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Uma pequena conversa com o passado


Por: R. S. Borja
Data: 13/07/2026
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“Os caminhos que nos trouxeram até aqui são aqueles que foram percorridos, vividos, acompanhado ou não por pessoas, e não aqueles que poderíamos ou deveríamos ter caminhado.”

Com essas palavras, o Passado iniciou mais uma das muitas conversas que já tivemos. Sentados, esperando o dia amanhecer, com um copo de café fumegante, novamente falamos dos sonhos, vividos, adormecidos, esquecidos e daqueles novos; das perdas de pessoas, oportunidades, materiais, das ilusões e fantasias.

De como seria se não estivesse aceitado aquele convite, recusado outro, aproveitado aquela oportunidade profissional, aquela viagem e se tivesse tomado decisões diferentes ou no momento que deveria. E o “se” se multiplicou nos pensamentos e palavras.

Dessa vez, contudo, ao contrário das outras, o Passado estava alegre e de bom humor e se concentrou em demonstrar como a vida se apresentou durante todos esses anos.

Do êxtase quando o pai daquele amigo comprou o CP-500 até ter um smartphone, notebook e seu próprio computador.

Da alegria de entrar, juntamente com mais seis ou sete amigos, no “menstruation car”, nome pomposo para um Fiat 147 vermelho sangue, para andar pelas avenidas mais movimentadas, dando giros de 270 a 360 graus até poder adentrar um veículo maior e com pouca gente.

De conhecer uma família italiana, que falava seu idioma natal na frente de todos, principalmente quando brigavam e falavam palavrões, com suas massas e uma menina que corria mais e era mais forte do que muitos meninos até poder conhecer o país deles ou ao menos tentar aprender a sua língua.

Das brincadeiras de polícia e ladrão, esconde esconde e outras até presenciar a atuação de policiais e criminosos, e tentar localizar pessoas que não querem ser vistas.

Das batalhas épicas no campo de areia, onde a maior vitória era sair inteiro, seja pelo terreno pedregoso seja pelo adversário não tão leal e quase sempre mais velho e forte, Das batalhas não tão épicas em lanchonetes, festas e danceterias, onde a saída a esquerda era a senha para manter a integridade física.

Do acompanhar o crescimento dos amigos e amigas, a mudança do corpo e do olhar, com preocupação com a aproximação de meninos mas sempre desfrutando da sua presença. Do consequente despertar de sentimentos, que trouxe a descoberta a respeito de como as músicas românticas são muito mais bonitas nas madrugadas quando estamos com amigos sofrendo por amores não correspondidos. Amores frustrados, amores consolidados com o tempo.

Daquela banda que foi do nada ao lugar nenhum mas que reforçou o gosto pela música e abrir a mente para novos ritmos. Das viagens, onde o perigo e a fome eram companheiras, juntamente com aquele amigo Kamikaze correndo diversos riscos.

Após esses comparativos, o Passado concluiu dizendo que o que poderia ter sido não existe e que o que importa foi o caminho trilhado, com suas quedas e recuperação, ilusões e realidades, acertos e erros e, principalmente pessoas.

E que entre tantas Anas, Ana Paulas, Patrícias, Flavias, Cesares, Rogérios, Robertos que passaram na vida somente os originais permaneceram, tendo as réplicas ficado pelo caminho. E como tudo que é verdadeiro é valioso e duradouro permanece na razão e no sentimento.

E entre risadas e lembranças de momentos únicos, o Passado retornou ao seu lugar deixando no ar a sensação de que o “se” nunca seria melhor do que o “foi”, porque no foi existiram aquelas pessoas que até hoje vivem no pensamento e coração e que atendem pelo nome de amigos.


Anuncie com Jornal Noroeste
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