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Sentir dor


Por: Jorge Antonio Salem
Data: 29/04/2026
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O que pode ser pior do que sentir dor? Essa é uma pergunta simples, mas que carrega um peso enorme. Afinal, quem nunca sentiu dor em algum momento da vida? Talvez, ao ler isso, você se lembre daquele martelo que escapou e atingiu o dedo que segurava o prego, ou daquela queda de bicicleta que deixou o braço completamente ralado. São experiências comuns, mas que ficam marcadas não apenas no corpo, como também na memória.

A dor, mesmo quando passageira, nos ensina algo. Se já sentiram algum tipo de dor, seja leve ou intensa, fica aqui um questionamento: qual é o seu nível de tolerância? Quanto de dor você consegue suportar sem reclamar? Ou melhor, quanto tempo aguenta antes de pedir ajuda? Essas perguntas mostram que a dor é algo profundamente individual. Cada pessoa reage de uma forma, sente de uma maneira, interpreta com sua própria sensibilidade.

De modo geral, a dor é um sinal de alerta. É o corpo avisando que algo não está bem. Podemos sentir dores que vão da cabeça até a ponta dos pés. E, curiosamente, nem sempre a dor aparece exatamente onde está o problema. Existem as chamadas dores reflexas, como quando um nervo comprimido na coluna provoca dor na perna. Há também a conhecida dor fantasma, que ocorre quando uma pessoa perde um membro, mas continua sentindo como se ele ainda estivesse presente.

Mas a dor não se limita ao físico. Ela também pode ser emocional. Aliás, muitas vezes, essa dor é ainda mais difícil de lidar, pois não pode ser vista ou medida. Quando perdemos alguém querido, por exemplo, sentimos uma dor profunda, silenciosa, que parece ocupar todo o nosso ser. Com o tempo, muitos dizem que essa dor se transforma em saudade. Mas cabe aqui uma reflexão sincera: quem disse que a saudade não dói? Ela pode ser mais suave, talvez mais serena, mas ainda assim é uma forma de dor.

Neste momento, porém, quero focar na dor física, aquela que vemos, ouvimos e, de certa forma, acompanhamos mais de perto. Escrevo este texto enquanto acompanho meu irmão em um hospital. Inicialmente, ele passaria por uma cirurgia, mas, por motivos médicos, o procedimento precisou ser interrompido. Agora, segue em um novo tratamento, que exige paciência, cuidado e esperança.

É impossível não se sensibilizar. Vejo em seu semblante o sofrimento, percebo em suas palavras o desconforto, e isso nos afeta profundamente. Surge então um sentimento difícil de descrever: a impotência. Queremos ajudar, aliviar, fazer algo que mude aquela realidade naquele instante, mas nem sempre isso é possível. Muitas vezes, o que nos resta é estar presente, oferecer apoio e aguardar.

Recorremos à equipe de enfermagem, pedimos medicação, buscamos alternativas. Porém, sabemos que existem protocolos a serem seguidos. Cada profissional tem sua responsabilidade, seus limites e suas obrigações. Eles também enfrentam suas próprias rotinas e carregam o compromisso com suas famílias e sua profissão. Ainda assim, para quem está do lado de cá, esperando e vendo alguém sofrer, tudo parece lento demais.

Diante disso, surge outra reflexão: será que todos sentimos dor da mesma forma? Provavelmente não. Existem pessoas com maior resistência, enquanto outras possuem uma sensibilidade mais aguçada. Isso nos ensina algo importante: nunca devemos julgar a dor do outro. Aquilo que pode parecer pequeno para alguns, pode ser imenso para quem está sentindo.

Os dias passam, e seguimos aguardando sinais de melhora. Existe uma linha invisível entre a doença e a cura, e nem sempre conseguimos enxergá-la com clareza. É um processo que exige fé, paciência e, muitas vezes, resiliência.

Talvez os mais jovens acreditem que situações como essa estão distantes de suas realidades. No entanto, a vida, em seu curso natural, apresenta esses desafios a todos nós. Mais cedo ou mais tarde, cada um enfrentará momentos em que a dor, seja física ou emocional, estará presente.

Hoje é a minha família que passa por isso. Amanhã pode ser qualquer outra. Ainda assim, mantenho a esperança de que tudo isso será passageiro.

Fica aqui uma reflexão final: valorizem os momentos de saúde, a presença das pessoas queridas e a tranquilidade dos dias comuns. Porque, muitas vezes, só reconhecemos o verdadeiro valor dessas coisas quando a dor bate à nossa porta.

Convido todos a comentar esse artigo em minhas redes sociais e nas do Jornal Noroeste de Nova Esperança.

Jorge Antonio Salem

vida cotidiana


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