” A óbvia e evidente conclusão paulina é que o ser humano só pode ser aceito e declarado justo diante de Deus mediante a fé em Cristo; fé simples e direta, e não uma fé combinada com obras e méritos. Uma fé, conforme Paulo, independentemente das obras da lei. Não há nenhum grau de dependência entre a aceitação divina e os méritos humanos, O pecador, na soteriologia cristã, apenas recebe tudo pela graça com as mãos vazias da fé humilde e grata.
Por outro lado, se a salvação é desta forma, tão independente de condicionantes como diz Paulo, o judeu já não poderia pensar que aquelas promessas redentivas de Deus à Israel eram apenas para os circuncisos, pois nem a circuncisão pode ser vista como uma obra da lei. Por isso, Paulo pergunta no v. 29: “29 É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também dos gentios, 30 visto que Deus é um só, o qual justificará, por fé, o circunciso e, mediante a fé, o incircunciso.”
A pergunta é retórica, e quer mostrar que Deus justifica os pecadores apenas por um meio. Deus não tem vários métodos de salvação É por fé que Deus salva judeus circuncisos; e é mediante a fé que ele salva gentios que não foram circuncidados. A fé em Cristo é o único método divino para a salvação dos pecadores! Mas se é assim, qual o valor da lei? Por que Deus deu a lei aos judeus? Se não se pode ser salvo pelas obras da lei, ela é então desnecessária? Ou, colocando nas palavras inspiradas do próprio Paulo: “31 Anulamos, pois, a lei pela fé?” E a resposta apostólica é enfática: “Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei.”
De que forma a justificação pela fé confirma a lei? A doutrina da justificação pela fé confirma a Lei de Deus no sentido de que reconhece adequadamente sua função de revelar o pecado e apontar ou conduzir (como um aio/tutor) para a necessidade da graça de Deus proposta na vida, morte, ressurreição e ascensão de Cristo, sem depender das obras humanas.
Por fim, querido(a) leitor(a), meu convite solene a você é que hoje mesmo abandone toda confiança em seus próprios méritos como meio de salvação e descanse humildemente pela fé em Cristo. Creia nele de todo o coração, pois somente pela fé o pecador é justificado, aceito por Deus e recebe a vida eterna. E, tendo recebido essa graça, ensine com fidelidade a outros que não somos salvos por nossas obras, mas unicamente pela fé em Jesus Cristo.
Amém.
Fernando Razente
Diácono ordenado da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Paranavaí, Congregação de Nova Esperança, e seminarista do Seminário Presbiteriano do Sul – Extensão de Curitiba. Professor de Ciências Humanas, Filosofia e Ciência da Religião. Marido de Renata Minel
