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Fibromialgia: por que a dor existe mesmo quando os exames dão normais?


Por: Assessoria de Imprensa
Data: 25/09/2026
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Dor generalizada, cansaço, sono que não descansa e dificuldade de concentração estão entre os principais sintomas da doença, que afeta até 3% da população brasileira

Dr. Marcelo Kaminski, clínico geral e reumatologista. (Foto: Divulgação)

A pessoa sente dor no corpo inteiro, está constantemente cansada, dorme, mas acorda como se não tivesse descansado. Também pode apresentar dificuldade de concentração e memória. Procura o médico, faz exames de sangue e de imagem e, muitas vezes, os resultados estão normais. Isso não significa que não exista uma doença. Esse é um dos principais desafios da fibromialgia, condição que afeta entre 2,5% e 3% da população brasileira, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Para o médico reumatologista Marcelo Kaminski, a explicação está na forma como o organismo processa a dor. “A fibromialgia é uma doença em que existe uma disfunção na modulação da dor, uma hipersensibilidade dolorosa. Hoje, o mecanismo é conhecido como sensibilização central”, explica.

Em termos simples, o sistema nervoso passa a interpretar como dolorosos estímulos que normalmente não provocariam uma resposta tão intensa. É como um alarme de carro que deveria disparar diante de uma tentativa de roubo, mas passa a ser acionado até mesmo por um vento ou uma pequena batida.

Fibromialgia não é “coisa da cabeça”

A ausência de alterações em exames pode gerar frustração e até fazer com que o paciente duvide dos próprios sintomas. Mas a fibromialgia não é uma doença imaginária e também não é uma doença autoimune. O problema está relacionado à modulação e ao processamento da dor pelo sistema nervoso.

Além da dor generalizada, o quadro pode envolver fadiga intensa, alterações do sono e sintomas cognitivos, como dificuldade de memória, concentração e raciocínio. Ansiedade e depressão também podem estar associadas à doença e influenciar a percepção da dor.

“O paciente pode dormir a noite toda e acordar como se não tivesse descansado. Isso acontece porque não basta ter muitas horas de sono; é preciso ter um sono reparador. A fadiga, os distúrbios do sono e os sintomas cognitivos fazem parte desse conjunto”, explica Kaminski.

Como é feito o diagnóstico da fibromialgia?

Não existe atualmente um exame de sangue ou de imagem capaz de confirmar sozinho a fibromialgia. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história do paciente e no exame físico.

A dor precisa ser persistente e generalizada, geralmente por pelo menos três meses. O médico também avalia a presença de fadiga, alterações do sono e sintomas cognitivos. Exames laboratoriais ou de imagem podem ser solicitados para investigar ou excluir outras doenças que apresentam sintomas semelhantes.

“Diante de um paciente com dor difusa, é preciso examiná-lo e verificar se existem sinais que indiquem outra doença. Na fibromialgia, os exames são normais. Mas o exame físico aponta os gatilhos de dor”, afirma o reumatologista.

Essa avaliação é importante porque dores generalizadas podem ter diferentes causas. Doenças reumatológicas, neuropatias e até efeitos de determinados medicamentos podem produzir sintomas semelhantes e precisam ser investigados.

Tratamento combina atividade física e acompanhamento médico

A fibromialgia tem tratamento e pode ser controlada, embora não seja adequado falar em cura. A atividade física é uma das principais estratégias, mas justamente essa recomendação pode ser difícil para quem sente dor.

“A pedra fundamental do tratamento da fibromialgia é a atividade física. Muitas vezes é difícil porque o paciente sente dor, então ele precisa vencer essa primeira fase, fazendo exercício junto com o tratamento médico, e a melhora acontece progressivamente”, explica Kaminski.

O tratamento pode incluir medicamentos que atuam na modulação da dor, além de medidas para melhorar o sono e outros sintomas associados. As diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Reumatologia reforçam a importância de abordagens não medicamentosas, como exercícios físicos, educação do paciente, terapias psicológicas e acompanhamento interdisciplinar.

A automedicação, especialmente com anti-inflamatórios e analgésicos, não é recomendada. “A pessoa fica com dor e começa a tomar anti-inflamatório, que pode fazer mal para o rim se usado por muito tempo. O acompanhamento médico é fundamental”, alerta o especialista.

Em janeiro de 2026, também entrou em vigor a Lei 15.176/2025, que prevê a possibilidade de reconhecimento da fibromialgia como deficiência após avaliação biopsicossocial por equipe multiprofissional e interdisciplinar. A legislação também estabelece diretrizes para o atendimento dessas pessoas pelo SUS.

Movimento sem dor

O Dr. Marcelo Kaminski é médico reumatologista com atuação em Curitiba. Trabalha no diagnóstico e tratamento de doenças que afetam articulações, músculos, tendões e o sistema imunológico, como fibromialgia, artrites, doenças autoimunes e condições osteometabólicas. Sua prática clínica é voltada ao manejo da dor crônica e à melhora da funcionalidade dos pacientes.


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