O Olhar e a Exibição

Caríssimos e Caríssimas leitores e leitoras. Estamos iniciando um ano com turbulências e incertezas. Neste ambiente já tenso, somos expostos a muitas imagens e as olhamos muitas vezes como uma necessidade. Penso que se pode perceber este fato nas redes sociais, olhamos os acontecimentos, a vida alheia e outros. Muitas vezes não nos damos conta de que ao olharmos, também estamos nos exibindo. Nos deixando ver. Há uma certa invasão de privacidade nas redes sociais de modo consentido por nós. Temos uma exibição digital que se materializa.
Penso que o grande exemplo que podemos trabalhar nesta reflexão é o BBB. Neste programa, já tradicional na televisão, os corpos e as palavras são exibidos, colocando os participantes enquanto personagens de diferentes histórias. São exibidos e olhados por uma imensa massa de telespectadores que em sua maioria sente um poder sobre aqueles corpos exibidos e olhados. A sensação de controlar os corpos exibidos como peças de xadrez, eliminado os indivíduos deste digamos assim jogo. Interessante destacar que tanto as redes sociais quanto os meios televisivos, segundo o filósofo Byung-Chul Han1, exploram a pulsão humana pelo jogo. Incorpora-se elementos aparentemente lúdicos para causar o vício dos que observam os exibidos. Observemos que quanto mais conflitos e exibições de força entre os participantes exibidos, mais intenso se tornam os olhares. Alguns participantes de BBBs anteriores, galgaram alguma fama, devido a preferência dos observadores. Outro BBB se aproxima. Mais um espetáculo para ser espiado, exibido e consumido.
Byung-Chul Han1
Psicopolítica. O neoliberalismo e novas
Técnicas de poder

