Por que levamos mais choque no inverno? Professora da UNESPAR explica o fenômeno da eletricidade estática
Baixa umidade do ar, pele seca e o uso de roupas de determinados tecidos favorecem o acúmulo de cargas elétricas e aumentam a ocorrência de pequenos choques no dia a dia.
É comum que, durante o inverno, muitas pessoas levem pequenos choques ao tocar a maçaneta do carro, a porta de casa ou até mesmo outras pessoas. Embora o fenômeno possa causar desconforto, ele tem uma explicação científica baseada na Física.
A reportagem conversou com Shalimar Calegari Zanatta, Doutora em Física formada pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e professora do Programa de Pós-Graduação em Ensino (PPIFOR) da UNESPAR – Campus Paranavaí, que explicou por que esses choques se tornam mais frequentes nesta época do ano.
Segundo a professora, o fenômeno é explicado pela Eletrostática, ramo da Física que estuda o comportamento das cargas elétricas.
"Este efeito pode ser explicado pela Eletrostática. É a área da Física que explica como a carga elétrica, grandeza atribuída aos elétrons, se comporta. Todos os materiais são constituídos por átomos que se organizam em moléculas, que, a princípio, são eletricamente neutras", explica.
Ela destaca que os átomos possuem um núcleo com carga positiva e elétrons com carga negativa ao seu redor. Quando dois materiais diferentes entram em atrito, ocorre a transferência de elétrons entre eles.
"Quando atritamos dois materiais diferentes, como, por exemplo, a pele humana seca e uma blusa de lã ou algodão, a pele perde elétrons para a blusa. Esse fenômeno, associado ao ar seco, faz com que as cargas positivas se acumulem na pele humana, deixando-a eletrizada", afirma.
O papel da baixa umidade
Durante o inverno, a umidade relativa do ar costuma ser menor, deixando a pele mais ressecada. Esse fator dificulta a dissipação natural das cargas elétricas, favorecendo seu acúmulo.
De acordo com Shalimar, a chamada série triboelétrica mostra que alguns materiais têm maior tendência em ganhar ou perder elétrons durante o atrito.
"A pele humana seca perde elétrons principalmente para materiais como seda, lã e nylon. Esse acúmulo de cargas positivas na pele cria uma diferença de potencial elétrico, responsável pela corrente elétrica e, consequentemente, pelo choque", explica.
Assim, quando a pessoa toca em um objeto metálico ou em outro bom condutor de eletricidade, como a maçaneta de um carro ou de uma porta, ocorre uma rápida descarga elétrica.
"Os elétrons acumulados são descarregados e, enquanto esse fenômeno acontece, sentimos o choque", completa.
A água ajuda a evitar os choques
A especialista ressalta que a água exerce um papel importante na redução da eletricidade estática.
Por ser uma molécula polar, ela atrai os elétrons e dificulta seu acúmulo na superfície da pele. Por isso, em períodos de maior umidade ou quando a pele está hidratada, os choques tendem a ocorrer com menor frequência.
Além disso, manter a hidratação da pele e utilizar umidificadores de ambiente ou recipientes com água em locais fechados pode contribuir para reduzir o desconforto causado pela eletricidade estática.
Fenômeno é natural
Segundo a professora, os pequenos choques observados no inverno fazem parte de um processo físico natural e, na grande maioria das situações, não representam risco à saúde.
Em resumo, Shalimar destaca que a combinação entre baixa umidade do ar, pele seca e o uso de roupas que favorecem o atrito cria as condições ideais para o acúmulo de cargas elétricas e para a ocorrência das descargas eletrostáticas.
"O inverno, com baixa umidade, pele seca e uso de blusas, facilita o choque eletrostático devido ao fenômeno de descarga de elétrons da pele para um material condutor", conclui a pesquisadora.

