A presença, um presente

Há situações na vida em que apenas a própria pessoa pode fazer por si. Um professor pode ajudar o aluno a estudar, mas, se este não se empenhar, um Einstein pode ser o seu mestre que de nada adiantará. Porém, há situações em que o aluno se empenha, mas, por falta de motivação ou de autoestima, ele se sente incapaz de encarar a vida de frente. Neste tipo de situação a função do professor é não tanto a de ensinar conteúdos, mas a de ensinar pelo exemplo: por meio de um olhar e de uma voz confiantes a esperança pode ser transmitida. Sobre isso ensinou o educador Daniel Pennac, em "Diário de Escola".
De modo análogo, há situações no campo da saúde em que apenas o paciente poderá passar. A dor da morte pode ser adiada? Em muitos casos, sim, em outros, não. A dor da morte pode vir em forma de angústia e, sabendo que o fim se aproxima, o médico nada pode fazer além de amenizar a dor e de estar ao lado do paciente. Para alguém que sofre de modo terminal, o simples fato de ter ao seu lado um especialista na saúde humana e que de fato é humano pode ser tudo o que a pessoa queira, e a angústia pode diminuir de um modo que a racionalidade não dá conta de compreender.
A educação e a saúde, que se conversam de inúmeras formas, poderiam receber apenas mais um exemplo que não faz mal a ninguém. Todo ser humano sabe que um dia chegará ao fim, agora, que se imagine que nesse fim, e sendo a pessoa crente, que Deus lhe diga: "É inevitável morrer, mas eu estou aqui". As chances da pessoa se tranquilizar certamente que seriam potencializadas. Não se trataria de mudar uma regra, mas de estar junto. Sobre isso a geriatra e paliativista Ana Cláudia Quintana Arantes escreveu em seus livros "A morte é um dia que vale a pena viver" e "Histórias lindas de morrer".
O ser humano tem um poder extraordinário que é a simples presença. A presença é um presente que deve ser distribuído não apenas situações extremas, mas no dia a dia.

