Energia Elétrica: do passado das descobertas ao futuro de inovações
Uma síntese histórico-científica
Por: Sofia Burdelake Bespalhuk
Atualmente, a estudante cursa o Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio no IFPR - Campus Paranavaí, onde atua como instrutora de violão e teoria musical, coralista e bolsista em um projeto de extensão (desenvolvendo um sistema para o gerenciamento de resíduos químicos). Sofia é também duas vezes medalhista de prata pela OBA, de bronze pelas ONIA, ONC e OBLI, possui três menções honrosas nacionais e bronze estadual na OBMEP, olimpíadas brasileiras de astronomia e astronáutica, ciências, Língua Inglesa e matemática, respectivamente.
A Lua já contribui indiretamente para a geração de energias renováveis na Terra pela chamada energia maremotriz - ou oceânica. Esse tipo de energia pode ser dividido em categorias de acordo com o sistema utilizado, são eles: por terminais, por turbinas, por galgamento, por atenuadores, e absorvedores flutuantes. De modo geral, todos consistem em transformar a energia cinética das marés em energia elétrica, porém com processos diferentes. Entretanto, ela pode contribuir ainda mais para a produção sustentável de energia elétrica.
Desde a descoberta de energia elétrica em 1752 por Benjamin Franklin, a invenção de lâmpadas (1879) e usinas (1882) elétricas por Thomas Edison, bem como os sistemas de correntes alternadas e formas de transmissão de energia sem fios por Nikola Tesla entre os séculos XIX e XX, ela se tornou parte essencial da humanidade. Seu uso revolucionou comunicações, transporte e automação de tarefas ao longo das décadas e não percebemos que é algo relativamente recente, visto que é tão essencial no modelo atual de sociedade. Sem ela, não seria possível conversar com pessoas de outros países em um instante, a conservação de alimentos seria por métodos de salgamento ou desidratação e nenhuma das facilidades que hoje associamos a aparelhos elétricos existiria.
Contudo, as principais formas de geração dessa necessidade básica degradam cada vez mais o planeta Terra. Em 2024, 56% da energia mundial ainda provinha de fontes não renováveis, como carvão e gás natural, enquanto menos de 7% foi produzida por painéis solares — mesmo com usinas fotovoltaicas liderando em quantidade no cenário global. Por isso, mostra-se essencial a ampliação do uso de energias renováveis e o satélite natural terrestre é uma excelente oportunidade para tal.
A proposta de produção de energia sustentável na Lua mais viável no presente momento é a construção de uma grande usina fotovoltaica em torno dela. Projetos assim já estão sendo desenvolvidos por agências espaciais, como a ESA (da sigla em inglês European Space Agency), que pretende desenvolver uma estação espacial habitável para geração de energia a ser utilizada tanto para abastecer a nave, quanto futuras bases na Lua e até mesmo a Terra, para suprir a crescente demanda energética.
A exploração de Hélio-3 para usinas de fusão nuclear também já é discutida há alguns anos. Essa fonte de energia limpa é abundante no satélite natural da Terra e a fusão desses isótopos apresenta alta eficiência energética, como também não gera produtos radioativos ou gases do efeito estufa. Todavia, tecnologias para fusão em larga escala ainda não estão consolidadas e, apesar de ser limpa, não é renovável, pois apenas cerca de 1 (uma) tonelada desse tipo de isótopo de Hélio é depositada por ventos solares ao longo de um ano. Para substituir carvão e gás natural (cerca de 17 000TWh) seriam necessárias cerca de 2 (duas) toneladas de ³He, nesse mesmo período.
Ainda assim, uma vez implementadas simultaneamente, elas poderão contribuir imensamente para a produção energética sustentável. Se aumentarmos exponencialmente o uso de energias renováveis, o consumo do isótopo de Hélio pode ser reduzido para uma tonelada por ano, atingindo, então, a independência do uso dos combustíveis fósseis.

