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Religião e Psicanálise: a visão Freudiana sobre a fé humana


Por: Artigo de opinião
Data: 01/04/2026
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Andressa Vizotto Battaglia

Foto: Divulgação

"A religião é uma ilusão e realiza o mais antigo, forte e urgente desejo da humanidade."
FREUD, Sigmund - O Futuro de uma Ilusão, 1927

A religião pode ser compreendida como a forma que muitas pessoas encontram para se conectar com algo maior que elas mesmas, como Deus, deuses, o universo, ou o sagrado. Ela oferece respostas para perguntas que a ciência não consegue explicar, como: “Por que estamos aqui?” ou “Existe algo após a morte?”.

A crença religiosa, presente em diferentes culturas e épocas, desperta interesse não apenas por sua dimensão social e cultural, mas também por sua influência na experiência individual. Compreender como e por que as pessoas desenvolvem suas crenças se tornou objeto de análise científica, especialmente na psicologia. Nesse contexto, Sigmund Freud propôs uma abordagem psicológica, oferecendo uma interpretação que busca compreender as motivações humanas por trás da fé.

Sigmund Schlomo Freud foi um médico e neurologista austríaco, criador da psicanálise, um método para tratar doenças mentais baseado nos sonhos e na sexualidade. Freud acreditava que os comportamentos humanos eram guiados por desejos inconscientes. Ele via o ser humano como um ser dividido entre impulsos e regras sociais, e tentou explicar esses conflitos através da mente.

Em sua obra “O Futuro de uma Ilusão” (1927), Freud sustenta que a existência de Deus foi elaborada pelos seres humanos em decorrência de uma necessidade emocional. Nessa perspectiva, a figura divina seria compreendida como uma espécie de “pai protetor”, destinado a auxiliar o indivíduo no enfrentamento de angústias existenciais, tais como o medo da morte, da solidão e das incertezas da vida. Assim, a religião é interpretada por Freud como uma neurose coletiva de caráter infantil, representando uma etapa primitiva da humanidade na tentativa de lidar com a realidade.

Freud reduziu a religião à uma carência emocional, especialmente relacionada à figura paterna. No entanto, essa concepção é bastante limitada, pois ignora o fato de que a fé envolve também dimensões racionais, culturais, éticas e empíricas, que vão muito além de uma simples “necessidade de proteção”. Se a fé fosse apenas uma “fantasia emocional”, por que manifesta-se em diferentes épocas, culturas e regiões, mesmo entre indivíduos que nunca tiveram contato entre si? Isso mostra que a fé não é uma “fuga”, mas faz parte da natureza humana.

Ele afirmava que a religião é equivalente à uma manifestação infantil da mente humana, uma forma primitiva de lidar com a realidade. No entanto, essa visão desconsidera o fato de que inúmeros pensadores, cientistas e artistas de grande racionalidade mantinham a fé em Deus. Isso demonstra que crer não é incompatível com o pensar, e que é possível conciliar fé e razão. Grandes nomes como Isaac Newton, considerado um dos maiores físicos da história, via suas descobertas como uma forma de compreender melhor a criação divina. Albert Einstein, dizia acreditar em “um Deus que se revela na harmonia de tudo o que existe”. O filósofo Blaise Pascal, matemático brilhante, afirmava que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Já C.S. Lewis, professor de Oxford, se tornou um dos mais influentes defensores da fé cristã após anos de ateísmo. Esses exemplos evidenciam que a

 

não é necessariamente fruto de ilusão ou ignorância, mas pode ser resultado de reflexão, experiência pessoal e convicção racional.

Deus constitui um mistério que transcende a capacidade da compreensão humana. Buscar explicá-lo em sua totalidade equivale a tentar segurar o vento com as mãos: não se pode ver, mas é possível perceber sua presença. É justamente essa dimensão invisível que O torna tão real, pois Ele ultrapassa os limites do que é visível e alcança o que é eterno no interior de cada ser humano.

Diante das limitações e imperfeições humanas, revela-se impossível que um conjunto de narrativas tão coesas e interligadas, elaboradas em diferentes épocas e por autores sem qualquer contato entre si, tenha sido produzido unicamente pela mente humana. Com mais de 63 mil conexões internas, a Bíblia, livro sagrado dos cristãos, evidencia-se não apenas como uma obra literária, mas como um texto inspirado por Deus, contendo profecias que já se cumpriram ao longo da história, como o surgimento e a queda de impérios, a destruição de cidades e o nascimento de figuras centrais, confirmando sua autenticidade.

As experiências religiosas não são alienações sociais, mas realidade capaz de transformar vidas e oferecer sustentação a milhões de pessoas, mesmo em contextos de dor e perseguição. A Bíblia, ao apresentar uma profunda coerência entre textos e períodos históricos distintos, reforça a percepção da existência de uma intervenção superior que orienta sua formação. Desse modo, a religião não se caracteriza como expressão de fragilidade ou manifestação neurótica, mas como fonte de esperança e de propósito existencial. Crer, portanto, não significa abandonar a razão, mas reconhecer que há mistérios que o pensamento racional não pode explicar sozinho.

Referências bibliográficas:

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<https://www.spaceandmotion.com/albert-einstein-god-religion-theology.htm?utm_source>. Acesso em: 10 set. 2025.

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JAY, M. E. Sigmund Freud | Biography, Theories, Psychology, Books, Works, & Facts. Disponível em: <https://www.britannica.com/biography/Sigmund-Freud?utm_source>. Acesso em: 10 set. 2025. Newton 's Religious Life and Work. Disponível em:

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REDAÇÃO PSICANÁLISE CLÍNICA. O futuro de uma ilusão: resumo de Freud. Disponível em:

<https://www.psicanaliseclinica.com/o-futuro-de-uma-ilusao/?utm_source>. Acesso em: 10 set. 2025. Sigmund Freud: biografia, teorias, obras. Disponível em:

<https://mundoeducacao.uol.com.br/psicologia/sigmund-freud.htm>.


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