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Desafio de caminhar pela cidade


Por: Jorge Antonio Salem
Data: 10/06/2026
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Como uma pessoa poderá compreender os desafios enfrentados por quem caminha diariamente pelas ruas de uma cidade se ela própria nunca se dispuser a caminhar?

Há aproximadamente dezoito meses, parei de trabalhar com carteira assinada. Minha atividade profissional exigia muito tempo dentro do carro. Todos os dias eu percorria entre 300 e 400 quilômetros, viajando constantemente. Ao chegar em casa, faltavam disposição e energia para fazer uma caminhada ou uma corrida. Com a mudança na rotina, passei a caminhar e correr com muito mais frequência. Foi então que comecei a perceber algumas dificuldades presentes em nosso município, problemas que muitas pessoas enfrentam diariamente, mas que nem sempre são comentados.

Nossa cidade possui avenidas e ruas que oferecem boas condições para quem deseja praticar exercícios físicos. Algumas vias são bastante íngremes, proporcionando um treino mais intenso, enquanto outras são planas e adequadas para caminhadas mais leves. Também contamos com a pista de caminhada ao redor do campo de futebol, um espaço importante para a prática esportiva. No entanto, existem pessoas, como eu, que gostam de explorar diferentes trajetos pela cidade, passando por ruas e bairros variados.

Segundo especialistas, percorrer caminhos diferentes estimula o cérebro, favorecendo a criação de novas conexões neurais e contribuindo para a prevenção de algumas doenças relacionadas ao envelhecimento. Além disso, mudar de percurso torna a atividade mais agradável e permite conhecer melhor o lugar onde vivemos.

Durante essas caminhadas por diversos pontos do município, comecei a observar problemas que não estão concentrados em um único local, mas espalhados por muitas ruas e calçadas. Em frente a diversos terrenos sem construção, por exemplo, simplesmente não existem calçadas. Em outros pontos, reformas e obras ocupam completamente o espaço destinado aos pedestres com montes de areia, pedra e outros materiais de construção.

Também é comum encontrar caçambas para recolhimento de entulho posicionadas junto ao meio-fio, reduzindo ainda mais a passagem. Em muitas situações, o caminhante é obrigado a deixar a calçada e seguir pelo leito da rua, dividindo espaço com veículos e aumentando os riscos de acidentes. Há ainda casos em que tapumes, materiais de construção e troncos de árvores antigas acabam formando verdadeiras barreiras, interrompendo completamente a passagem dos pedestres.

Em uma cidade cuja população idosa cresce a cada ano, essa preocupação deveria receber atenção especial. Eu ainda me considero em boas condições físicas, mas frequentemente encontro pessoas com mobilidade reduzida, que caminham com dificuldade devido à idade ou a limitações de saúde. Para elas, um pequeno obstáculo pode representar um grande desafio.

Construtores, proprietários e fiscais de obras precisam ter consciência de que o direito de construir ou reformar possui limites estabelecidos pela legislação e pelo respeito ao próximo. Nenhuma obra deveria comprometer a segurança ou impedir o livre trânsito das pessoas.

Sabemos da importância das construções e reformas para o desenvolvimento do município. Porém, também é necessário pensar naqueles que precisam utilizar as calçadas diariamente para trabalhar, estudar, realizar compras ou simplesmente praticar atividades de lazer.

Caros leitores, a reflexão de hoje também serve como um alerta. Uma cidade verdadeiramente acolhedora é aquela que oferece segurança e acessibilidade para todos. Gostaria também de saber de onde vocês acompanham esta coluna. Deixem seus comentários nas minhas redes sociais ou nas redes do Jornal Noroeste de Nova Esperança.

Jorge Antonio Salem

vida cotidiana


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