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NoroCast coloca a violência contra a pessoa idosa no centro do debate


Por: Alex Fernandes França
Data: 08/09/2026
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Ludmila Reis participa do episódio desta terça-feira (08) e alerta para uma realidade que pode estar mais perto do que se imagina: violência, negligência, golpes e diferentes formas de abuso contra idosos

Ludmila Isabel Oliveira dos Reis durante a gravação do NoroCast, em uma conversa sobre prevenção e enfrentamento à violência contra a pessoa idosa, dentro da campanha “Quebrando o Silêncio”
Foto: Alex Fernandes França

A violência contra a pessoa idosa nem sempre acontece diante dos olhos de quem está por perto. Muitas vezes, ela se esconde atrás de portas fechadas, dentro de relações familiares, em instituições, nas relações de dependência e, cada vez mais, também no ambiente virtual. Pode não deixar marcas aparentes, mas comprometer a autonomia, a segurança, a autoestima e a própria dignidade de quem deveria estar recebendo cuidado e proteção.

É para colocar essa realidade em discussão que o NoroCast – o podcast do Jornal Noroeste dedica o episódio desta terça-feira (8) ao tema da violência contra a pessoa idosa. O programa recebe Ludmila Isabel Oliveira dos Reis, em uma conversa que busca informar, conscientizar e, sobretudo, estimular a sociedade a reconhecer sinais que muitas vezes passam despercebidos.

O episódio vai ao ar às 19 horas, pelo canal do Jornal Noroeste no YouTube, com apresentação dos diretores Alex Fernandes França e José Antonio Costa.

A entrevista está inserida no contexto da campanha “Quebrando o Silêncio”, programa educativo de prevenção promovido anualmente pela Igreja Adventista do Sétimo Dia desde 2002. A iniciativa trabalha, a cada ano, diferentes situações de abuso e violência e, em 2026, chama a atenção para a vulnerabilidade da população idosa por meio do tema “Idosos em Risco – A violência que atinge quem mais precisa de cuidado”.

Quando o abuso não deixa marcas visíveis

Um dos desafios apresentados durante a conversa é justamente perceber que violência não significa apenas agressão física.

Violência psicológica, negligência, abandono, abuso financeiro e patrimonial, fraudes, violência institucional e abuso sexual estão entre as situações que podem atingir pessoas idosas. Em muitos casos, entretanto, a vítima pode permanecer em silêncio por medo, vergonha, dependência emocional ou financeira, receio de romper vínculos familiares ou até mesmo por não reconhecer que determinada situação constitui uma forma de violência. Por isso, identificar mudanças de comportamento pode ser fundamental.

Isolamento, medo, tristeza, perda repentina de autonomia, alterações na rotina, insegurança para conversar na presença de determinadas pessoas ou dificuldade para explicar movimentações financeiras são alguns dos sinais que podem merecer atenção.

A entrevista também chama atenção para um problema que ganhou novas dimensões nos últimos anos: os golpes virtuais e financeiros contra idosos. Com a ampliação do uso de celulares, aplicativos bancários e redes sociais, criminosos encontram novas formas de explorar a confiança e a vulnerabilidade das vítimas.

A violência que também pode estar dentro de casa

Outro ponto importante da conversa é a reflexão sobre a negligência. Cuidar de uma pessoa idosa envolve mais do que garantir alimentação e moradia. A proteção passa pelo respeito às necessidades físicas e emocionais, pela preservação da autonomia, pelo acompanhamento adequado e pelo reconhecimento de que envelhecer não significa perder o direito de decidir sobre a própria vida.

A negligência, portanto, também pode ocorrer dentro do ambiente familiar e pode assumir diferentes formas.

O programa discute ainda os fatores que aumentam a vulnerabilidade dos idosos e aborda uma questão que nem sempre recebe a devida atenção: o cuidador também pode estar em situação de sobrecarga e vulnerabilidade. Compreender essa realidade é importante para que a prevenção não seja reduzida à responsabilização individual, mas envolva também orientação, apoio e uma rede de proteção.

