O Reizinho Mandão

Li O Reizinho Mandão em sala de aula, para meus alunos, nesses dias em que a leitura vira mais do que atividade pedagógica; vira experiência.
Abri o livro e comecei a leitura. A história é curta, direta, quase ingênua à primeira vista. Um pequeno rei que manda em tudo, o tempo todo, sem ouvir ninguém. As crianças riram. Riram muito. Mas, conforme a leitura avançava, o riso foi ficando mais silencioso, mais atento. É impressionante como a boa literatura sabe a hora de trocar gargalhada por reflexão.
Enquanto eu lia, percebia que eles entendiam mais do que imaginamos. Entendiam o exagero do poder, a injustiça das ordens sem sentido, o cansaço de quem só obedece. Entendiam que mandar não é o mesmo que liderar. E, talvez sem saber explicar com palavras difíceis, compreendiam algo essencial: ninguém aguenta um reizinho mandão por muito tempo.
Quando a história terminou, vieram os comentários, as comparações, os exemplos do cotidiano. A história saiu do livro e entrou na vida, porque é isso que Ruth Rocha faz com maestria: escreve para crianças, mas toca em estruturas profundas do mundo adulto.
Terminei a leitura com a certeza de que aquele livro cumpriu seu papel. Não ensinou apenas a ouvir uma história, mas a pensar sobre ela. E talvez seja esse o maior mérito de um bom livro: continuar ecoando mesmo depois que a última página é virada.
Algumas leituras são simples.
Outras são necessárias.
O Reizinho Mandão consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo.

