Doação de órgãos: mitos e dúvidas ainda podem dificultar decisão das famílias
Quem pode doar? Existe limite de idade? Como é confirmada a morte encefálica? Enfermeira esclarece dúvidas sobre um processo capaz de transformar a vida de pessoas que aguardam por um transplante
Apesar dos avanços registrados no Brasil em relação a doação de órgãos, dúvidas e informações equivocadas ainda cercam o assunto.
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A doação de órgãos representa para milhares de pacientes a possibilidade de receber um tratamento que pode salvar ou melhorar significativamente suas vidas. Apesar dos avanços registrados no Brasil, dúvidas e informações equivocadas ainda cercam o assunto e podem tornar ainda mais difícil uma decisão que, muitas vezes, precisa ser tomada pela família em um momento de perda.
Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do sistema brasileiro. Em 2025, foram realizados 9.938 transplantes de órgãos sólidos no País, enquanto a taxa de doadores efetivos chegou a 20,2 por milhão de população. O Brasil conta com o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), responsável pela organização e pelo monitoramento do processo.
Para a enfermeira e professora da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Leocádia Brufati Fagundes, falar sobre o assunto antes que uma família enfrente uma situação de possível doação é uma das formas de reduzir inseguranças e tornar a decisão mais consciente.
“A doação de órgãos ainda é cercada por dúvidas, muitas delas relacionadas ao desconhecimento sobre como o processo acontece. Quanto mais informação correta estiver disponível para a população, maiores são as condições para que as pessoas conversem sobre o tema e manifestem sua vontade aos familiares. Esse diálogo é fundamental porque, no Brasil, é a família quem autoriza a doação após a morte”, explica Leocádia.
Mitos e verdades sobre a doação de órgãos
“Existe uma idade máxima para ser doador.” — MITO
A idade, isoladamente, não determina se alguém poderá ou não ser doador. O Ministério da Saúde esclarece que o principal fator é o estado de saúde e a condição dos órgãos e tecidos. Cada potencial doador passa por avaliação da equipe de saúde.
“É comum ouvirmos alguém dizer que já tem idade demais para ser doador. Essa decisão não deve ser tomada antecipadamente pela própria pessoa ou pela família. Existe uma avaliação técnica para verificar quais órgãos ou tecidos estão em condições de serem doados. O mais importante é manifestar o desejo de doar”, orienta Leocádia.
“Se eu disser que quero ser doador, meus órgãos serão automaticamente doados.” — MITO
No Brasil, a retirada de órgãos e tecidos após a morte depende da autorização da família, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora. Por isso, mais importante do que registrar à vontade em documentos é conversar com as pessoas próximas e deixar clara a decisão de ser doador.
“A morte encefálica pode ser revertida.” — MITO
Morte encefálica significa a perda completa e irreversível das funções do encéfalo e caracteriza legalmente a morte da pessoa. Sua constatação segue critérios médicos rigorosos e um protocolo estabelecido nacionalmente.
“A morte encefálica é um dos pontos que mais precisam ser explicados com clareza. A presença de batimentos cardíacos e dos aparelhos pode transmitir à família a impressão de que a pessoa ainda poderá se recuperar. Mas a morte encefálica é irreversível e seu diagnóstico segue critérios específicos e padronizados. A doação somente é discutida depois dessa confirmação”, ressalta Leocádia, professora dos cursos de Enfermagem e Medicina da Afya de Pato Branco.
“A equipe médica pode deixar de tentar salvar um paciente porque ele é doador.” — MITO
O atendimento ao paciente e a tentativa de preservar sua vida vêm antes de qualquer possibilidade de doação. Somente depois da constatação da morte, seguindo os protocolos médicos e legais, é que o processo de doação pode ocorrer.
“Uma única pessoa pode doar diferentes órgãos e tecidos.” — VERDADE
Um potencial doador falecido após morte encefálica pode, dependendo da avaliação médica, doar coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino e rins, além de tecidos como córneas, vasos, pele, ossos e tendões.
“Já nos casos de morte por parada cardiorrespiratória, pode haver possibilidade de doação de tecidos, conforme os critérios estabelecidos para cada situação", acrescenta a enfermeira e docente da Afya, professora Leocádia.
“É possível doar órgãos em vida.” — VERDADE
Algumas doações podem ser realizadas por pessoas vivas. Entre as possibilidades estão um dos rins, parte do fígado e parte do pulmão, além da medula óssea. Cada modalidade possui critérios próprios e exige avaliação médica para preservar a segurança do doador e do receptor.
Conversar com a família pode fazer diferença
Mais do que decorar regras sobre o processo, a principal orientação para quem deseja ser doador é simples: conversar sobre essa decisão. No Brasil, não é necessário registrar em cartório a intenção de doar órgãos após a morte. Como a autorização cabe aos familiares, comunicar previamente esse desejo pode ajudá-los a tomar a decisão em um momento emocionalmente difícil.
“A doação começa com informação e diálogo. Muitas vezes evitamos conversar sobre o assunto porque ele envolve a morte, mas manifestar esse desejo em vida pode trazer segurança para a família. Quando todos conhecem a vontade daquela pessoa, existe uma referência para uma decisão que pode representar uma nova oportunidade de vida para quem está aguardando um transplante”, finaliza a professora Leocádia Brufati Fagundes, da Afya Centro Universitário de Pato Branco.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.768 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar.

