A impossibilidade de justificação por obras diante de Deus

Romanos 4.1-2: 1 Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? 2 Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus.
Caro(a) leitor(a), chegamos agora ao capítulo 4 de Romanos. Hoje, veremos apenas o que Paulo diz nos versos 1 e 2. Ainda tratando da justificação do pecador, Paulo agora volta seus olhos para o patriarca do judaísmo: Abraão.
No verso 1, Paulo escreve: “Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne?” (v. 1). Abraão era o grande patriarca de Israel e, portanto, uma figura central para os judeus. Se alguém pudesse ser considerado justificado com base em suas próprias obras, seria natural pensar que Abraão seria esse homem. A expressão “nosso pai segundo a carne” mostra que Paulo está dialogando especialmente com aqueles que se orgulhavam de sua identidade judaica, como uma vez ele mesmo fez. Portanto, Paulo, como judeu, escrevendo a leitores judeus, pergunta: o que se pode dizer de Abraão a respeito de sua salvação? Como ocorreu?
Paulo apresenta, no verso 2, uma hipótese: “Porque, se Abraão foi justificado por obras...”, ou seja, se Deus tivesse aceitou a Abraão por causa de seus próprios méritos (como muitos judeus pensavam) então, diz Paulo, “[...] tem de que se gloriar” (v.2). Em outras palavras, se a justificação de Abraão foi resultado das obras, ele poderia reivindicar algum mérito diante de Deus. Porém, é isso possível? Sim, mas não diante de Deus.
Ou seja, Paulo entende que essa vanglória só poderia ser possível diante dos homens, como os judeus, que não viam a profundidade do pecado e da malignidade do coração humano por trás de muitas obras religiosas, mas diante de Deus, que sonda e conhece o coração, a resposta é não. Por isso, Paulo concluí: “...tem de que se gloriar, porém não diante de Deus.” (v.2).
Diante de Deus, da Sua majestade, santidade, retidão e onisciência, nenhum pecador pode verdadeiramente se gloriar, pois é um pecador, um transgressor da lei. Só podemos crer que podemos nos gloriar, conforme Calvino “[...] quando fingimos ter algo nosso para o qual uma recompensa deveria ser devida no tribunal de Deus.” Mas isso só é fingimento. A realidade, é que ninguém pode se gloriar na presença de Deus. E, se nem mesmo Abraão tem esse direito, “[...] qual de nós pode reivindicar para si mesmo a menor partícula de mérito?”, pergunta Calvino.
A conclusão de Paulo à luz disso será desenvolvida nos versículos seguintes, que observaremos no próximo artigo. Desde já, podemos tirar a seguinte aplicação: a justificação diante de Deus nunca foi fundamentada no mérito das obras humanas, nem mesmo em Abraão, no Antigo Testamento. A justificação sempre foi pela graça, mediante a fé na promessa divina, seja do Cristo ou Descendente que viria, ou hoje, fé no Cristo e Descendente prometido que já veio e há de retornar.
Mesmo que diante dos homens possamos ser considerados justos, precisamos sair da dimensão do tribunal humano e elevarmos nosso coração ao tribunal divino e, diante do Santo Deus, refletir: “Sou capaz de ser aceito por Ti com base em meu desempenho?”, e a resposta sempre será: “Com base em seu desempenho jamais! Mas pela fé no desempenho de Cristo, sim. Creia no meu Filho Amado!”. Portanto, caro(a) leitor(a): creia em Cristo, e espere ser aceito diante de Deus apenas com base n’Ele!
Amém.
Fernando Razente
Diácono ordenado da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Paranavaí, Congregação de Nova Esperança, e seminarista do Seminário Presbiteriano do Sul – Extensão de Curitiba. Professor de Ciências Humanas, Filosofia e Ciência da Religião. Marido de Renata Minel
