Derrotas, vitórias, derrotas

Eu tive a felicidade de vencer o Festival de Música e Poesia de Paranavaí (FEMUP) 7 vezes, mas a infelicidade de não o vencer 9 vezes. As vitórias as celebrei com euforia, e as derrotas senti um misto de insatisfação e de tristeza. Mas, nunca parei de escrever por causa das derrotas.
Eu concorri a outros concursos literários e logrei êxito em alguns e perdi em outros (a derrota sempre superou as vitórias). Ficar finalista no 2º Prêmio Candango de Literatura com o meu romance "A Casa" foi uma das maiores experiências literárias da minha vida; não venci o prêmio, mas o processo foi rico.
Eu já concorri, também, ao Prêmio Jabuti, em duas oportunidades: uma em Poesia e outra em Educação, no Jabuti Acadêmico. A primeira derrota me incomodou, mas não me machucou; porém, a segunda me incomodou e me machucou, porque eu sabia que o que eu havia escrito, o livro "O plano de aula e a prova didática", dialogava com os melhores teóricos da educação e com a melhor literatura possível, a exemplo de Goethe, Exupéry, Goethe e Hemingway. Além disso, o meu livro preencheu uma lacuna expressiva no Brasil: a maior parte dos concursos e testes seletivos para o magistério exigem um plano de aula e uma avaliação didática, porém, não há muitos trabalhos de fôlego sobre o assunto, sobretudo livros que funcionem como um manual. O meu livro é um manual no qual o seu laboratório foi testado ao longo de dez anos, com a aprovação de vários alunos e amigos em testes seletivos e concursos. O que a banca do concurso queria a mais? Não sou capaz de imaginar.
Pelo parágrafo anterior ficou patente o meu desconforto, mas, como a escrita é algo que pertence à minha natureza, seguirei escrevendo. Na verdade, quando me sento para escrever o único cenário que tenho em vista é o conteúdo que quero colocar no papel. Se no futuro vencerei mais prêmios literários só Deus que sabe, mas, Deus também sabe que a minha vontade é me isolar, à semelhança de um Salinger ou um Trevisan, ou, se isso não for possível, de ao menos fazer da minha escrita e da minha biblioteca a minha morada, a exemplo de um Sossélla.

