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Invocação do Mal 4: O Último Ritual


Por: Odailson Volpe de Abreu
Data: 04/09/2025
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Ah, o bom e velho terror! Sempre bem-vindo de tempos em tempos. Com o verão americano chegando ao fim, lançar um filme desse gênero costuma ser uma boa pedida, já que é quase garantia de salas lotadas. E se a produção tiver grande apelo comercial e carregar o peso de uma franquia já consolidada no cinema, melhor ainda! É justamente esse o caso do grande lançamento da semana: o aguardado Invocação do Mal 4: O Último Ritual. Sua estreia, distante dos grandes blockbusters da temporada, e a promessa de ser o capítulo final de uma saga tão querida o colocam como forte candidato a sucesso de bilheteria em 2025. Na edição desta semana, a Coluna Sétima Arte destaca tudo o que você precisa saber antes de ir ao cinema conferir o novo capítulo de Invocação do Mal.

Desde 2013, quando James Wan nos apresentou ao casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren em Invocação do Mal, a franquia conquistou um espaço de respeito no cinema de terror contemporâneo. Misturando casos reais, atmosfera pesada e sustos bem orquestrados, a saga criou um universo compartilhado que incluiu derivados como Annabelle e A Freira, consolidando-se como referência de horror sobrenatural para uma nova geração de espectadores. Agora, com Invocação do Mal 4: O Último Ritual, chega o momento da despedida oficial desse casal icônico. Porém fica no ar aquela dúvida, será que vai ser uma despedida mesmo ou será que dentro de pouco tempo os estúdios vão resolver ressuscitar a franquia? Isso só o tempo dirá.

Dirigido novamente por Michael Chaves, que já havia comandado Invocação do Mal 3 e A Maldição da Chorona, o filme encara o suposto desafio de encerrar uma das mais bem-sucedidas franquias de terror da última década. O resultado, como não poderia deixar de ser, é uma mistura de altos e baixos: momentos inspirados que lembram a força do filme original de 2013, mas também repetições e tropeços que diminuem o impacto de um “último ritual” que deveria soar grandioso.

 A trama se apoia no famoso Caso Smurl, uma família dos anos 1980 que alegava ter sido vítima de assombrações constantes em sua casa. A história ganha contornos ainda mais pessoais para os Warren porque, paralelamente, o filme dá destaque à filha do casal, Judy, interpretada por Mia Tomlinson, agora adulta e prestes a se casar com Tony Spera, papel de Ben Hardy. Assim como a mãe, Judy herdou dons mediúnicos, tanto que a narrativa sugere, sem sutilezas, que ela pode ser a sucessora natural dos pais no enfrentamento ao sobrenatural.

Esse foco duplo — que apresenta de um lado, os Smurl e seu espelho amaldiçoado; de outro, o drama familiar dos Warren —, é tanto o que dá fôlego à trama quanto o que, paradoxalmente, a enfraquece. Se por um lado é interessante ver Judy ganhar relevância e se preparar para um possível futuro dentro da franquia, por outro, o roteiro se perde devido aos longos jantares de família, conversas sobre casamento e discussões sobre saúde de Ed quebram o ritmo daquilo que o público mais espera, no caso, o terror.

Michael Chaves nunca escondeu a sombra de James Wan sobre sua carreira. Em Invocação do Mal 4: O Último Ritual, nota-se um esforço em manter viva a estética clássica da franquia, com jump scares atmosféricos, planos-sequência elaborados e uma fotografia claustrofóbica que intensifica a sensação de aprisionamento. Há, de fato, passagens de tirar o fôlego: a cena do corredor de espelhos envolvendo Judy é provavelmente uma das melhores da franquia desde os tempos de Wan, e a presença de novos objetos amaldiçoados garante bons arrepios.

No entanto, Chaves não é Wan! E isso fica claro quando público percebe que a mão do diretor ainda é irregular. O filme demora para engrenar e só encontra sua identidade de terror nos 30 minutos finais, quando finalmente a ameaça demoníaca se torna palpável e os Warren deixam a aposentadoria para uma última investigação. Até lá, a narrativa parece mais preocupada em emocionar com o cotidiano da família do que em assustar. É uma escolha compreensível para um capítulo final, mas que pode frustrar quem procura tensão constante. Um dos dilemas de Invocação do Mal 4: O Último Ritual é equilibrar homenagem e inovação. A estrutura segue a mesma fórmula dos anteriores: uma família feliz é atormentada por uma presença maligna, os Warren são chamados, enfrentam resistência da Igreja e, no clímax, realizam o confronto derradeiro. O problema é que, após tantos filmes, essa fórmula já não tem o mesmo frescor, parece repetitivo, já que acompanhamos algo parecido em cada capítulo da franquia.

Ainda assim, há méritos. O roteiro se esforça para amarrar pontas soltas e, sobretudo, para oferecer um adeus digno a Ed e Lorraine. É bonito perceber como a química entre Patrick Wilson e Vera Farmiga continua intacta: mesmo quando o texto se alonga em dramas familiares, a dupla transmite carisma, cumplicidade e emoção suficientes para manter nossa atenção. Em última instância, o peso emocional da despedida está muito mais na entrega dos atores do que nas soluções narrativas.

Apesar das falhas, há algo de tocante em perceber como Invocação do Mal 4 funciona também como uma celebração do próprio gênero. O filme está cheio de referências visuais e sonoras que remetem aos capítulos anteriores e a clássicos do horror. A trilha de Benjamin Wallfisch reforça a atmosfera de tensão, e a fotografia de Eli Born cria quadros que parecem verdadeiros pesadelos pintados em tela. Mesmo quando não assusta tanto quanto poderia, o longa é consciente de sua herança e tenta honrá-la.

Por que ver esse filme? Invocação do Mal 4: O Último Ritual dificilmente será lembrado como o ápice da franquia. Falta a originalidade e a intensidade do primeiro filme, assim como a ameaça memorável de Valak no segundo. Mas, apesar dos deslizes e da demora em assumir sua vocação de terror, há qualidades que merecem destaque, dentre elas, algumas cenas inventivas, o clima de despedida que emociona, e, sobretudo, a presença magnética de Wilson e Farmiga, que seguram a trama até o fim.

Talvez seja justo dizer que não é um encerramento perfeito, mas sim um “último abraço” em personagens que aprendemos a admirar. O adeus aos Warren poderia ter sido mais ousado, mais impactante, mas ainda assim deixa uma sensação de gratidão. Gratidão por uma década de sustos bem dados, de corredores escuros e de palmas no porão que ainda ecoam em nossa memória.

Se esse foi, de fato, o último ritual, ele não foi o mais aterrorizante, mas certamente foi o mais humano. Boa sessão!

Odailson Volpe de Abreu


Anuncie com Jornal Noroeste
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