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Cícero Figueiredo, leitor assíduo do JN, visita redação e compartilha histórias


Por: Alex Fernandes França
Data: 22/09/2026
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Conhecido pelo bom humor e carisma, Cícero esteve nesta terça-feira (22) na redação para retirar seu exemplar impresso e conversar com a equipe do Jornal Noroeste.

Cícero Figueiredo esteve na tarde desta terça-feira (22) na redação do Jornal Noroeste para retirar seu exemplar impresso e conversar com a equipe. Leitor assíduo da publicação, ele mantém a tradição de uma visita marcada pelo bom humor, simpatia e pelo sempre agradável “dedo de prosa” – Foto Alex Fernandes França/jornalnoroeste.com

Periodicamente, uma figura conhecida e carismática de Nova Esperança passa pela redação do Jornal Noroeste. Nesta terça-feira (22), foi a vez de Cícero Figueiredo, ou simplesmente “Cícero”, retirar seu exemplar impresso e aproveitar a oportunidade para conversar com integrantes das equipes de reportagem e de editoração gráfica.

Leitor assíduo do Jornal Noroeste e também da Noroeste Revista, publicação do mesmo grupo editorial, Cícero já teve sua trajetória registrada nas páginas das duas publicações. Para quem o encontra pelas ruas da cidade, sua presença é facilmente reconhecida: sempre sorridente, disposto a conversar e a compartilhar uma palavra de fé, otimismo ou reflexão.

Seu nome, inclusive, estabelece uma curiosa coincidência histórica. Cícero é homônimo de Marco Túlio Cícero (106 a.C.–43 a.C.), um dos mais conhecidos pensadores e oradores da Roma Antiga. A comparação, embora apenas simbólica, encontra algum paralelo na maneira contemplativa com que o nova-esperancense encara a vida.

Entre suas reflexões, estão frases como: “O dinheiro pode comprar roupas caras e bens materiais, mas jamais proporcionará a paz” e “O homem só aprende a dar valor em algo quando perde. Quando a natureza é maltratada, a própria sociedade paga a conta”.

Uma escolha de vida

A história de Cícero é marcada por diferentes profissões e experiências. Ele conta que já trabalhou como operador de máquinas, caminhoneiro e carpinteiro, atividades que o levaram a percorrer diferentes regiões do Brasil.

Com o passar dos anos, porém, encontrou na entrega e revenda de gás uma atividade que, segundo ele, se adapta melhor ao estilo de vida que escolheu.

“Gosto de contemplar a natureza e levar uma vida simples, porém muito abundante. Já trabalhei como operador de máquinas, caminhoneiro, carpinteiro, ou seja, percorri o Brasil inteiro, mas escolhi trabalhar na entrega e revenda de gás, que facilita o que mais gosto de fazer, que é correr, caminhar e estar em contato com as pessoas e a natureza”, relata.

O trabalho também, segundo ele, contribui para manter uma rotina fisicamente ativa. “Transporto peso o dia todo e isto já é uma academia no próprio trabalho”, brinca.

Cícero também é vegano, estilo de vida que, em sua definição, exclui o consumo de produtos de origem animal.

Corridas pelas ruas e rodovias

Uma das características mais conhecidas de sua rotina são as corridas realizadas durante a madrugada. Cícero conta que costuma percorrer longas distâncias sozinho e que, em algumas ocasiões, ultrapassa os 20 quilômetros pelas ruas e rodovias do entorno de Nova Esperança.

Uma dessas histórias, contada há anos entre moradores da cidade, envolve uma viagem inusitada até Maringá.

Segundo Cícero, há cerca de 20  anos ele saiu de Nova Esperança às 4h30 da manhã com o objetivo de comprar dois aparelhos de televisão Mitsubishi, de 20 polegadas cada. Para chegar à cidade, fez o percurso correndo.

“Levei duas dúzias de bananas-maçãs penduradas nas costas e cheguei em Maringá, correndo, quase três horas depois”, recorda.

Ao chegar ao estabelecimento comercial, ainda segundo seu relato, o modo como estava vestido e o fato de estar molhado de suor fizeram com que dois vendedores não dessem atenção ao pedido.

