Desafio de caminhar pela cidade

Como uma pessoa poderá compreender os desafios enfrentados por quem caminha diariamente pelas ruas de uma cidade se ela própria nunca se dispuser a caminhar?
Há aproximadamente dezoito meses, parei de trabalhar com carteira assinada. Minha atividade profissional exigia muito tempo dentro do carro. Todos os dias eu percorria entre 300 e 400 quilômetros, viajando constantemente. Ao chegar em casa, faltavam disposição e energia para fazer uma caminhada ou uma corrida. Com a mudança na rotina, passei a caminhar e correr com muito mais frequência. Foi então que comecei a perceber algumas dificuldades presentes em nosso município, problemas que muitas pessoas enfrentam diariamente, mas que nem sempre são comentados.
Nossa cidade possui avenidas e ruas que oferecem boas condições para quem deseja praticar exercícios físicos. Algumas vias são bastante íngremes, proporcionando um treino mais intenso, enquanto outras são planas e adequadas para caminhadas mais leves. Também contamos com a pista de caminhada ao redor do campo de futebol, um espaço importante para a prática esportiva. No entanto, existem pessoas, como eu, que gostam de explorar diferentes trajetos pela cidade, passando por ruas e bairros variados.
Segundo especialistas, percorrer caminhos diferentes estimula o cérebro, favorecendo a criação de novas conexões neurais e contribuindo para a prevenção de algumas doenças relacionadas ao envelhecimento. Além disso, mudar de percurso torna a atividade mais agradável e permite conhecer melhor o lugar onde vivemos.
Durante essas caminhadas por diversos pontos do município, comecei a observar problemas que não estão concentrados em um único local, mas espalhados por muitas ruas e calçadas. Em frente a diversos terrenos sem construção, por exemplo, simplesmente não existem calçadas. Em outros pontos, reformas e obras ocupam completamente o espaço destinado aos pedestres com montes de areia, pedra e outros materiais de construção.
Também é comum encontrar caçambas para recolhimento de entulho posicionadas junto ao meio-fio, reduzindo ainda mais a passagem. Em muitas situações, o caminhante é obrigado a deixar a calçada e seguir pelo leito da rua, dividindo espaço com veículos e aumentando os riscos de acidentes. Há ainda casos em que tapumes, materiais de construção e troncos de árvores antigas acabam formando verdadeiras barreiras, interrompendo completamente a passagem dos pedestres.
Em uma cidade cuja população idosa cresce a cada ano, essa preocupação deveria receber atenção especial. Eu ainda me considero em boas condições físicas, mas frequentemente encontro pessoas com mobilidade reduzida, que caminham com dificuldade devido à idade ou a limitações de saúde. Para elas, um pequeno obstáculo pode representar um grande desafio.
Construtores, proprietários e fiscais de obras precisam ter consciência de que o direito de construir ou reformar possui limites estabelecidos pela legislação e pelo respeito ao próximo. Nenhuma obra deveria comprometer a segurança ou impedir o livre trânsito das pessoas.
Sabemos da importância das construções e reformas para o desenvolvimento do município. Porém, também é necessário pensar naqueles que precisam utilizar as calçadas diariamente para trabalhar, estudar, realizar compras ou simplesmente praticar atividades de lazer.
Caros leitores, a reflexão de hoje também serve como um alerta. Uma cidade verdadeiramente acolhedora é aquela que oferece segurança e acessibilidade para todos. Gostaria também de saber de onde vocês acompanham esta coluna. Deixem seus comentários nas minhas redes sociais ou nas redes do Jornal Noroeste de Nova Esperança.

