Decisões sobre nossa finitude

Nascemos, vivemos e morremos. Já pensaram nisso?
São situações sobre as quais muitas pessoas não gostam nem de pensar, imagine então conversar a respeito. Para evitar repetir constantemente a palavra “morte”, vamos utilizar aqui um sinônimo: a finitude da vida.
Grande parte de nós desejamos “ficar para sementinha”. Essa expressão popular demonstra justamente a dificuldade que temos em falar sobre o encerramento da existência física. Porém, tudo em nosso planeta possui um fim ou passa por transformações. E nós, como matéria orgânica composta em grande parte por água, também teremos esse momento inevitável de finitude.
Mesmo sabendo disso, evitamos o assunto. Preferimos mudar de conversa, brincar ou simplesmente fingir que esse momento está muito distante. Mas será que agir dessa forma realmente ajuda? Ou apenas adia decisões importantes que um dia precisarão ser tomadas?
Agora, convido vocês a refletirem sobre como estamos nos preparando para esse instante. Sei que alguns leitores começarão a ler estas linhas e talvez parem no meio do caminho, simplesmente porque não desejam pensar sobre o assunto. Porém, é justamente essa omissão que acaba gerando inúmeros problemas para os familiares que permanecem aqui na Terra.
No momento da partida para outro plano, como muitos acreditam: Céu, Plano Espiritual ou outras dimensões, aqueles que se vão frequentemente deixam questões difíceis para os que ficam resolverem. São inventários complicados, dívidas pendentes e até dúvidas sobre como será o desejo da pessoa em relação ao próprio funeral. Muitos familiares não sabem se o ente querido preferiria ser enterrado ou cremado, nem qual destino gostaria que fosse dado ao corpo ou os órgãos.
Neste momento, também me incluo nesta reflexão. Ainda não conversei profundamente com minhas filhas sobre esse assunto, embora já tenha iniciado a procura por um plano funeral. Percebi que organizar essas questões não significa desistir da vida, mas sim agir com responsabilidade e amor por aqueles que continuarão suas jornadas aqui.
Mais uma vez, algumas pessoas dirão que não querem nem pensar nisso. Porém, preparar-se para a finitude não significa atrair tristeza ou sofrimento. Pelo contrário. Significa tentar evitar ainda mais dor para aqueles que amamos. É uma maneira de deixar tudo minimamente organizado em um período já marcado pelas lágrimas, pela saudade e pela fragilidade emocional.
Sei bem como é enfrentar esses momentos. Já vivi a finitude da vida de meus pais e de minha esposa. Conversei ainda com amigos que enfrentaram a perda prematura de filhos. São experiências profundas, difíceis e transformadoras. Depois que passamos por situações assim, começamos a enxergar a vida de outra maneira.
Sabemos que conversar sobre isso com nossos familiares não é simples. Entretanto, quando conseguimos superar essa barreira, demonstramos maturidade emocional e até espiritual.
Existe uma frase bastante conhecida que diz: “Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, mas seres espirituais vivendo uma experiência humana.” Talvez seja justamente essa reflexão que nos ajude a compreender melhor a importância da vida e de sua finitude.
Deixo aqui um convite: após a leitura deste texto, reflita sobre como vocês poderão conversar com seus entes queridos sobre esse assunto. Esse diálogo pode ser enriquecedor e nos ajudar a crescer ainda mais como seres humanos.

