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Operação Fortuna II apura suposto esquema de notas fiscais frias que teria causado prejuízo de R$ 2,3 milhões


Por: Alex Fernandes França
Data: 03/08/2026
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Investigação da Polícia Civil aponta que o suposto esquema funcionou entre 2019 e 2025 por meio da emissão de notas fiscais sem lastro ou superfaturadas. A Operação Fortuna II cumpriu mandados judiciais e bloqueio de bens após o indiciamento de sete pessoas.

Polícia Civil de Paranacity deflagrou, na manhã desta segunda-feira (3), a Operação Fortuna II para cumprir mandados de busca e apreensão e medidas judiciais de bloqueio, sequestro e arresto de bens no âmbito de investigação sobre um suposto esquema de fraudes contra uma empresa do ramo agroflorestal. Foto: Polícia Civil/Divulgação

A Polícia Civil de Paranacity deflagrou, na manhã desta segunda-feira (3), a Operação Fortuna II, destinada ao cumprimento de ordens judiciais de busca e apreensão domiciliar, além de medidas de bloqueio, sequestro e arresto de bens e valores. A ação integra a fase de conclusão de um inquérito policial que apura um suposto esquema criminoso envolvendo empregados e fornecedores de uma empresa do ramo agroflorestal, com unidades em Jardim Olinda e Paranapoema.

De acordo com a Polícia Civil, a investigação resultou no indiciamento de sete pessoas — três funcionários da empresa e quatro fornecedores — pelos supostos crimes de estelionato, furto qualificado, apropriação indébita, falsidade ideológica, crimes tributários, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As medidas cautelares patrimoniais solicitadas pela autoridade policial foram deferidas pelo Poder Judiciário.

Segundo a corporação, as investigações tiveram início há aproximadamente um ano, após representantes da empresa apresentarem uma notícia-crime acompanhada de auditoria contábil. Conforme o inquérito, a apuração identificou um esquema que teria funcionado entre os anos de 2019 e 2025, baseado na emissão e inserção de notas fiscais sem a correspondente entrega de produtos ou prestação de serviços, além de documentos com valores supostamente superfaturados.

Ainda conforme a Polícia Civil, os pagamentos realizados pela sede administrativa da empresa, localizada em Cambira, teriam provocado um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 2,3 milhões ao longo de mais de cinco anos.

As investigações apontam que o esquema seria coordenado por uma funcionária de 53 anos, identificada pelas iniciais E.A.C.S., então responsável pela coordenação financeira da empresa. Conforme a polícia, ela controlava as etapas de requisição, emissão e lançamento de notas fiscais no sistema interno, o que, em tese, teria permitido a inserção de documentos irregulares antes da liberação dos pagamentos pela administração central.

Entre as irregularidades descritas no inquérito estão a suposta simulação de compras de insumos, como sacos de ração para cães e medicamentos veterinários; aquisição de produtos de mercado com valores considerados incompatíveis; emissão de notas referentes a cestas básicas que, segundo a investigação, chegaram a registrar valores de até R$ 2 mil; lançamento de despesas com combustíveis incompatíveis com o consumo estimado; além do suposto superfaturamento de autopeças e serviços mecânicos.

Ainda segundo a Polícia Civil, aproximadamente R$ 1 milhão teria sido direcionado a uma empresa pertencente ao marido da investigada, mediante emissão de notas fiscais genéricas ou relativas a serviços que, conforme a apuração, não teriam sido efetivamente prestados e sem autorização do setor responsável pela frota da empresa.

Com a quebra do sigilo bancário autorizada judicialmente, a investigação identificou, conforme a polícia, movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada da investigada e de seu esposo, R.A.S., de 52 anos, incluindo repasses cruzados e aquisição de diversos veículos durante o período investigado.

Outro ponto destacado pela Polícia Civil refere-se ao suposto desvio de aproximadamente R$ 700 mil em cheques de clientes e da própria empresa, que, segundo o inquérito, teriam sido depositados diretamente em contas pessoais da investigada.

A investigação também aponta a participação de outras duas funcionárias da empresa, identificadas pelas iniciais G.O.A. e M.E.G.F., ambas de 29 anos, que, de acordo com a Polícia Civil, teriam realizado lançamentos de notas fiscais consideradas fraudulentas no sistema interno e permitido a utilização de suas contas bancárias para movimentações financeiras destinadas, em tese, à ocultação da origem dos recursos.

Além disso, dois prestadores de serviços, identificados pelas iniciais J.F.S., de 66 anos, e P.R.A., de 29 anos, também foram indiciados. Conforme a investigação, eles teriam participado de movimentações financeiras triangulares relacionadas ao esquema investigado.

Em nota, a Polícia Civil informou que as investigações continuam para apurar a eventual participação de outras empresas e fornecedores que possam ter mantido transações comerciais suspeitas ou contribuído para a prática de crimes relacionados à lavagem de dinheiro.

Até o momento, não houve divulgação, pela Polícia Civil, de manifestação das defesas dos investigados. O espaço permanece aberto para o posicionamento dos citados, caso desejem se pronunciar.


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