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O dia em que eu entendi


Por: Fabiana Margonato
Data: 18/05/2026
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Esses dias foi primeiro de maio. E, de novo, volto à casa dos meus avós. No mês de maio daquele ano – 1994.

         Era domingo. Eu estava na sala de TV, sozinha, assistindo ao Grande Prêmio de San Marino. Meus irmãos e meus primos estavam no quintal, rindo e conversando. Só eu estava lá.

         Fui a primeira a ver a notícia: Ayrton Senna tinha batido e não dava sinal de dentro do carro. Eu não conseguia acreditar, embora ainda houvesse alguma esperança de que aquilo não passasse de um pesadelo.

         O almoço ficou pronto. Desliguei a TV. Na mesa, fui eu a pessoa a contar. Ninguém acreditou. Apenas depois, quando o repórter de Globo, com lágrimas nos olhos, confirmou a notícia em rede nacional.

Imagem meramente ilustrativa/IA

         Até hoje não esqueço. O choro entalado na garganta, o cheiro da sala dos meus avós e a macarronada que não descia.

         Eu, com meus doze anos de idade, fui obrigada a entender o que ninguém compreendia: aquela absurda sensação, que vem com uma perda tão inesperada.

         Impossível de acreditar. Algo em mim também morria – a ilusão de que os fortes nunca morrem.

         Entendi que, para morrer, basta apenas estar vivo. Sem dia e sem hora marcada.

         E foi aí que a menina começou a perceber que nem tudo na vida segue um roteiro. A imprevisibilidade é o lobo mal do qual vivemos fugindo. E, naquele dia, aquele grande lobo calou a todos. E o que restava era aceitar.

         Com o tempo, a mulher – que um dia já foi a menina de doze anos assombrada pelo grande lobo – descobriu que a vida nessa terra um dia acaba. E passou a entender que, por mais que se faça o cálculo, não há certeza sobre o que virá.

         Sua única opção tornou-se viver o agora – mesmo sabendo que nada garanta que ele se repita amanhã.

A autora: 

Fabiana Margonato é mestre em Estudos Linguísticos pela UEM, cronista, professora de redação, esposa e mãe de três.

Instagram: @fabiana_margonato

Fabiana Margonato

Fabiana Margonato é mestre em Estudos Linguísticos pela UEM, cronista, professora de redação, esposa e mãe de três. Instagram: fabiana_margonato


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