Mais de 2 mil pinguins já foram registrados em Florianópolis em 2026
Dentre vivos e mortos, 2.210 pinguins foram encontradas em praias da capital catarinense na atual temporada – número considerado dentro da normalidade
Pinguins mortos são recolhidos na Praia da Lagoinha Pequena, em Florianópolis, pela equipe do PMP-BS/R3 Animal (Foto: Associação R3 Animal)
Durante o outono e inverno deste ano, 2.210 pinguins-de-Magalhães já foram registrados em Florianópolis, até o dia 10 de julho. O balanço é da Associação R3 Animal, executora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) na capital catarinense. Desse total, 148 foram encontrados com vida.
A última quinta-feira, 9 de julho, foi um dos dias com maior ocorrência: 293 pinguins mortos em diferentes praias de Florianópolis. A Praia do Moçambique concentrou o maior registro, com 106 pinguins, seguida pela Praia dos Ingleses, com 69. No mesmo dia, seis pinguins foram resgatados com vida.
Apesar da alta ocorrência, o número está dentro do padrão observado nos anos anteriores, segundo dados da Associação R3 Animal. No ano passado, a equipe de monitoramento de Florianópolis registrou mais de 2.700 pinguins.
O monitoramento do PMP-BS/R3 Animal é realizado diariamente em praias da capital. Os pinguins mortos são recolhidos e, a depender das condições da carcaça, são encaminhados para a necropsia para investigar a possível causa da morte; já os resgatados com vida são encaminhados ao Centro de Reabilitação da R3 Animal, onde recebem tratamento veterinário até estarem aptos para voltar à natureza.
Por que os pinguins encalham?
Pinguim resgatado com vida na Praia do Moçambique; profissionais usam roupa de proteção contra a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade – IAAP (Foto: Associação R3 Animal)
A partir de maio ou junho, com o início do frio no hemisfério Sul, os pinguins-de-Magalhães se deslocam de suas colônias na Patagônia Argentina e Ilhas Malvinas, seguindo correntes marítimas em busca de alimento e chegam ao litoral brasileiro. Segundo a Associação R3 Animal, é esperado que muitos não resistam à longa viagem e acabem morrendo.
“A maioria dos pinguins que encontramos são jovens, que estão em sua primeira migração e se perdem do bando devido à inexperiência. Eles encalham na praia já mortos ou debilitados, com sinais de hipotermia e caquéticos”, explica Stella Ferrari, técnica de monitoramento do PMP-BS/R3 Animal.
A técnica destaca que tanto os desafios naturais da migração quanto ações humanas, como a poluição e a interação não intencional com redes de pesca, estão entre os fatores que prejudicam esses animais e podem levar ao encalhe.
A expectativa é que os pinguins permaneçam no litoral de Santa Catarina até setembro ou outubro, quando começam a retornar às suas colônias reprodutivas.
Caso a população aviste um pinguim na água, a R3 Animal informa que o resgate ainda não pode ser realizado. Alguns animais podem permanecer próximos à costa, nadando e se alimentando. A equipe de resgate entra em ação quando o animal encalha na faixa de areia.

