Especialista em gestão, Fabiano dos Santos analisa impactos da guerra no Irã e alerta para reflexos na economia brasileira
Administrador destaca alta dos combustíveis, pressão inflacionária, riscos ao agronegócio e possível freio na queda dos juros em 2026
Fabiano dos Santos esteve na redação do Jornal Noroeste nesta quarta-feira (18), onde analisou os impactos da guerra no Irã na economia global, nacional e local. “O aumento do petróleo e das tensões no Oriente Médio já pressiona custos no Brasil, afetando desde o agronegócio até o preço final pago pelo consumidor”, destacou - Foto Alex Fernandes França/jornalnoroeste.com
Na quarta-feira (18), a redação do Jornal Noroeste recebeu o administrador Fabiano dos Santos, formado pela Unespar e com ampla experiência em gestão pública e privada, para uma análise dos desdobramentos da guerra no Irã e seus reflexos na economia mundial, nacional e local em 2026. Com atuação como ex-secretário de Administração de Alto Paraná e atualmente empresário em diversos segmentos, ele traçou um panorama marcado por incertezas e impactos diretos no cotidiano dos brasileiros.
Segundo Fabiano, os efeitos do conflito já são sentidos de forma imediata no Brasil, principalmente devido à forte relação comercial com o Irã e países do Oriente Médio. “O Irã é um importante destino da produção brasileira de grãos e proteína animal, assim como outros países da região, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Com a escalada das tensões, surgem entraves logísticos e comerciais que prejudicam essas relações”, explica.
Além das exportações, o Brasil também depende de insumos vindos do Irã, como a ureia, essencial para a produção de fertilizantes e componente utilizado no Arla, produto indispensável para veículos a diesel. “Esse cenário, somado à pressão no preço do petróleo, acaba elevando os custos de transporte e impactando toda a cadeia produtiva, o que pode resultar em aumento da inflação”, acrescenta.
Impacto direto no bolso do consumidor
Para o especialista, a globalização intensifica os efeitos de conflitos internacionais, fazendo com que eventos distantes geograficamente tenham reflexos quase imediatos no Brasil. “Hoje já vemos aumento nos combustíveis e nos fertilizantes, o que gera preocupação especialmente para o setor agrícola, que mantém forte relação comercial com o Oriente Médio”, afirma.
Esse cenário, segundo ele, tende a atingir diretamente o consumidor final. O encarecimento do diesel, principal combustível do transporte rodoviário no país, influencia desde o custo da matéria-prima até o preço final dos produtos nas prateleiras.
Agronegócio é o mais afetado
Fabiano dos Santos destaca que o agronegócio brasileiro é o setor mais sensível aos impactos da guerra. “O segmento depende tanto da exportação para o Oriente Médio quanto da importação de insumos como fertilizantes. Além disso, o diesel é fundamental para o plantio e a colheita. Com o aumento dos custos e possíveis dificuldades logísticas, há risco de redução na lucratividade ou até prejuízos”, pontua.
Juros sob pressão e cautela do Banco Central
Outro ponto abordado na análise é a política monetária. De acordo com Fabiano, o cenário de instabilidade internacional pode interferir nas decisões sobre a taxa de juros no Brasil. “Havia expectativa de uma redução maior em 2026, mas o aumento do petróleo e o risco inflacionário devem frear esse movimento. O Banco Central tende a manter cautela, podendo inclusive elevar juros para conter pressões inflacionárias e atrair capital externo”, avalia.
Petróleo influencia toda a cadeia produtiva
O especialista reforça que o petróleo é um dos principais vetores de impacto econômico. “O Brasil ainda depende fortemente do transporte rodoviário. Com o aumento do combustível, há elevação nos custos logísticos, o que encarece toda a cadeia produtiva, do campo à cidade”, explica.
Sem espaço para ganhos em meio ao conflito
Questionado sobre possíveis aspectos positivos, Fabiano é categórico ao afirmar que não há benefícios em um cenário de guerra. “Conflitos desse porte trazem morte, destruição e instabilidade global. Todos os países envolvidos são parceiros comerciais do Brasil, e, em vez de negócios, estão focados no conflito, o que prejudica o comércio internacional”, ressalta.
Relação comercial sob risco
Apesar da histórica parceria entre Brasil e Irã, o atual cenário compromete o fluxo comercial. “A guerra gera instabilidade e reduz tanto exportações quanto importações. A expectativa é pelo fim do conflito e pela retomada das relações, que são fundamentais para a economia brasileira”, conclui.
A análise reforça que, em um mundo cada vez mais interligado, crises internacionais deixam de ser eventos distantes e passam a influenciar diretamente a realidade econômica local, exigindo atenção de gestores públicos, empresários e consumidores.

