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TODOS OS DIAS


Por: R. S. Borja
Data: 17/08/2026
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Todos os dias ciclos se iniciam, Todos os dias ciclos se encerram. Todos os dias ciclos permanecem vivos, sobrevivendo, vegetando ou prestes a morrer.

Todos os dias pensamos no amanhã e em tudo o que ele nos trará. Todos os dias descobrimos que o amanhã não existe, pois quando chega se torna o hoje e no hoje preferimos pensar no amanhã.

Todos os dias oramos a Deus e agradecemos as bençãos recebidas. Todos os dias temos comportamentos e pensamentos como se Deus não existisse e reclamamos do que acontece conosco a cada dia.

Todos os dias amamos e odiamos, desejamos e somos desejados, decepcionamos e sofremos decepções, enganamos e somos enganados, Todos os dias, com maior ou menor intensidade, tais sentimentos se repetem.

Todos os dias comentamos que o tempo está passando mais rápido e que não temos tempo para fazer o que deve ser feito. Todos os dias ficamos presos em telas por longos períodos de tempo, esquecendo do que temos que fazer e das pessoas ao redor

Todos os dias queremos mudar o que somos, o que os outros são, o mundo em que vivemos. Todos os dias insistimos em manter nossos pensamentos, comportamentos e hábitos.

Todos os dias são uma pequena parcela do que chamamos de vida. E a vida é composta de ciclos que se iniciam com o nascimento, passam pela infância, adolescência, chegam a fase adulta até chegar a velhice e pôr fim a morte.

A imagem que ilustra esse texto representa bem esses ciclos e traz em si algo que é por demais óbvio. O tempo passa, nós mudamos, seja física, emocional e sentimentalmente e o fim é inevitável.

E no passar dos ciclos vamos descobrindo que as certezas vão se tornando dúvidas, que há contradições entre o que desejamos, pensamos e temos e, principalmente entre o que éramos em um ciclo anterior e o que somos hoje em dia.

E passamos a enterrar sonhos ou substituí-los por outros que, ainda não tão belos, sejam mais possíveis de serem realizados. Passamos a perceber que os sentimentos não são eternos e incondicionais, pois para se manterem vivos tem que ser cultivados, cuidados e demonstrados.

E concluímos que todos os dias simplesmente são aqueles momentos em que podemos fazer o que quisermos e preferimos não fazer nada, reforçando nossas contradições, esperando que todos os dias acabem, ainda que conscientemente não queiramos seu fim, sem perceber que há muitos fins em cada dia, como menciona o texto que transcrevo:

“Todos os dias planejava uma conversa, um almoço, uma viagem, um abraço e um sorriso. Quando vi, a pessoa tinha partido, deixando para trás o silêncio, memórias não vividas e sorriso transformado em lágrimas.

Todos os dias acreditava que o amor era sentimento e se traduzia em palavras. Até aprender que amar é um verbo que se conjuga em ações ou omissões dirigidas a outros. Foi quando descobrir que não havia mais ninguém a amar.”


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