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Protocolo inovador para diagnóstico de câncer em vias biliares é adotado no CHC-UFPR


Por: Assessoria de Imprensa
Data: 08/05/2026
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Técnica utiliza marcadores genéticos fluorescentes para identificar o câncer de forma muito mais precisa que os métodos comuns

 

O diagnóstico precoce garante que o tratamento da doença seja iniciado enquanto as chances de cura são altas
Foto: Divulgação

Uma iniciativa do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), vinculado à Rede HU Brasil, está levando tecnologia de ponta para o atendimento público via Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) do Ministério da Saúde. O projeto realizado no CHC-UFPR utiliza marcadores genéticos fluorescentes para identificar o câncer de forma muito mais precisa que os métodos comuns. Trata-se de um protocolo inovador para diagnóstico da doença em vias biliares, que deve se tornar o padrão ouro no tratamento dos pacientes. O foco é o diagnóstico precoce, garantindo que o tratamento seja iniciado enquanto as chances de cura são altas.

O principal objetivo do projeto é aumentar a precisão do diagnóstico de tumores no pâncreas e nas vias biliares, conhecidos por serem difíceis de identificar. De acordo com o médico Eduardo Aimoré Bonin, que lidera o projeto no CHC-UFPR, hoje, muitos exames tradicionais são inconclusivos, gerando angústia e atrasos no tratamento.

No CHC, o projeto funciona no Serviço de Endoscopia, Patologia e Citogenética do Hospital de Clínicas. Durante os exames endoscópicos de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) — uma espécie de endoscopia avançada — e ecoendoscopia, o médico coleta amostras de células e tecidos tumorais. “O diferencial é que essas células são enviadas para um laboratório de genética para uma análise ultra detalhada, buscando ‘pistas’ que o microscópio comum não consegue ver”, explica o médico Eduardo Bonin.

Protocolo inovador de diagnóstico

De acordo com o médico, o protocolo inovador combina a coleta de células por endoscopia com uma técnica de genética molecular chamada Hibridização In Situ por Fluorescência (FISH). Este método já está estabelecido e é padrão-ouro para o diagnóstico de colangiocarcinoma (tumor de vias biliares) mundialmente, porém raríssimo, ou mesmo inexistente, no Brasil.
Como funciona na prática? Eduardo Bonin explica: “Imagine que as células do tumor são como criminosos tentando se esconder. Em um exame comum, o médico tenta identificá-los apenas pela aparência. Com o novo protocolo, utilizamos marcadores coloridos e brilhantes (fluorescentes) que se ligam diretamente aos erros no DNA dessas células. Se a célula ‘brilhar’ sob o microscópio especial de uma certa maneira, temos a confirmação genética do câncer, mesmo que a aparência da célula ainda seja normal”.

Vantagens do método

Segundo Bonin, a grande vantagem desse método é a segurança na decisão médica, resultando em redução de cirurgias desnecessárias, já que algumas doenças inflamatórias “imitam” o câncer nos exames de imagem. “O protocolo adotado ajuda a diferenciar o que é tumor do que é apenas uma inflamação, evitando que pacientes passem por cirurgias de grande porte sem necessidade”, disse.
Outras vantagens são: a segurança diagnóstica, pois, conforme Bonin, um diagnóstico preciso permite que sejam realizados tratamentos oncológicos (quimioterapia); e a melhoria do atendimento no SUS. “Por ser um projeto vinculado ao Pronon, traz tecnologia de ponta para o sistema público, padronizando um exame que antes era raríssimo ou inexistente em muitos centros”, afirmou o médico.

História do Desenvolvimento

O desenvolvimento do projeto nasceu da necessidade acadêmica e clínica da UFPR e do CHC. Conforme Bonin, os pesquisadores notaram que a taxa de acerto nas biópsias tradicionais de vias biliares era baixa, muitas vezes, menor que 50%. A partir dessa lacuna, o projeto foi estruturado para ser financiado pelo Pronon, permitindo a compra de equipamentos modernos e a integração entre as equipes de endoscopia digestiva, patologia e genética molecular para criar um biobanco de amostras para pesquisas futuras.

Parcerias e colaboradores

O projeto é uma iniciativa que envolve o CHC-UFPR como instituição executora, a UFPR (instituição de ensino), e apoio do governo federal por meio do Ministério da Saúde via Pronon, possibilitando que empresas e pessoas físicas destinem recursos para projetos oncológicos. Além de uma equipe multidisciplinar sob a liderança do médico Eduardo Bonin, especialistas em genética e patologia também colaboram com o projeto, unindo medicina prática e ciência laboratorial.


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