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Déficit de Atenção vai muito além da distração: entenda o transtorno e saiba identificar os sinais


Por: Assessoria de Imprensa
Data: 10/07/2026
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No Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (13.07), especialistas alertam para importância do diagnóstico precoce e tratamento individualizado

Foto: Ilustrativa/divulgação

Esquecer compromissos, perder objetos com frequência, adiar tarefas importantes ou ter dificuldade para manter a atenção são situações comuns na rotina de muitas pessoas. No entanto, quando esses comportamentos são persistentes, começam na infância e causam prejuízos na vida escolar, profissional e social, eles podem indicar o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Apesar de ser um dos transtornos do neurodesenvolvimento mais conhecidos, o TDAH ainda é cercado por estigmas. É comum que crianças, adolescentes e adultos sejam rotulados como "preguiçosos", "desorganizados", "mal-educados" ou "sem força de vontade". Segundo especialistas, essas interpretações estão longe da realidade.

De acordo com a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia na Afya Centro Universitário Itaperuna, o TDAH possui bases neurobiológicas bem estabelecidas e está relacionado ao funcionamento de áreas do cérebro responsáveis pela atenção, pelo controle dos impulsos e pelas funções executivas, conjunto de habilidades que permite planejar, organizar, iniciar, monitorar e concluir atividades. “Não se trata de falta de disciplina ou de interesse. O TDAH é uma condição neurobiológica que interfere na forma como o cérebro organiza e executa comportamentos direcionados a objetivos", explica.

Embora os sintomas geralmente apareçam antes dos 12 anos de idade, muitas pessoas só descobrem que têm TDAH na adolescência ou na vida adulta. Segundo o Dr. Rodrigo Eustáquio, médico e professor de pós-graduação em Psiquiatria na Afya Vitória, isso acontece porque alguns indivíduos desenvolvem estratégias para compensar suas dificuldades durante a infância. O diagnóstico costuma surgir quando aumentam as responsabilidades acadêmicas, profissionais ou familiares. "O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico. Não existe exame de sangue, ressonância magnética ou qualquer outro exame que confirme o transtorno", afirma.

A investigação é realizada por meio de uma entrevista detalhada, avaliação do histórico de desenvolvimento, desempenho escolar e profissional, além da análise dos impactos dos sintomas na vida cotidiana. Também é fundamental excluir outras condições que podem apresentar manifestações semelhantes, como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e dificuldades específicas de aprendizagem.

Os critérios utilizados atualmente são os descritos no DSM-5-TR e na Classificação Internacional de Doenças (CID), podendo ser complementados por entrevistas estruturadas e, quando indicado, por avaliação neuropsicológica.

Sintomas variam entre as pessoas

Nem todas as pessoas com TDAH apresentam os mesmos sinais. Existem diferentes apresentações do transtorno.Alguns indivíduos apresentam predominância da desatenção, caracterizada por dificuldade para manter o foco, organizar tarefas, administrar o tempo, seguir instruções e finalizar atividades. Outros apresentam sintomas mais evidentes de hiperatividade e impulsividade, como inquietação constante, dificuldade para permanecer sentado, interrupções frequentes durante conversas e tendência a agir antes de refletir.

Também existe a forma combinada, na qual os dois grupos de sintomas estão presentes. Segundo Rodrigo, essas características também podem variar conforme a idade e o sexo. "As meninas costumam apresentar mais frequentemente o subtipo predominantemente desatento, enquanto os meninos apresentam, com maior frequência, a forma combinada, com sintomas de desatenção e hiperatividade. Na idade adulta, é comum que a hiperatividade diminua, mas muitos pacientes continuam apresentando dificuldades relacionadas principalmente à atenção e à organização."

Muito além da dificuldade de concentração

Embora a desatenção seja o sintoma mais conhecido, ela representa apenas parte dos desafios enfrentados pelas pessoas com TDAH. Dra. Mariana Ramos explica que alterações nas funções executivas comprometem atividades do cotidiano, como organizar materiais, estabelecer prioridades, cumprir prazos, controlar impulsos, lidar com frustrações e concluir projetos de longo prazo. "Muitas vezes a pessoa sabe exatamente o que precisa fazer, possui capacidade para executar determinada atividade, mas encontra enorme dificuldade para iniciar ou manter a tarefa até o fim. Isso gera sofrimento porque frequentemente é interpretado como falta de responsabilidade."

Outro aspecto pouco conhecido é que pessoas com TDAH podem apresentar episódios de hiperfoco, estado de intensa concentração em atividades que despertam grande interesse, enquanto encontram extrema dificuldade para realizar tarefas consideradas pouco estimulantes. Esquecimentos frequentes, procrastinação e dificuldades na percepção do tempo também fazem parte das manifestações do transtorno e estão relacionados às alterações nas funções executivas, e não simplesmente à falta de empenho.

Impactos vão além da aprendizagem

Os prejuízos do TDAH não se restringem ao ambiente escolar.Ao longo da vida, muitas pessoas convivem com críticas constantes relacionadas ao seu comportamento, o que pode favorecer o desenvolvimento de baixa autoestima, ansiedade e depressão."Durante muitos anos, essas pessoas escutam frases como 'você é inteligente, mas não se esforça' ou 'você nunca termina o que começa'. Esse histórico pode provocar sofrimento emocional importante", destaca Mariana.

Segundo Dr. Rodrigo, o transtorno foi, durante muito tempo, subdiagnosticado, fazendo com que inúmeras pessoas crescessem sem compreender a origem de suas dificuldades."Quando o paciente recebe o diagnóstico correto e inicia o tratamento, consegue desenvolver melhor seu potencial, melhora a autoestima e reduz o risco de desenvolver outros transtornos, como ansiedade e depressão."

Além da avaliação médica, a avaliação neuropsicológica desempenha papel importante na investigação do TDAH. O processo permite analisar funções cognitivas como atenção, memória, velocidade de processamento, linguagem, raciocínio e funções executivas, além de identificar potencialidades e dificuldades específicas de cada indivíduo. Mais do que confirmar ou afastar o diagnóstico, essa avaliação contribui para a elaboração de estratégias terapêuticas individualizadas.

Tratamento  deve ser personalizado

Os especialistas ressaltam que não existe um tratamento único para todas as pessoas com TDAH. A abordagem depende da idade, intensidade dos sintomas, grau de prejuízo funcional e da presença de outras condições associadas. Este pode incluir medicamentos, quando indicados pelo médico, psicoterapia,  especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), reabilitação neuropsicológica, orientação familiar e adaptações no ambiente escolar ou profissional.

Também são recomendadas estratégias práticas, como reduzir estímulos que favoreçam distrações, criar rotinas estruturadas e desenvolver habilidades de organização e planejamento."O objetivo do tratamento não é apenas reduzir os sintomas, mas melhorar a qualidade de vida, favorecer a autonomia e permitir que cada pessoa desenvolva todo o seu potencial", conclui o psiquiatra.

Os especialistas reforçam que nem toda dificuldade de atenção significa TDAH. Por isso, diante de sintomas persistentes e prejuízos no cotidiano, é fundamental buscar avaliação com profissionais qualificados para um diagnóstico preciso e um tratamento baseado em evidências científicas.

Sobre a Afya 

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br. 


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