“Me dirigi então ao gerente e lá começamos a conversar. Me identifiquei e foi então possível comprar as duas TVs, pois estava com o dinheiro guardado em minha sacola. Eram notas graúdas”, conta.

Uma das televisões foi levada de ônibus para Nova Esperança. A outra, posteriormente, foi buscada por um vizinho de carro.

Alimentação e uma rotina de atividades

Cícero atribui à rotina de atividades físicas e à alimentação simples parte importante de sua disposição cotidiana. Ele conta que consome alimentos como mel, frutas da estação, castanhas e nozes.

Ao falar sobre saúde, faz uma afirmação baseada em sua própria experiência: “Jamais precisei colocar um comprimido sequer na boca”.

A declaração representa, naturalmente, uma percepção pessoal sobre sua trajetória e não uma recomendação médica. Seu estilo de vida, entretanto, é uma das características que mais chamam a atenção de quem o conhece.

Para Cícero, a busca por bens materiais não é suficiente para proporcionar uma vida plena.

“A humanidade busca nas futilidades uma vida plena e feliz. Ledo engano esse. A simplicidade das coisas são as que mais importam”, afirma.

Na sua visão, a relação entre o ser humano e o meio ambiente também precisa ser repensada.

“O homem está destruindo o meio ambiente para produzir riquezas, que não vão levá-lo a lugar algum, apenas ao caos total. Na simplicidade da natureza temos tudo em abundância e é disso que realmente precisamos para viver bem, mas infelizmente pouquíssimos se apercebem do mal que fazem a si próprios e aos seus semelhantes”, argumenta.

E resume sua concepção em uma comparação: “A humanidade é tão dependente da natureza assim como uma criança recém-nascida que precisa de seus pais”.

A roupa que virou marca registrada

Se a corrida e a alimentação fazem parte de sua rotina, as vestimentas também se transformaram em uma de suas marcas registradas.

A camiseta que um dia foi uma peça convencional acabou, com o tempo e o uso, reduzida a poucos fios que ainda se unem à bermuda.

Cícero explica que a escolha pelo vermelho tem uma finalidade prática: chamar a atenção de motoristas e pedestres durante seus deslocamentos.

“Uso somente peças vermelhas para chamar a atenção no trânsito, já que o campo de visão humano enxerga primeiro esta cor marcante e, desta forma, sou mais facilmente visto, já que estou sempre me movimentando nas ruas da cidade”, explica.

Sobre os poucos fios que restaram da camiseta, ele apresenta sua própria interpretação, relacionando a exposição ao sol à vitamina D e à sua filosofia de vida.

“Observe uma planta. Se a colocarmos na sombra, automaticamente ela morrerá. Assim somos nós. Morremos aos poucos”, afirma.

Cícero também explica que não segue as religiões convencionais. Para ele, sua principal crença está na natureza e na filosofia de vida que construiu ao longo dos anos.

E, para encerrar a conversa com o mesmo bom humor que costuma marcar seus encontros pelas ruas da cidade, faz questão de acrescentar:

“E pra que não restem dúvidas, tomo banho todos os dias”.

Uma figura que faz parte da paisagem de Nova Esperança

Entre uma corrida na madrugada, uma jornada de trabalho, uma conversa pelas ruas e uma visita à redação para buscar o Jornal Noroeste, Cícero Figueiredo construiu uma maneira própria de enxergar o cotidiano.

Mais do que as roupas incomuns, as longas corridas ou os hábitos alimentares, chama a atenção sua disposição para conversar e compartilhar reflexões sobre a vida, a simplicidade e a relação do ser humano com a natureza.

É justamente nessas conversas despretensiosas, no tradicional “dedo de prosa”, que personagens como Cícero revelam um pouco da diversidade humana que compõe a história cotidiana de Nova Esperança.

E, como bom leitor, ele continua fazendo questão de passar pela redação, retirar seu exemplar e acompanhar, à sua maneira, as histórias que o Jornal Noroeste registra diariamente sobre a cidade e a região.


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