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O comportamento prático da humanidade sem cristo


Por: Fernando Razente
Data: 27/04/2026
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Por Sem. Fernando

Romanos 3.15-17: “15 São os seus pés velozes para derramar sangue, 16 nos seus caminhos, há destruição e miséria; 17 desconheceram o caminho da paz.”

Na semana passada, analisamos a corrupção geral da linguagem humana a partir dos versos 13 e 14 de Romanos 3. Como estamos observando, os versos 10 a 18 funcionam como uma cadeia de citações do Antigo Testamento que Paulo utiliza para fundamentar a declaração do verso 9: todos os seres humanos estão “debaixo do pecado”.

Até aqui, Paulo já demonstrou a apostasia generalizada da humanidade, ou seja, não há quem busque a Deus nem quem faça o bem espiritual (vv. 10-12). Em seguida, expôs a corrupção universal da linguagem (vv. 13-14). Agora, nos versos 15 a 17, ele trata da corrupção das decisões e escolhas humanas, citando, com variações, o texto de Isaías 59.7-8.

O foco, nestes versículos, passa a ser o comportamento prático do homem caído sem Cristo, simbolizado por termos como “pés” e “caminhos”, que indicam direção, vontade e conduta.

No verso 15, lemos: “São os seus pés velozes para derramar sangue,”. A expressão “pés velozes” comunica prontidão, avidez e inclinação intensa. Contudo, essa disposição não é para o bem, mas “para derramar sangue”, isto é, para a violência e o homicídio. A humanidade caída, sem Cristo, carrega em si uma inclinação para a morte e uma profunda dessacralização da vida. Aquilo que Deus proibiu expressamente no sexto mandamento (Êxodo 20.13) passa a ser desejado e praticado com rapidez e sem temor.

O assassinato não é um fenômeno tardio na história humana; ele surge logo após a queda. Sua raiz está na ação de Satanás, que, conforme João 8.44, é homicida desde o princípio. A primeira manifestação concreta desse impulso aparece na descendência imediata de Adão. Em Gênesis 4.8, vemos Caim assassinar seu irmão Abel, movido por inveja e ira pecaminosa. Trata-se de um homicídio intencional, cruel e revelador da corrupção do coração humano. Como afirma 1 João 3.12, Caim procedia do maligno.

Essa marca caracteriza uma linhagem espiritual. Em Gênesis 4.23-24, vemos Lameque ampliar ainda mais essa violência, evidenciando o progresso da depravação. Assim, o ódio à vida e a inclinação à violência tornam-se sinais daqueles que seguem as “pisadas” de Caim. Por isso, quando confronta os fariseus em João 8.44, Jesus declara que eles desejavam satisfazer os intentos de seu pai, o diabo. O impulso de destruir a vida injustamente, motivado por ódio, revela uma filiação espiritual corrompida.

Portanto, ao afirmar em Romanos 3.15 que os pés da humanidade são velozes para derramar sangue, Paulo está dizendo que, em suas inclinações naturais, o homem segue uma direção moralmente pervertida, inclinada à destruição, como filhos do diabo (Ef 2.2-3).

No verso 16, ele prossegue: “nos seus caminhos, há destruição e miséria.” Aqui, “caminhos” refere-se ao padrão de vida ou ao modo de agir. A ideia é que, por onde o homem pecador passa, ele leva consigo destruição e miséria. Como observou o puritano Matthew Henry (1662-1714), esses elementos acompanham o homem pecador sem Cristo como companheiros constantes. Isso ocorre porque a conduta humana é expressão do caráter, e um caráter corrompido produzirá inevitavelmente efeitos destrutivos. O homem, estando em estado de ruína interior, torna-se agente de ruína exterior em suas ações.

Por fim, no verso 17, lemos: “desconheceram o caminho da paz.” A humanidade não apenas escolhe ativamente caminhos de destruição, mas também ignora completamente o caminho que conduz à paz. Segundo Henry, o homem natural não sabe como manter a paz com os outros nem como obtê-la para si mesmo. Ele está cego pelos seus pecados, e por isso, ainda que possam até falar de paz, ela permanece estranha à sua verdadeira natureza.

A paz aqui, em oposição ao “derramamento de sangue”, “destruição” e “miséria”, é sobretudo o estabelecimento social de reconciliação e ordem. Mas como estabelecer isso no mundo? O homem tenta com todas as forças, com base em seus esforços autônomos, por meio de reorganizações sociais e políticas, que nunca alcançam paz verdadeira, pois desconhecem que o caminho da paz não provém do homem, mas da submissão do homem à vontade sábia e justa de Deus mediante a fé em Jesus Cristo. Portanto, a verdadeira paz, querido leitor (a), é encontrada somente em Deus, por meio de Cristo, que reconcilia o homem consigo mesmo e com o próximo. Deus o abençoe!

Fernando Razente

Diácono ordenado da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Paranavaí, Congregação de Nova Esperança, e seminarista do Seminário Presbiteriano do Sul – Extensão de Curitiba. Professor de Ciências Humanas, Filosofia e Ciência da Religião. Marido de Renata Minel


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