Em um encontro marcado pelo diálogo e pela conscientização, Ludmila Isabel Oliveira dos Reis ao lado dos apresentadores Alex Fernandes França e José Antônio Costa, do Jornal Noroeste. A conversa trouxe para o debate a violência contra a pessoa idosa e a importância de fortalecer a prevenção, a proteção e o respeito àqueles que envelhecem
(Foto: Kaio Kauffman)

Por que tantos idosos não denunciam?

Se reconhecer a violência já é um desafio, romper o silêncio pode ser ainda mais difícil. A entrevista procura compreender por que tantas pessoas idosas deixam de denunciar situações de abuso e quais barreiras podem impedir que procurem ajuda. A dependência em relação ao agressor, o medo de ficar sozinho, a vergonha e a preocupação com a família estão entre os aspectos que ajudam a explicar por que determinadas situações permanecem ocultas durante longos períodos. Nesse contexto, informação assume papel fundamental.

Quanto maior a capacidade de familiares, amigos, vizinhos, cuidadores e da própria sociedade de reconhecer sinais de violência, maiores são as possibilidades de interromper situações de abuso e fortalecer a rede de proteção.

Uma trajetória entre educação, saúde e cuidado

A escolha de Ludmila Reis para participar dessa conversa também se relaciona à sua trajetória profissional e pessoal. Natural de Baixo Guandu, no Espírito Santo, Ludmila é formada em Fisioterapia pelo UNASP e em Ciências Biológicas pela Universidade Belas Artes. Possui pós-graduação em Fisioterapia Cardiorrespiratória e Metodologia em Biologia e atualmente cursa Formação Geral em Neurociências.

Sua experiência profissional reúne as áreas da saúde e da educação. Ela atuou como coordenadora de Fisioterapia na Clínica ABDIM e também como professora de Ciências e Biologia em instituições de ensino nos estados de Mato Grosso do Sul e Paraná.

Em 2024, durante a 10ª Assembleia Ordinária Quadrienal da Associação Norte-Paranaense, foi eleita líder dos Ministérios da Mulher e da Recepção, função que exerce no quadriênio 2025–2028.

A dimensão familiar também integra sua trajetória. Ludmila é casada desde 2004 com o pastor Wesley Almeida dos Reis, com quem tem três filhos: Isaac, Daniel e Samuel.

Do golpe virtual à “velhofobia”

Ao longo do episódio, a conversa percorre diferentes aspectos relacionados ao envelhecimento e à proteção da pessoa idosa.

Entre os assuntos estão o significado da campanha “Quebrando o Silêncio”, os principais tipos de violência, a identificação da violência psicológica, o abuso financeiro, os golpes mais comuns, a proteção contra fraudes virtuais, a negligência, os fatores de risco e as dificuldades enfrentadas por vítimas e cuidadores.

Um dos conceitos discutidos é a “velhofobia”, expressão utilizada para tratar do preconceito e da discriminação relacionados à idade.

Mais do que apresentar respostas prontas, o episódio propõe uma reflexão sobre a forma como a sociedade enxerga e trata aqueles que envelhecem.

Afinal, proteger a pessoa idosa não é apenas uma responsabilidade da família. É um compromisso coletivo com a dignidade humana.

Uma conversa para romper o silêncio

Ao colocar o tema no centro do debate, o NoroCast busca contribuir para que situações de violência não sejam naturalizadas ou ignoradas. A proposta é estimular a atenção, o diálogo e a busca por informação para que idosos tenham seus direitos, sua autonomia e sua dignidade respeitados.

A mensagem que atravessa a entrevista é simples, mas necessária: silêncio não pode significar consentimento, e envelhecer jamais deve significar perder o direito ao respeito e à proteção.

O novo episódio do NoroCast – o podcast do Jornal Noroeste vai ao ar nesta terça-feira (1º), às 19 horas, pelo canal do Jornal Noroeste no YouTube.

Uma conversa necessária sobre um problema que precisa ser visto, reconhecido e enfrentado.


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