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A imputação da justiça salvadora (Rm 4.3)


Por: Fernando Razente
Data: 31/08/2026
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Romanos 4.3: 3 Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça.

No último texto (Rm 4.1-2) estivemos meditando sobre a impossibilidade de justificação por obras diante de Deus. Nos versos 1 e 2, Paulo mostra que ninguém pode ser justificado diante de Deus por suas próprias obras, usando o exemplo de Abraão, o pai da fé. Conforme Paulo argumentou, nem mesmo Abraão tinha motivo para se gloriar diante de Deus, pois sua justificação não veio de seus méritos. A justificação é pela graça. Agora, no verso 3, Paulo fala de como essa justiça foi alcançada por Abraão: ela foi imputada pela fé!

Primeiro, Paulo faz uma pergunta: “Pois que diz a Escrituras?”. Essa pergunta é significativa, porque mostra que Paulo tinha como sua suprema e inerrante autoridade teológica a Palavra de Deus no Antigo Testamento. Ele faz uma pergunta que apela não para a tradição oral dos judeus, mas para o testemunho grafado (γραφ?) da voz de Deus!

A pergunta de Paulo é uma pergunta que deveria ecoar em nossos corações hoje, diante de questões religiosas e teológicas. Quando em nossas dúvidas sobre a salvação e o perdão de pecados, não deveríamos procurar a opinião de tradições religiosas – embora elas possam ter um valor relativo – mas deveríamos nos perguntar: o que diz a Bíblia? Deveríamos procurar a própria declaração divina sobre o assunto, registrada nas Escrituras Sagradas.

Agora, segundo Deus falando na Escritura, como Abraão foi justificado? Paulo cita a

passagem de Gênesis 15.6, onde aprendemos que foi por crer/confiar (π στευσεν) na

promessa divina e no próprio Deus que lhe fez a promessa que Abraão foi justificado. Sua fé lhe foi imputada para justiça!

Mas o que significa imputar? A palavra hebraica no AT  traz a ideia de considerar ou calcular. Já o termo grego no NT ?λογ?σθη comunica a ideia de creditar. Pressupõe-se, como diz Calvino, que Abraão estava em débito com Deus devido a seus pecados; lhe faltava aprovação judicial divina (δικαιοσ νην/justiça). Porém, quando Abraão creu na promessa, essa sua confiança foi creditada a ele como meio de aprovação judicial. Ele estava, pela fé, justificado.

Por que? Por que realizou alguma obra de caridade? Por que distribuiu seus bens aos pobres ou foi litúrgico o suficiente? Não. Ele foi justificado porque creu em Deus e na sua promessa! Desta forma, Abraão alcançou a justiça que salva, e é desta forma que todos os filhos e descendentes de Abraão – a igreja de Cristo (cf. Gl 3.7; 3.29) – são justificados também: pela fé na promessa divina, de que em Cristo, o descendente prometido, nossos débitos estão cancelados diante de Deus. Por isso, não há outra forma que a Escritura, a voz de Deus, estabelece e testemunha para a justificação do pecador se não pela fé na promessa divina em Cristo. Como disse Calvino, “[...] a justiça da fé é o refúgio e, por assim dizer, o asilo do pecador, que é destituído de obras” e também que os filhos de Abraão “[...] não [podem] alcançar a justiça, a não ser como ela [...] é trazida, por assim dizer, pela promessa do evangelho; e [tomamos] sua posse pela fé.”

Meu convite a você, caro (a) leitor (a) é que, se você percebe sua culpa e indignidade diante de Deus, tome agora posse da promessa de salvação em Cristo com fé humildade e gratidão, crendo também que essa fé é suficiente para que você seja aceito e aprovado por Deus, sem acréscimos de obras ou desempenho religioso/moral. Abandone, querido (a) leitor (a), toda e qualquer confiança fútil em suas próprias obras, méritos e esforços religiosos. Descanse em paz na certeza de que você é aprovado e aceito por Deus mediante a fé na promessa de salvação em Cristo Jesus. Amém!

Fernando Razente

Diácono ordenado da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Paranavaí, Congregação de Nova Esperança, e seminarista do Seminário Presbiteriano do Sul – Extensão de Curitiba. Professor de Ciências Humanas, Filosofia e Ciência da Religião. Marido de Renata Minel


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