Os invisíveis em nossa vida

O tempo passou. Dias, meses, anos e séculos se foram. Muitas coisas mudaram em determinados setores de nossa vida, enquanto outras parecem ter mudado muito pouco. Tivemos uma enorme evolução material, muitas descobertas foram realizadas e doenças que antes pareciam incuráveis hoje podem ser tratadas. As roupas ganharam novas tecnologias, os meios de transporte ficaram mais rápidos e eficientes, as distâncias foram diminuídas e conseguimos atravessar continentes em poucas horas. Até mesmo o universo, que durante muito tempo pareceu um grande mistério, começou a ser desvendado pela ciência.
Mas algumas coisas ainda não mudaram completamente.
Antes de continuar, quero fazer uma pergunta aos meus caros leitores: vocês conhecem as pessoas que lhes servem nos restaurantes, nos postos de combustível, nas lojas, nos supermercados ou nas repartições públicas?
Em muitos momentos, nossa vida se torna tão corrida que entramos em alguns estabelecimentos e vamos embora sem sequer levantar os olhos para olhar quem está nos atendendo. Entramos e saímos sem dar um “bom dia”, um “boa tarde” ou um simples “obrigado”. E, muitas vezes, nem perguntamos o nome daquela pessoa que esteve ali, fazendo parte da nossa vida.
Essas pessoas acabam se tornando, para nós, os invisíveis.
Nesta semana, assisti a um vídeo que me fez pensar bastante sobre isso. Um palestrante, durante um evento, sentiu vontade de abraçar um garçom de um hotel. Pediu autorização para dar aquele abraço. O garçom inicialmente não entendeu, mas aceitou. Depois, conversando com o palestrante, contou que estava enfrentando um câncer e não tinha dinheiro para realizar o tratamento.
Naquele dia, aquele homem estava pensando até mesmo em tirar a própria vida. Entretanto, aquele simples abraço lhe deu um pouco mais de ânimo para continuar vivendo e cuidando de sua família.
Imaginem isso!
Um abraço que durou apenas alguns segundos poderia ter mudado toda a história de uma família.
Quantas pessoas no mundo estão aguardando apenas um pouco de atenção? Quantas talvez estejam enfrentando problemas que desconhecemos? Quantas carregam preocupações, tristezas e dificuldades enquanto continuam trabalhando, sorrindo e atendendo outras pessoas?
Talvez não precisemos fazer grandes coisas. Um “bom dia”, uma “boa tarde”, um sorriso ou uma pequena conversa podem representar muito mais do que imaginamos. Às vezes, precisamos apenas continuar por alguns segundos uma conversa, olhando nos olhos daquela pessoa e oferecendo um pouco do nosso tempo.
Hoje mesmo passei por uma situação que me fez pensar novamente nesse assunto.
Fui ao supermercado e, na hora de passar minhas compras pelo caixa, cumprimentei a moça de uma maneira um pouco mais efusiva do que de costume. Percebi imediatamente um sorriso em seu rosto. Logo em seguida, percebi outra funcionária, que estava ao lado, aproximar-se rapidamente para colocar as compras nas sacolas.
Começamos a conversar sobre o tempo, sobre uma fruta que uma delas comentou nunca ter experimentado e sobre outros assuntos. Foi tudo muito rápido. Talvez tenham sido apenas alguns minutos. Mas, naquele pequeno espaço de tempo, olhei para aquelas duas pessoas e conversei com elas. Dei atenção. E isso me fez pensar que, em outras visitas ao supermercado, já havia percebido que nem sempre as pessoas que passam por ali tratam os funcionários com a mesma cordialidade.
Será que custa tanto assim?
Talvez a mudança que esperamos do mundo possa começar em nós mesmos. Podemos melhorar nossos relacionamentos com as pessoas que nos cercam e com aquelas que encontramos apenas por alguns minutos. Podemos olhar mais para as pessoas, ouvir um pouco mais, sorrir, cumprimentar e demonstrar respeito.
Talvez aquela pessoa esteja passando por um momento difícil. Talvez esteja preocupada com a família, com uma doença, com as contas do mês ou simplesmente esteja cansada de ser tratada como se não existisse.
Por isso, caros leitores, talvez seja importante começarmos a enxergar os invisíveis que fazem parte de nossa vida. Eles estão por todos os lugares. Talvez não precisemos conhecer suas histórias. Mas podemos reconhecer suas existências. Um olhar, um sorriso, um cumprimento ou algumas palavras podem parecer pequenas para nós, mas podem significar muito para quem as recebe. Essa é uma importante reflexão que devemos fazer.
Quem são os invisíveis que encontramos todos os dias?
E será que, em algum momento, nós também não nos tornamos invisíveis para alguém?
Deixem seus comentários nas minhas redes sociais ou nas redes do Jornal Noroeste de Nova Esperança. Será uma grande alegria conhecer as experiências e as opiniões de cada um de vocês.

