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É simples viver


Por: Jorge Antonio Salem
Data: 11/09/2025
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Essa frase, que soa como uma afirmação, prefiro transformá-la em pergunta. Afinal, é simples viver?

Na semana passada, conversamos um pouco sobre a morte, esse tema tão delicado que inevitavelmente nos toca em algum momento. Hoje, no entanto, quero refletir sobre o viver. E, ao fazer isso, proponho que pensemos juntos sobre essa questão: será que a vida é, de fato, simples? Ou somos nós que a complicamos?

Quando Deus nos criou, Ele nos fez de maneira simples. Viemos ao mundo sem nada, apenas com o corpo que nos foi dado. Nem mesmo roupas trazemos ao nascer. Tudo aquilo que nos envolve nos primeiros dias de vida, roupas, berço, casa, brinquedos, pertence a nossos pais, avós, parentes ou cuidadores. Nada é nosso, além da própria vida.

À medida que crescemos, somos educados não apenas a existir, mas a entender conceitos de “ser” e “ter”. Muitos de nós recebemos, desde cedo, uma ênfase muito maior no “ter” do que no “ser”. Assim, acabam se formando adultos que pensam quase exclusivamente no acúmulo de bens, no dinheiro, no patrimônio. Nessa lógica, o próximo deixa de ser prioridade, porque cada um deveria “se virar sozinho”. O espírito de solidariedade, de empatia e de partilha vai se perdendo.

Não quero, com isso, julgar ninguém. É claro que o “ter” tem sua importância. Trabalhar para oferecer conforto e segurança à família é algo legítimo e necessário. O problema começa quando o apego ao “ter” se torna excessivo, a ponto de roubar a atenção que deveria ser dedicada aos relacionamentos, à família e até a si mesmo. De que adianta conquistar riquezas se, no processo, deixamos de cultivar laços de amor, amizade e cuidado?

Há pessoas que ainda vivem sob a lógica da chamada “lei de Gerson”, aquela ideia de levar vantagem em tudo. Essa visão utilitarista, quando levada ao extremo, nos afasta da verdadeira essência da vida. Afinal, a vida não pode ser resumida a uma corrida incessante por conquistas materiais. Existe um equilíbrio a ser buscado: nem o acúmulo desmedido, nem a total indiferença ao próximo.

Viver com simplicidade não significa renunciar a sonhos ou conquistas. Significa, antes, compreender que a vida se torna mais leve quando escolhemos olhar para além de nós mesmos. Quando estendemos a mão a alguém em dificuldade, mesmo que seja um gesto pequeno, descobrimos que o viver ganha um novo significado. Ser simples, no fundo, é valorizar aquilo que realmente importa: as relações humanas, a fé, o cuidado, o tempo de qualidade.

Portanto, viver pode ser simples, sim, se deixarmos de lado os excessos, as comparações e as cobranças exageradas. A simplicidade não é ausência, mas presença do essencial.

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Jorge Antonio Salem

vida cotidiana


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