O desperdício que você não vê
Como processos invisíveis corroem o lucro da sua empresa
Todo empresário consegue perceber o desperdício mais óbvio: material perdido, dinheiro mal gasto ou produtos quebrados. Mas existem desperdícios silenciosos que podem ser tão perigosos quanto esses. São os minutos perdidos entre uma atividade e outra; os períodos de espera por decisões ou informações; as movimentações desnecessárias dentro da empresa ou até mesmo externas; e até o desperdício da capacidade produtiva das pessoas.
O desperdício não é uma particularidade das grandes empresas. Ele pode ser encontrado até no nosso dia a dia. Um exemplo simples é quando vamos ao mercado sem verificar tudo o que está faltando em casa, compramos parte dos itens e precisamos voltar no mesmo dia para buscar o restante. Isso é um desperdício de movimentação.
O que é desperdício na gestão de processos?
Na gestão de processos, existe um conceito bastante simples sobre desperdício: é tudo aquilo que consome tempo, dinheiro ou esforço sem gerar valor para o cliente. Imagine que você produza muito e crie um estoque enorme, mesmo sem haver pedidos suficientes para isso. Depois, ao vender o produto, tente justificar um preço maior dizendo que precisou produzir e armazenar uma grande quantidade antecipadamente. Você acredita que o cliente vai querer pagar mais por isso? Provavelmente não.
Afinal, o fato de o produto ter ficado parado no estoque não gerou nenhum benefício perceptível para ele. Por outro lado, esse estoque custou dinheiro para a empresa. Espaço de armazenamento tem custo. O material foi comprado antes da necessidade real, deixando capital parado até que a venda acontecesse. Esse é um desperdício conhecido no Lean Manufacturing como desperdício por superprodução — considerado, inclusive, um dos desperdícios mais perigosos, porque costuma gerar vários outros em sequência.
O caminho para combater o desperdício
O caminho para combater esse tipo de desperdício está no planejamento da produção de acordo com a demanda. Isso não significa trabalhar sem estoque algum, mas sim produzir em um ritmo em que o estoque exista apenas para sustentar o fluxo normal das vendas. O mesmo vale para matéria-prima e demais insumos utilizados na produção. É necessário avaliar cada item individualmente, entender os prazos de entrega dos fornecedores e programar corretamente quando e quanto comprar.
Gerenciar esse processo exige medição, acompanhamento e controle. Naturalmente, isso aumenta o nível de complexidade da gestão. Mas a capacidade de lidar com essa complexidade é justamente o que chamamos de eficiência. Uma empresa que consegue organizar sua produção de acordo com a demanda tende a utilizar melhor seus recursos, reduzir desperdícios e operar de maneira mais eficiente.
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A seguir, 4 dos 8 principais desperdícios do Lean Manufacturing Experimente colocar essa lista em um papel e pedir para que sua equipe encontre, no seu processo, desperdícios que se encaixem nesses exemplos: |
• Superprodução: produzir mais do que o necessário ou antes da hora. Geralmente gera excesso de estoque, ocupa espaço e deixa dinheiro parado.
• Espera: tempo perdido aguardando informações, aprovações, materiais, máquinas ou decisões para continuar uma atividade.
• Movimentação desnecessária: deslocamentos que não agregam valor, como caminhar excessivamente dentro da empresa, procurar ferramentas ou organizar materiais repetidamente.
• Retrabalho e defeitos: erros que exigem correções, refações ou descarte de produtos e serviços, consumindo tempo, material e mão de obra.
Importante lembrar
Esses desperdícios podem e estão presentes inclusive em empresas que têm lucro. Eles corroem o lucro, mas não necessariamente acabam com ele. Em outras palavras, você pode estar ganhando dinheiro com seu processo, mas poderia estar ganhando mais.
Atílio Mattozo
Gap – Consultoria Em Processos

