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Star Wars: O Mandaloriano e Grogu


Por: Odailson Volpe de Abreu
Data: 21/05/2026
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Confesso que andei em débito com os leitores da Coluna Sétima Arte. Meu envolvimento, desde a gestação até a concretização de um importante projeto cinematográfico na região, acabou tomando mais tempo do que eu imaginava. Ainda assim, posso dizer sem hesitar: valeu muito a pena.

Ao longo dos últimos meses, o projeto exigiu intensa dedicação, especialmente porque estive à frente da curadoria do festival. Mais recentemente, outras demandas também passaram a ocupar minha atenção, mas todo o esforço ganhou sentido no último sábado, com a abertura oficial da primeira edição do Fest Cine Rondon. Durante toda a semana, a população de Rondon e de toda a região Noroeste teve a oportunidade de prestigiar mais de 20 filmes inéditos, entre curtas e longas-metragens, marcados por grande qualidade técnica, narrativas envolventes e histórias contemporâneas e inspiradoras.

Hoje à noite, o festival chega ao fim com o anúncio dos vencedores da mostra competitiva. Ainda assim, a saudade desta edição e a expectativa pela próxima já deixam claro que este é um evento cultural que nasceu para permanecer e crescer nos próximos anos.

Em meio à correria destes dias, entre uma sessão e outra, encontrei tempo para escrever sobre uma produção que desperta meu interesse particular, afinal, sou fã de longa data do universo de Star Wars. Hoje, você vai conhecer um pouco mais sobre o aguardado Star Wars: O Mandaloriano e Grogu.

Depois de anos preso entre séries derivativas, nostalgia reciclada e uma trilogia que terminou deixando mais cansaço do que empolgação, Star Wars: O Mandaloriano e Grogu chega aos cinemas carregando uma responsabilidade curiosa. Não precisava reinventar Star Wars, mas precisava lembrar por que tanta gente um dia se apaixonou por esse universo. E, mesmo sem a ambição de mudar os rumos da franquia, o filme consegue algo que parecia distante das produções recentes da Lucasfilm. Ele diverte de verdade.

Jon Favreau entende perfeitamente o que fez da série The Mandalorian um fenômeno tão instantâneo quando estreou. Não era apenas a estética de faroeste espacial ou o retorno a aventuras mais simples. Era a relação entre Din Djarin e Grogu. A dinâmica entre o guerreiro silencioso e a pequena criatura que mistura ingenuidade, teimosia e caos segue funcionando quase sem esforço. O longa sabe disso desde o início e gira inteiramente ao redor dessa dupla.

A trama acompanha Mando em mais uma missão para a Nova República, agora tentando localizar remanescentes imperiais enquanto aceita um trabalho paralelo envolvendo Rotta, filho de Jabba. A história, honestamente, não é das mais memoráveis. Há momentos em que o filme parece claramente estruturado como episódios colados uns aos outros, como se Favreau tivesse condensado uma temporada inteira em pouco mais de duas horas. Isso afeta o ritmo em alguns trechos. Certas transições soam abruptas e a sensação de “nova missão da semana” nunca desaparece completamente.

Ainda assim, o curioso é que isso não destrói a experiência. Em tempos de blockbusters obcecados em parecer gigantescos, cheios de conexões e reviravoltas mirabolantes, existe algo quase reconfortante em assistir a um filme que simplesmente quer acompanhar personagens carismáticos vivendo uma aventura espacial. Sem a obrigação de preparar vinte produções futuras ou anunciar o próximo “grande evento” da franquia.

Pedro Pascal continua sendo o coração do projeto, mesmo escondido atrás de um capacete durante praticamente todo o filme. Parece improvável dizer isso sobre um personagem cujo rosto raramente aparece, mas o ator já domina completamente a linguagem física de Din Djarin. A postura cansada, os pequenos movimentos de hesitação, o jeito protetor com que observa Grogu. Tudo ajuda a construir alguém muito mais emocional do que o visual frio inicialmente sugere. Pascal consegue transmitir afeto e exaustão sem precisar verbalizar quase nada.

Mas é Grogu quem rouba a cena outra vez. E não apenas por ser fofo, algo que já seria suficiente para arrancar reações espontâneas da plateia. O personagem finalmente ganha participação mais ativa na narrativa. Há sequências inteiras construídas ao redor dele que exploram humor físico, ação e até pequenos momentos de amadurecimento. O trabalho técnico impressiona bastante aqui. No cinema, Grogu parece mais vivo do que nunca. Os detalhes das expressões, os movimentos sutis das mãos, os olhares curiosos. Existe personalidade em cada gesto.

Favreau também acerta ao ampliar o senso de espetáculo. Talvez Star Wars: O Mandaloriano e Grogu não tenha a imponência épica de produções como Rogue One: Uma História Star Wars, mas visualmente o filme sabe ocupar a tela grande. As perseguições com speeders têm energia, os combates espaciais são filmados com clareza e as cenas envolvendo criaturas gigantescas recuperam aquele espírito clássico de aventura que sempre esteve no DNA de Star Wars.

A trilha de Ludwig Göransson continua sendo um dos grandes acertos dessa fase da franquia. O tema principal já virou um dos mais reconhecíveis do universo criado por George Lucas e ganha ainda mais força no cinema. Há um tipo de grandiosidade musical que ajuda bastante a transformar certas cenas simples em momentos realmente empolgantes.

O elenco de apoio, porém, oscila bastante. Jeremy Allen White empresta a voz a Rotta, o Hutt, numa interpretação curiosa, embora o personagem em si pareça deslocado durante boa parte do filme. A ideia de transformar um Hutt em uma espécie de gladiador musculoso certamente chama atenção, mas demora para funcionar dentro da história. Em alguns momentos, soa quase como uma piada estendida além do necessário. Quando o roteiro tenta aprofundar os conflitos pessoais de Rotta, a coisa perde força rapidamente.

Talvez o maior problema do longa esteja justamente na falta de ousadia. Favreau claramente prefere brincar em terreno seguro. Tudo aqui remete a algo que os fãs já gostam. Há ecos da trilogia original, referências visuais espalhadas por toda parte e estruturas familiares o tempo inteiro. Isso garante conforto, mas reduz o impacto. Falta aquela sensação de descoberta que os melhores filmes de Star Wars costumavam provocar, como em Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca.

Mesmo assim, seria injusto ignorar o quanto o filme funciona como entretenimento. E cinema também é isso. Há sessões que não precisam transformar uma franquia ou redefinir o gênero para valer a entrada. Às vezes basta sair da sala sorrindo, envolvido por personagens que você gosta de acompanhar.

Por que ver esse filme? Vale a pena assistir Star Wars: O Mandaloriano e Grogu no cinema justamente porque ele entende a dimensão coletiva da experiência. O humor de Grogu funciona melhor com a reação da plateia. As batalhas espaciais ganham impacto na tela grande. O som da trilha de Göransson preenche a sala de um jeito impossível de reproduzir em casa. E existe algo especialmente agradável em voltar a ver Star Wars ocupando um espaço que sempre lhe pertenceu naturalmente.

O filme talvez não seja o renascimento triunfal que parte do público esperava para a franquia. Também não tenta ser. Mas depois de tantos projetos excessivamente preocupados em parecer importantes, há certo charme em uma aventura que simplesmente quer ser divertida. E, na maior parte do tempo, consegue. Boa sessão!

Odailson Volpe de Abreu


Anuncie com Jornal Noroeste
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