Estreante, Casa do Guina vence o Comida di Buteco 2026 em Maringá com receita que nasceu entre amigos e família
Bar conquistou o primeiro lugar com caldo verde e transformou abril em um “dezembro” em faturamento após participação no concurso
O melhor boteco de Maringá em 2026 nasceu, literalmente, dentro de casa. A Casa do Guina Petiscaria, estreante no Comida di Buteco, conquistou o primeiro lugar na edição deste ano em Maringá com uma receita carregada de memória afetiva: o caldo verde, preparado com batata, bacon, calabresa e couve, servido com pão e torradas.
A premiação foi realizada na noite de segunda-feira (18), no Della Re Buffet e Eventos, reunindo proprietários dos bares participantes, familiares, jurados, patrocinadores e imprensa para celebrar o encerramento da edição 2026 do concurso em Maringá, que movimentou a cena gastronômica local entre 10 de abril e 3 de maio.
Mais do que eleger o melhor boteco, o concurso avalia a experiência completa oferecida pelos estabelecimentos. Além da comida, entram na conta critérios como temperatura da bebida, higiene e atendimento, com notas atribuídas tanto pelos jurados quanto pelo público.
E foi justamente nesse conjunto que a Casa do Guina se destacou. Para Aguinaldo Toppe, o Guina, a conquista ainda parece difícil de acreditar.
"O coração ainda está acelerado. É uma emoção muito grande participar de um concurso tão famoso como o Comida di Buteco — e ainda mais sendo a nossa primeira vez. Eu queria dar visibilidade para o meu negócio, mostrar a nossa cara, mas nunca imaginei chegar a esse nível e conquistar o primeiro lugar", afirma.
Um bar que nasceu antes mesmo de existir oficialmente
A história da Casa do Guina começou antes do CNPJ. Muito antes de abrir as portas como empresa, na Avenida Kakogawa, a casa de Guina já era ponto de encontro conhecido entre amigos e familiares. Era ali que aconteciam churrascos, feijoadas, caldos e encontros que, aos poucos, transformaram aquele ambiente em referência afetiva para quem frequentava – o nome surgiu naturalmente.
Transformar essa vocação em negócio virou realidade em 2019. Até então, Guina trabalhava como CLT na área de gestão e nunca havia empreendido no ramo gastronômico. O que sempre existiu era a paixão por cozinhar e receber pessoas.
Logo depois da abertura, veio a pandemia — e com ela, os desafios de manter de pé um negócio recém-inaugurado.
Hoje, perto de completar sete anos, a Casa do Guina se consolidou como um espaço familiar, com público fiel e ambiente acolhedor. Guina segue à frente da cozinha ao lado da chef Elma e de uma equipe enxuta.
E foi justamente uma receita nascida naquele tempo de encontros caseiros que garantiu a vitória. "Esse caldo já fazia sucesso muito antes de existir o bar. Ele faz parte da nossa história", resume.

“Parecia inauguração”
Segundo Guina, a participação no concurso trouxe exatamente o que ele buscava: visibilidade. Mas o impacto foi maior do que imaginava.
"A sensação no primeiro dia do Comida di Buteco foi como se eu estivesse inaugurando o bar naquele momento. Aquela expectativa, aquela emoção… E o movimento foi impressionante. Posso dizer que vivi um dezembro em pleno mês de abril", conta.
O concurso levou uma nova onda de clientes à casa — muitos deles voltando semanas depois. "Muita gente conheceu a Casa do Guina por causa do concurso e já voltou agora, nessa semana de frio, porque amou o caldo. Acho que atingimos totalmente o objetivo."
A conquista já faz o empresário pensar no próximo desafio. "Agora é pensar no prato do ano que vem. O Comida di Buteco ajuda muito quem é pequeno. Dá uma visibilidade que sozinho seria muito difícil conquistar."
Caldos dominaram o pódio
Se teve uma tendência clara nesta edição, foram os caldos — e isso também conversa com o desafio criativo proposto pela organização.
