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Cidade como espaço de vivência e produção cultural: Uniflor como lastro cultural de afeto e acolhimento


Por: Artigo de opinião
Data: 11/05/2026
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Propomos, por meio desta reflexão, apresentar a cidade como espaço de vivência e produção cultural, reconhecendo que diversos fatores interferem na produção e reprodução do ambiente urbano. Nesse contexto, dedico parte desta análise a uma importante cidade situada no noroeste do Paraná: Uniflor. Sendo natural da referida cidade, onde eu, (prof.Vaudenir) vivi toda a minha infância e juventude, posso afirmar que construí um profundo lastro de afeto ao longo da minha trajetória de vida. Nessa comunidade, conservo amizades valiosas, muitas delas ultrapassando o sentido comum e configurando-se como verdadeiros “amigos-irmãos”. Nesse sentido, recordo aqueles amigos que, nos reencontros, fazem emergir momentos nostálgicos e risadas espontâneas vividas nessa pequena cidade. Recordo, com carinho, nomes que compõem minha história, como Rege Araújo, Jarbas S., Hering, José “Tubiba”, Maycom Ferrari, Claudinei M. (conhecido como Capixaba), Ivanildo Pintor, André Poéli, Joaquim de Alencar, Alexandre Leonardo, Paulo Landim, Elizer Monteiro, Almerindo.S, Jisleide Davanço, Marilei Neves, pof Beto, d.Felisbela, Devanir Landim, Ednilson (Soneca Pintor), entre tantos outros.

Uniflor, conhecida como a “cidade das flores”, pode também ser reconhecida como a cidade dos bons amigos. Sem ufanismo, carrego comigo o orgulho de ser uniflorense. Não por acaso, aqueles que visitam a cidade admiram sua beleza e a organização do espaço urbano. Trata-se de um lugar em constante revitalização, que resiste ao fenômeno da rugosidade urbana, impulsionado tanto pelo poder público quanto pelos moradores, unidos pelo desejo comum de preservar e qualificar o espaço em que vivem, produzindo, assim, um espaço de convivência e pertencimento. A partir dessa perspectiva, recorremos à reflexão da geógrafa Ana Fani Alessandri Carlos (2008), que discute “o espaço que devemos intuir”. Em outras palavras, compreendemos que o espaço urbano, em sua constituição, pode ser interpretado como uma representação simbólica e, sobretudo, como um espaço cultural. Nessa perspectiva, os locus urbanos configuram-se cotidianamente, produzindo e reproduzindo o espaço geográfico e, em especial, o espaço cultural. Em grande medida, Uniflor triunfa na organização geoespacial e na valorização das relações humanas construídas em seu território ao longo de sua história.

Sob esse olhar, a cidade de Uniflor assume protagonismo em razão de seu constante movimento de transformação, resultante da atuação de diferentes atores sociais. Os movimentos pendulares da população, a dinâmica econômica, bem como as ações políticas e sociais, constituem fatores fundamentais na configuração do espaço urbano. Assim, compreender a cidade como espaço de vivência implica reconhecer a interação contínua entre os sujeitos e o espaço que constroem. A cidade, nesse sentido, é o lugar das múltiplas relações humanas, envolvendo aqueles que escolheram ou foram levados a viver nela. Por fim, na condição de geógrafo, reitero esta reflexão sobre a pequena cidade de Uniflor. Esse locus de convivência social revela um lastro cultural imensurável, construído por seus diversos atores sociais, que, ao longo do tempo, tecem uma história marcada pelo afeto, pertencimento e identidade coletiva.

Vaudenir Pereira Dias é graduado em Geografia, possui pós-graduação em Educação Especial, Psicopedagogia Clínica Institucional e Neuropedagogia. É mestre em Ensino e doutorando em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (PGE) da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

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