Tempos de Necrodemocracia

Caríssimos e Caríssimas leitores(as). Penso que o tema para mais esta nova reflexão, se apresenta atualíssimo: a necrodemocracia. Mas o que significa este termo? O termo necro vem da ideia de morte; Democracia tem origem na tradicional noção de demos. A morte da democracia. Morte que acontece do interior da estrutura democrática para seu exterior. Um dos fatos presentes nessa morte é o esquecimento da política verdadeira. Como assim? Citando a filósofa Hannah Arendt1: “Os homens participam da esfera pública, agindo e debatendo em conjunto. De forma direta e criando a liberdade da ação política” significa dizer, que não há uma ação política direta e voluntária por parte dos cidadãos. Limitam-se assim, a votar e deixar todas as decisões, nas mãos dos representantes eleitos. Poderes delegados pelo povo aos políticos, que não retornam aos eleitores e por muitas vezes, por ausência ou omissão dos cidadãos corrompem a estrutura com um alto índice de corrupção e proveito próprio.
Necrodemocracia que cada vez menos não respeita os direitos das minorias, da pluralidade e da diversidade. Muito ao contrário, grupos que detém um peso político respeitável, manipulam e regulam práticas de discriminação e racismo, com a anuência de políticos ou partidos, apoiados por estes grupos.
Observamos também como as democracias que começam a morrer, são cada vez mais governadas por indivíduos com posições autoritárias. Absolutistas. Que falam em nome da liberdade, mas não a respeitam. Ressaltam a importância dos direitos humanos, mas os desrespeitam abertamente. Reprimem ações populares contra seu governo. Sendo inclusive comparados a líderes de caráter totalitário. Eu termino, advertindo que esta reflexão, não é pessimista. A construo na situação de descrever uma realidade muito presente. Contudo, enquanto a democracia que nós desejamos, ainda estiver respirando, então haverá esperança.
Arendt, H1. A Condição Humana, 1999.

