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Economia da atenção na era digital


Por: Artigo de opinião
Data: 22/10/2026
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Prof. Renato Nunes Bittencourt

Prof. Roberto Nunes Bittencourt

Chamamos de Economia da Atenção a dinâmica pela qual a capacidade humana de perceber, concentrar-se e dedicar tempo a algo se converte em um recurso de elevado valor econômico. Em uma sociedade marcada pela abundância de informações e pela aceleração técnica da comunicação, a disputa já não se restringe à produção e à circulação de conteúdos: envolve, sobretudo, a conquista da atenção de indivíduos continuamente expostos a mensagens, imagens e solicitações. Nesse cenário, captar e prolongar o interesse do público representa uma vantagem comercial. A publicidade espetacular, as notificações incessantes e os conteúdos concebidos para despertar reações imediatas participam dessa lógica, na qual o tempo de permanência diante das telas se torna uma oportunidade de rentabilidade. A questão, portanto, ultrapassa o uso de aparelhos eletrônicos e alcança a maneira como organizamos nossa experiência cotidiana.

Essa disputa pela atenção suscita uma reflexão sobre a autonomia. Quando cada intervalo pode ser preenchido por uma nova mensagem e cada momento de espera se transforma em ocasião de consumo, o silêncio e a pausa tendem a ser percebidos como incômodos que precisam ser eliminados. Entretanto, nem toda experiência valiosa se oferece sob a forma de um estímulo intenso ou de uma satisfação imediata. A leitura de uma obra exigente, a escuta cuidadosa de outra pessoa e a elaboração de uma ideia dependem de disponibilidade e permanência. A fragmentação contínua da atenção pode dificultar essas experiências ao favorecer uma relação com o mundo orientada pela sucessão de novidades. Torna-se necessário, assim, questionar quem determina aquilo a que dedicamos nosso tempo e em que medida nossas escolhas expressam interesses refletidos ou respostas aos mecanismos de atração que nos cercam.

No âmbito educacional, esse problema assume especial relevância. O professor é desafiado a dialogar com estudantes cuja formação ocorre em contato frequente com dispositivos digitais e linguagens audiovisuais. Reconhecer essa realidade é indispensável para construir práticas pedagógicas significativas, inclusive mediante o uso criterioso de recursos tecnológicos. Contudo, a atualização da didática exige discernimento: tornar uma aula acessível e instigante não significa submetê-la à obrigação de oferecer entretenimento ininterrupto. A educação também deve proporcionar o encontro com aquilo que demanda esforço, provoca estranhamento e não revela imediatamente seu sentido. Se toda dificuldade for tratada como um obstáculo a ser removido para evitar a perda de interesse, corre-se o risco de enfraquecer justamente a aprendizagem da persistência, da investigação e da elaboração intelectual.

O tempo do pensamento não coincide necessariamente com o ritmo da informação acelerada. Receber uma explicação é diferente de compreendê-la; acessar um conteúdo não equivale a incorporá-lo de maneira crítica. Aprender envolve estabelecer relações, formular perguntas, confrontar interpretações, reconhecer equívocos e retomar problemas. Essas operações exigem condições que a alternância incessante de estímulos nem sempre favorece. Por isso, a discussão sobre celulares em sala de aula precisa integrar uma reflexão pedagógica mais ampla, capaz de explicitar os objetivos de seu uso e os momentos em que sua presença compromete a atividade proposta. Cabe à escola cultivar situações de atenção compartilhada, leitura prolongada, diálogo e produção autoral, nas quais os estudantes possam experimentar outras relações com o conhecimento e com o próprio tempo.

Promover a desconexão digital em determinados momentos constitui, nesse sentido, uma prática de formação da autonomia. Trata-se de desenvolver a capacidade de escolher quando, como e para que utilizar as tecnologias, reconhecendo também o valor das experiências que requerem sua suspensão. A convivência, a contemplação, o descanso e a reflexão possuem ritmos próprios, que merecem ser preservados da exigência permanente de rapidez e produtividade. Uma educação comprometida com a liberdade deve ajudar os estudantes a compreender os interesses envolvidos na disputa por sua atenção e a construir critérios para orientá-la. A atenção é uma dimensão fundamental de nossa presença no mundo: aquilo a que a dedicamos participa da formação de nossos vínculos, de nossos conhecimentos e de nossas possibilidades de existência.

 


Anuncie com Jornal Noroeste
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