A generic square placeholder image with rounded corners in a figure.


Saga das profissões invisíveis


Por: Jorge Antonio Salem
Data: 01/04/2026
  • Compartilhar:

Caros leitores, vocês já ouviram falar de uma profissão chamada zelador?

Ainda estou viajando e, no início dessa jornada, mais precisamente em um domingo, parei em um posto de gasolina às margens da estrada, no município de Assis, SP. Como muitos fazem durante uma viagem, resolvi almoçar no restaurante do local.

Antes de me servir daquele delicioso almoço, com direito a uma suculenta carne assada que já despertava o apetite só pelo aroma, fui ao banheiro lavar as mãos. Um gesto simples, automático, quase mecânico. Mas foi justamente ali que vivi uma experiência que me marcou profundamente.

Assim que entrei, vi um senhor de aproximadamente 50 anos. Vestia um macacão azul, típico uniforme de trabalho. Nos pés, botas de borracha branca; nas mãos, luvas verdes já marcadas pelo uso constante. Ele segurava um rodo com um pano de chão, desempenhando sua função com atenção e cuidado.

Parei logo após a porta, abri um sorriso e fiz uma saudação espontânea:

— Bom dia!

No mesmo instante, o zelador olhou para mim e deu um pequeno salto para trás. Sua reação me surpreendeu. Confesso que também me assustei por um instante e, sem entender o motivo, perguntei:

— O que aconteceu?

A resposta veio simples, mas carregada de significado: — As pessoas entram aqui e não falam nada. Nem levantam a cabeça para ver quem está presente. Muito menos cumprimentam.

Aquelas palavras ecoaram dentro de mim. Em um espaço tão comum, revelava-se uma realidade silenciosa: a invisibilidade de quem está ali, trabalhando.

Respondi que comigo era diferente. Sempre acreditei no valor de um cumprimento, de um olhar, de reconhecer o outro como pessoa, independentemente de sua função.

A conversa despertou em mim uma curiosidade genuína. Quis saber mais sobre aquele homem, sua história, sua rotina. Perguntei se ele poderia me contar um pouco de sua vida. Com certa timidez, ele explicou que o proprietário não gostava que os funcionários conversassem durante o expediente.

Respeitei sua posição, mas disse que tentaria autorização. Após o almoço, procurei o gerente do restaurante e, depois de fazer elogios sinceros ao atendimento e à qualidade do local, expliquei meu interesse. Felizmente, ele compreendeu e autorizou a conversa.

Sentamos em uma mesa ao fundo, longe do movimento. Ali, em um espaço simples, iniciava-se um momento profundo.

Quando pedi que ele começasse a falar, algo inesperado aconteceu: uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Ele se emocionou. Disse que aquela era uma oportunidade que Deus estava lhe dando — a chance de ser ouvido, de mostrar ao mundo que sua profissão também tem valor.

Ele falou… e chorou.

E eu ouvi… com respeito.

Aquele homem, mais novo que eu, carregava uma história de vida intensa. Falava com simplicidade, mas com uma sabedoria que só a vivência proporciona. Demonstrava ser amoroso, compreensivo e, acima de tudo, consciente de que o mundo nem sempre enxerga as pessoas como deveria.

Saí daquele encontro diferente. Refletindo.

Quantas pessoas passam por nós todos os dias sem que sequer as notemos? Quantas histórias deixamos de conhecer por falta de um simples “bom dia”?

Convido vocês a visitarem minhas redes sociais e as do Jornal Noroeste de Nova Esperança, para continuarmos essa conversa e trocarmos experiências sobre esse tema tão presente em nossas vidas.

Porque, no final das contas, viver bem não é apenas buscar o próprio bem-estar. É também reconhecer, valorizar e contribuir para que o outro viva melhor.

Jorge Antonio Salem

vida cotidiana


Anuncie com Jornal Noroeste
A caption for the above image.


Veja Também


smartphone

Acesse o melhor conteúdo jornalístico da região através do seu dispositivos, tablets, celulares e televisores.