Neste ano, o tema obrigatório do Comida di Buteco foram as verduras, que precisavam estar efetivamente presentes nas receitas inscritas, seja como protagonistas ou coadjuvantes — mas nunca apenas como elemento decorativo no prato.
O resultado foi uma safra criativa de petiscos que exploraram ingredientes de forma mais autoral, e os caldos acabaram conquistando espaço de destaque no pódio.
O segundo lugar ficou com o Severina Sabores do Nordeste, repetindo o excelente desempenho do ano passado, quando também terminou como vice-campeão, reforçando a consistência da casa no concurso.
Para atender ao desafio deste ano, o bar revisitou referências afetivas da culinária nordestina e criou o Poró-Cocó, um caldo que combina macaxeira, frango desfiado e alho-poró — ingrediente que assume papel importante na construção do prato.
Já o terceiro lugar foi para o Buteco do Kaká, outro velho conhecido do pódio. Em 2024, a casa também esteve entre os destaques. Neste ano, garantiu a colocação com o Bolinho do Boi Bandido, bolinho de carne bovina recheado com couve e bacon, servido com geleia de pimenta.
Com a chegada do frio em Maringá, o resultado também serve de convite para o público aproveitar a semana e provar os sabores vencedores.
Engajamento recorde e reconhecimento mais distribuído
Segundo a coordenadora regional do Comida di Buteco, Priscila Pena, a edição 2026 em Maringá foi marcada pelo forte engajamento dos participantes e por uma característica que chamou atenção: a distribuição mais ampla dos reconhecimentos entre os bares.
"Fiquei muito feliz com o resultado deste ano, principalmente pelo envolvimento dos bares. Os novatos chegam naturalmente muito empolgados, mas o que me chamou atenção foi a energia dos veteranos também. Houve um engajamento muito forte de forma geral", afirma.
De acordo com ela, diferente de outros anos, desta vez os estabelecimentos premiados no concurso principal e nas ações dos patrocinadores foram mais diversos.
“Foi muito legal ver mais bares sendo reconhecidos. É algo que a gente sempre espera e esse resultado de hoje mostra como o nível estava equilibrado. Eu sempre digo que todo mundo sai campeão de alguma forma, porque mesmo quem não sobe ao pódio ganha visibilidade, movimento e conexão com novos clientes."
Criado em 2000, em Belo Horizonte, o Comida di Buteco se tornou um dos maiores circuitos gastronômicos do país e hoje movimenta mais de 50 cidades brasileiras. Em Maringá, a competição chegou à quarta edição já consolidada como um dos eventos mais aguardados do calendário gastronômico local.
Mais do que premiar os melhores botecos da cidade, o concurso se consolidou como uma vitrine importante para pequenos negócios familiares, ampliando a visibilidade de bares independentes e impulsionando histórias empreendedoras como a da Casa do Guina — que nasceu de encontros entre amigos, dentro de casa, e agora conquista o principal título da cidade.
Destaques entre patrocinadores
Além da premiação principal, patrocinadores também reconheceram performances específicas entre os participantes.
A FYS premiou os maiores vendedores da marca:
1º lugar — Chapa Quente: R$ 3 mil
2º lugar — Buteco do Ney: R$ 2 mil
3º lugar — Pikeno: R$ 1 mil
Já a Eisenbahn, cerveja oficial do concurso, premiou os bares com melhor desempenho em vendas:
1º lugar — Bar do Binho: R$ 3 mil
2º lugar — Harmônico: R$ 2 mil
O Comida di Buteco 2026 teve Eisenbahn como cerveja oficial, Knorr como apresentadora, patrocínio de Santander/Getnet, FYS e Sebrae, promoção da RPC TV e apoio de McCain, Chandon, Germer, Prefeitura de Maringá, Visite Maringá, Rádio Mundo Livre, Viaje Paraná, Abrasel e NEOOH.

