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Five Nights at Freddy’s 2


Por: Odailson Volpe de Abreu
Data: 11/12/2025
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Semana incrível para o cinema brasileiro! Pelo segundo ano consecutivo, uma produção nacional ganha os holofotes do mundo. Depois da vitoriosa temporada de Ainda Estou Aqui, que ao longo de 2025 conquistou os principais prêmios a que concorreu (incluindo o Globo de Ouro e o Oscar), agora é a vez do longa de Kleber Mendonça Filho. Na última segunda-feira, o filme foi indicado a três categorias do Globo de Ouro, um feito inédito para o Brasil. Para nós, renasce uma ponta de esperança. A premiação do Globo de Ouro acontece em 11 de janeiro e um resultado positivo para O Agente Secreto pode abrir caminho para uma possível indicação ao Oscar no dia 22 do mesmo mês. Por ora, resta torcer e ir ao cinema assistir O Agente Secreto, caso ainda não tenha visto, pois ele continua em cartaz. Porém, se você já conferiu o grande concorrente brasileiro no Globo de Ouro 2026, também pode aproveitar para ver a continuação de um dos filmes de terror mais comentados de 2023. Sobre Five Nights at Freddys 2, a Coluna Sétima Arte destaca alguns pontos importantes esta semana.

Há pouco mais de dois anos, o lançamento de Five Nights at Freddys foi um sucesso. A ideia de levar para o cinema a adaptação da superpopular série de videogames deu muito certo, isso porque o filme caiu no gosto do público e se firmou como uma das obras mais rentáveis daquele ano. Agora, a continuação desse primeiro capítulo chegou às telonas e, mais uma vez, chegou causando. Isso porque a crítica tem batido bastante na obra. Porém, em contrapartida, o público tem lotado salas de cinema no mundo todo, fazendo de Five Nights at Freddys 2 uma das principais bilheterias de terror do ano. Essa não é a primeira vez que testemunhamos uma discrepância tão grande entre crítica e público, o que, mais uma vez, desperta aquela pergunta básica: até que ponto a crítica especializada ainda influencia o gosto e a preferência do público quando o assunto é entretenimento? É uma questão que faz pensar, mas que, pelo menos por enquanto, permanece no mundo das ideias. Vamos ao que interessa! Será que vale mesmo a pena ver o filme?

Existe um certo charme curioso nesta mistura entre terror leve, nostalgia pop e teorias intermináveis que cercam a franquia Five Nights at Freddys. E é exatamente nesse caldeirão que o segundo filme mergulha de cabeça, as vezes se afogando em suas ambições, ou acertando em cheio ao fazer o público se sentir novamente diante de um mistério juvenil embalado por animatrônicos sinistros. Five Nights at Freddys 2 é uma sequência que sabe onde pisa, mas nem sempre sabe para onde quer ir.

O longa retoma a história logo depois dos eventos do primeiro filme, acompanhando Mike, Abby e Vanessa enquanto novas peças são colocadas no tabuleiro. Há uma nova pizzaria, um passado mais nebuloso e, como já virou tradição, revelações que surgem com a solenidade de um anúncio importante, mas que nem sempre encontram amparo no roteiro firme. O grande problema é que o texto de Scott Cawthon, criador dos jogos, tenta abraçar uma mitologia enorme sem oferecer a estrutura necessária para que o público, principalmente o que não conhece o universo dos games, consiga caminhar sozinho. O resultado é uma trama que às vezes parece escrita para quem já sabe de tudo, e não para quem está justamente ali para descobrir.

Curiosamente, os momentos mais inspirados acontecem quando a direção de Emma Tammi assume o controle. Algo que fica nítido, pois quando ela exige silêncio, respira fundo e constrói tensão, o filme ganha vida. Tammi sabe filmar escuridão, sabe orquestrar um susto e, sobretudo, entende o que há de genuinamente inquietante em bonecos gigantes com olhos vazios observando humanos distraídos. Quando a câmera dela desliza pelos corredores da pizzaria, sentimos aquela mistura de medo e excitação que fez os jogos explodirem anos atrás. O clima funciona e muito!

O mesmo, porém, não se pode dizer do roteiro. Há diálogos que parecem ensaios apressados, revelações que deveriam pesar mas simplesmente passam, e uma necessidade constante de preparar terreno para um terceiro filme, mesmo que isso deixe o atual manco. Vanessa, por exemplo, é uma personagem que tinha tudo para sustentar um drama interno denso, porque carregar o legado de um serial killer nas costas não é pouca coisa, mas suas crises aparecem, somem, voltam, e nada realmente se arma a ponto de comover. É como se o filme tivesse medo de lidar com a dor dela de maneira direta.

Mike e Abby continuam sendo o coração emocional da narrativa, embora a dinâmica entre eles funcione melhor quando não tenta dramatizar demais a relação. Já os novos personagens chegam com grande alarde e pouca construção. Alguns são tão óbvios em suas funções que nem chegam a surpreender, algo que no caso de uma franquia que vive de reviravoltas, isso pesa.

Mas, se a história cambaleia, os animatrônicos seguram boa parte do espetáculo. É neles que o filme brilha de verdade. Eles protagonizam cenas fortes, perturbadoras, e que justificam sua fama entre os fãs. Há também novas versões dos mascotes que, mesmo quando soam exageradas, divertem e mantêm a atmosfera viva. É um universo que funciona melhor visualmente do que dramaticamente, e o longa parece saber disso.

Outro ponto positivo é o ritmo. Se o primeiro filme sofria com repetições e longas pausas que esvaziavam o suspense, aqui há uma energia mais direta. As sequências dentro da pizzaria têm um dinamismo que conversa com a lógica dos jogos, são portas que abrem e fecham, luzes que piscam, sons que ecoam sem explicação. É simples, mas eficiente. Há até espaço para o bom e velho fanservice, nesse caso, assumidamente brega, que abraça o absurdo e quase faz o público rir junto.

Ou seja, fica evidente que o filme entende seu público principal: os fãs. Tanto que é muito mais feito para eles do que para o público em geral. Ele entrega referências, piscadelas, detalhes escondidos e momentos pensados para quem acompanha a franquia há anos. Porém, esse carinho pelo fandom se torna uma faca de dois gumes. A dedicação é bonita, mas o excesso de confiança nisso deixa lacunas enormes na narrativa.

Por que ver esse filme? Five Nights at Freddys 2 não é um filme redondo. Não é um terror marcante. Não é, também, um desastre. Ele vive numa zona meio híbrida, entre o entusiasmo adolescente e a ambição de expandir uma trama maior do que sua linguagem atual suporta. Mas é um filme que entretém e por isso merece ser visto. Talvez porque não tenha vergonha de ser o que é, ou seja, uma continuação caótica que prepara terreno para algo ainda maior e que, provavelmente, encontrará sua força plena no capítulo final da trilogia. Para quem gosta de ver o cinema de terror por um viés mais lúdico, com pitadas de absurdo e nostalgia, Five Nights at Freddys 2 tem tudo para ser exatamente o que promete: diversão bagunçada com gosto de madrugada mal dormida. Boa sessão!

Odailson Volpe de Abreu


Anuncie com Jornal Noroeste
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