Do papel ao digital: Celem completa 40 anos transformando vidas com o ensino gratuito de idiomas
O Centro de Línguas Estrangeiras Modernas (Celem) completa, neste sábado (15), quatro décadas transformando vidas de estudantes paranaenses. Há 40 anos, em 15 de agosto de 1986, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) oficializou a criação do Celem e deu início à oferta de cursos de idiomas extracurriculares, gratuitos e plurilíngues nas escolas da rede estadual de ensino.
Neste período, milhares de estudantes de todo o Paraná se formaram em cursos de diferentes idiomas ofertados pelo Celem - além de atender a alunos da rede estadual de ensino, a iniciativa também reserva vagas para professores e funcionários das escolas, bem como à comunidade geral.
Conforme o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, o aprendizado de línguas amplia o repertório cultural, abre perspectivas profissionais e possibilita a formação de cidadãos mais críticos e engajados.
“Dominar uma nova língua é mais do que simplesmente adquirir um vocabulário novo. Significa construir novos conhecimentos, superar fronteiras e assumir o protagonismo da própria formação. Nestes 40 anos como um programa de referência, o Celem garantiu a milhares de paranaenses, estudantes da rede ou não, a oportunidade de expandir seus horizontes”, afirmou.
Aos 40 anos, o Celem é o programa mais antigo ainda em funcionamento na rede estadual de educação. Hoje, a iniciativa soma cerca de 12 mil alunos matriculados em cursos de 11 idiomas diferentes - alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, japonês, mandarim, polonês, ucraniano, português (para estrangeiros) e Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os cursos estão presentes em ao menos 200 escolas estaduais, distribuídas por todos os 32 Núcleos Regionais de Educação (NRE). Desde o início do ano, o programa também atende quase 2 mil estudantes com um curso on-line de espanhol.
A oferta dos diferentes idiomas busca atender a demandas do mundo do trabalho e valorizar a identidade local de diferentes regiões do Paraná. O curso de ucraniano, por exemplo, é ofertado em escolas de Prudentópolis, no Centro-Sul, município fortemente marcado pela imigração oriunda do país europeu. Já as aulas de polonês estão disponíveis em escolas de Curitiba e São Mateus do Sul, também no Centro-Sul, enquanto o curso de japonês pode ser encontrado na capital e em Maringá, no Noroeste do estado.
MEMÓRIAS PARA A VIDA - Professora e escritora, Francine Cruz hoje é técnica pedagógica do Núcleo Formadores em Ação (NForm), da Seed-PR. Há alguns anos, porém, era estudante da rede estadual de ensino em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná.
Era o final da década de 1990, e o gosto por idiomas levou Francine a se matricular em cursos de italiano e espanhol, ofertados pelo Celem nos colégios estaduais La Salle e Agostinho Pereira. Ela relembra que, na época, as metodologias ativas e abordagens interativas já eram uma realidade nas aulas do Celem.
“As aulas eram bem dinâmicas. A minha professora de italiano tinha vindo da Itália, e o professor de espanhol também era de um país de língua espanhola, e eles traziam muitas atividades diferentes, como cruzadinhas, caça-palavras e músicas. Era bem gostoso”, recorda.
Mais do que aprender a gramática e a pronúncia das palavras, os estudantes do Celem têm a oportunidade de conhecer mais sobre a história, a música e a culinária dos países estudados. Por meio do curso de espanhol, por exemplo, Francine participou de uma visita à cidade argentina de Bernardo de Irigoyen, na fronteira com o Paraná, onde colocou em prática a fluência em espanhol.
A presença de estudantes de diferentes escolas e idades era um atrativo a mais para os alunos. “Na minha turma, era legal essa intergeracionalidade, com pessoas de diferentes idades. Como é aberto à comunidade, tem alunos que fazem as aulas junto com a mãe, o pai, a avó… Isso acaba tornando o curso mais rico ainda”, opinou.
Até hoje, Francine compreende bem o italiano e o espanhol, além de guardar com carinho uma pasta de fotos, recordações e atividades da época de escola. A experiência com o Celem também influenciou na sequência dos estudos: Francine se graduou em Educação Física e em Letras Português-Inglês, curso no qual pôde colocar em prática algumas habilidades aprendidas na escola.
“Quando nós aprendemos uma língua, também aprendemos os mecanismos sobre como aprender línguas, então acaba ficando mais fácil. Eu fiz italiano, depois espanhol e depois o inglês. Mesmo sendo línguas diferentes, os mecanismos são os mesmos”, relatou.
DO PAPEL AO DIGITAL - Quatro décadas se passaram desde a criação do Celem, e quase 30 anos desde a experiência de Francine com o programa. Desde então, o programa segue evoluindo. Além da expansão para outras regiões do estado, a iniciativa recebeu investimentos para a ampliação do número de vagas e idiomas ofertados, alcançando mais paranaenses.
As aulas e conteúdos também se modernizaram - os livretos impressos e atividades em papel, muitas vezes manuscritas pelos próprios professores, passaram a dividir espaço com slides, tablets e notebooks. Hoje, os materiais didáticos utilizados pelos 290 docentes do Celem estão disponíveis de forma digital no Registro de Classe Online (RCO). Por meio do módulo de planejamento, o professor tem acesso a planos de aula específicos, sugestões pedagógicas e encaminhamentos metodológicos para o idioma que leciona.
CURSOS E VAGAS - Nos cursos presenciais do Celem, 70% das vagas são destinadas a estudantes de escolas estaduais, enquanto 20% atendem à comunidade em geral e 10% são reservados a professores e funcionários da rede estadual de ensino. A exceção é o curso de Espanhol on-line, cujas vagas são exclusivas para alunos da rede.
No momento, todos os cursos anuais e semestrais do Celem estão em andamento nas respectivas escolas e regiões. Interessados em efetuar matrícula para os próximos semestres devem estar atentos aos sites oficiais do Celem e da Seed-PR, além de consultar os períodos de inscrições junto às secretarias das escolas ofertantes.

