Gerson Zanusso, ex-prefeito de Nova Esperança, morre aos 82 anos
Ex-prefeito em dois períodos, Gerson deixa uma trajetória marcada pela vida pública, pela proximidade com a população e por uma atuação que teve entre suas prioridades a saúde e a assistência social.
Gerson Zanusso durante entrevista ao NoroCast, em dezembro de 2025, quando revisitou sua trajetória na vida pública, relembrou momentos da história de Nova Esperança e compartilhou experiências de suas duas gestões à frente da Prefeitura. O registro ganha significado especial após sua morte, neste domingo, 18 de outubro de 2026, aos 82 anos, deixando um legado de participação na vida pública e lembranças entre os nova-esperancenses – Foto acervo/jornalnoroeste.com
` Nova Esperança se despede neste domingo, 18 de outubro de 2026, de uma das figuras que fizeram parte da história política e administrativa do município nas últimas décadas. O ex-prefeito Gerson Zanusso morreu aos 82 anos, deixando familiares, amigos e uma parcela significativa da população nova-esperancense consternados com a notícia.
Segundo informações apuradas pela reportagem junto à família, Gerson sofreu um aneurisma da aorta abdominal. Após uma ruptura abrupta, ele não resistiu e faleceu neste domingo.
Em sinal de pesar e reconhecimento por sua trajetória na vida pública, a bandeira de Nova Esperança foi hasteada a meio-mastro em frente ao Paço Municipal. O município também decretou luto oficial de três dias em homenagem ao ex-prefeito.
Nascido em 18 de janeiro de 1944, em José Bonifácio, no estado de São Paulo, Gerson Zanusso construiu em Nova Esperança sua trajetória pessoal, profissional e pública. Casado com Miriam, deixou filhos e netos.
Sua história esteve profundamente ligada ao município. Além da atuação política, exerceu atividades profissionais e comunitárias ao longo da vida. Registros históricos do Jornal Noroeste apontam sua atuação como despachante oficial do Detran e como chefe da 18ª Ciretran por aproximadamente dez anos. Também presidiu o Lions Clube de Nova Esperança e participou da fundação da Apae, instituição na qual igualmente exerceu a presidência.
Na política, Gerson Zanusso foi prefeito de Nova Esperança em dois períodos: de 2001 a 2004 e, posteriormente, de 2013 a 2016.
Uma trajetória revisitada pela própria voz
Em dezembro de 2025, por ocasião das comemorações relacionadas à história e à emancipação político-administrativa de Nova Esperança, Gerson participou de uma entrevista especial do NoroCast, dentro da série que reuniu ex-prefeitos do município para registrar lembranças, experiências e diferentes períodos da administração municipal.
A entrevista ganhou, com sua morte, um significado ainda mais especial: tornou-se um dos registros recentes em que Gerson falou sobre a própria trajetória, suas lembranças da cidade e a maneira como enxergava a vida pública.
Ao recordar a infância, revisitou memórias de uma Nova Esperança de outros tempos, falando sobre a vida na região conhecida como “Capelinha”, as brincadeiras no antigo “buracão”, uma área marcada por erosão, e a presença da colônia japonesa na formação do comércio e da vida cotidiana do município.
Ao longo da conversa, também relembrou desafios enfrentados durante suas administrações, entre eles questões relacionadas à infraestrutura urbana e ao desenvolvimento do município. Em diferentes momentos, ressaltou a importância dos servidores públicos para o funcionamento da administração municipal.
Mas foi ao falar sobre pessoas que sua narrativa ganhou um tom particularmente afetivo. Gerson costumava associar sua maneira de administrar à experiência de visitar famílias e conhecer de perto as necessidades da população. Em sua avaliação, esse contato direto permitia compreender situações que nem sempre apareciam nos relatórios ou nos números da administração.
A saúde e o atendimento às necessidades básicas da população apareciam, em seu relato, como prioridades. Entre as ações que mencionou estavam iniciativas nos distritos de Vaitinga e Barão do Lucena, incluindo reformas em escolas e postos de saúde, além da atenção à oferta de medicamentos.
Ao recordar essas experiências, relatou inclusive situações em que ajudou pessoas com recursos próprios diante de necessidades urgentes. Mais do que apresentar essas histórias como feitos administrativos, Gerson as relacionava à sua concepção pessoal sobre o serviço público: estar próximo das pessoas e procurar compreender suas dificuldades.
Outro aspecto lembrado por ele foi a valorização dos servidores municipais. Durante a entrevista, mencionou medidas voltadas à segurança futura dos funcionários públicos, entre elas a criação de um fundo de pensão destinado a contribuir para a garantia da aposentadoria da categoria.
Memória de um político que valorizava o contato humano
A trajetória de Gerson Zanusso também foi marcada por uma característica frequentemente associada à sua presença na comunidade: o contato direto com as pessoas.
Na entrevista concedida em dezembro de 2025, ao revisitar sua passagem pela Prefeitura, ele falou sobre a importância do respeito, da amizade e da convivência mesmo diante das diferenças políticas e ideológicas.
Sua visão sobre a vida pública estava relacionada à necessidade de união e à defesa do interesse coletivo. Ao comentar o cenário político, criticou a intolerância e defendeu que as divergências não deveriam impedir o trabalho em favor da comunidade e das famílias.
Esse aspecto ajuda a compreender por que a notícia de sua morte provocou forte repercussão entre moradores que acompanharam sua trajetória ao longo dos anos.
Muito além dos cargos ocupados, ficam também as lembranças construídas no cotidiano: os encontros, as conversas, as visitas às famílias, a participação em instituições e a convivência com diferentes gerações de nova-esperancenses.
Uma página da história de Nova Esperança
A passagem de Gerson Zanusso pela Prefeitura integra um período importante da história administrativa de Nova Esperança. Sua primeira eleição ocorreu no pleito de 2000, quando foi escolhido para administrar o município entre 2001 e 2004. Anos depois, voltou a disputar a Prefeitura e foi eleito novamente em 2012, iniciando seu segundo mandato em 2013.
Documentos oficiais do Município registram sua assinatura em atos administrativos de diferentes naturezas durante os dois períodos de governo, compondo parte do acervo documental que ajuda a preservar a memória institucional de Nova Esperança.
O registro histórico, porém, ultrapassa números, documentos e decisões administrativas. Ao longo de décadas, Gerson também construiu relações pessoais e comunitárias que permaneceram para além dos períodos em que esteve no comando do município.
Despedida
O velório de Gerson Zanusso teve início às 8h30 deste domingo, na Capela Municipal Nova Vida, em Nova Esperança. O sepultamento está previsto para as 16 horas, no Cemitério Municipal de Nova Esperança.
A morte repentina encerra a trajetória de um homem que dedicou parte significativa de sua vida à comunidade que escolheu para viver e servir.
Para familiares, amigos e moradores que conviveram com Gerson, ficam as lembranças de sua presença, de seu jeito próximo e das histórias compartilhadas ao longo de décadas.
Para Nova Esperança, fica também um capítulo da própria história. Um capítulo escrito por alguém que ocupou o principal cargo político do município em dois momentos distintos, mas que, sobretudo, procurou deixar registrada sua passagem pela vida pública a partir da relação cotidiana com as pessoas.
Neste domingo, diante da bandeira municipal hasteada a meio-mastro, Nova Esperança se despede de Gerson Zanusso.
E a cidade guarda, na memória de seus moradores e em seus registros históricos, a trajetória de um de seus ex-prefeitos.
RELEMBRE A ENTREVISTA AO NOROCAST:

