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Cerca de 90% dos jovens estão na internet: como as escolas ajudam a formar cidadãos na era da informação


Por: Assessoria de Imprensa
Data: 18/09/2026
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Com crianças e adolescentes cada vez mais conectados, escolas e família têm papel central na formação de jovens críticos, que analisam conteúdos, avaliam fontes e formam opiniões com autonomia

Foto: Freepik

Mais de 90% dos brasileiros de 9 a 17 anos usam a internet e 48% recorrem à rede para ler ou assistir a notícias, segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025. O contato dessas crianças e adolescentes com a informação acontece cada vez mais cedo e em um ambiente no qual notícias e informações relevantes dividem espaço com opiniões, publicidade, vídeos de influenciadores e conteúdos produzidos pelos próprios usuários.

Para Celso Hartmann, vice-presidente do Sinepe/PR (Sindicato das Escolas Particulares), o desafio da nova geração deixou de ser apenas encontrar informação: o jovem precisa aprender o que fazer com ela. “Em um mundo de excesso de dados, formar um bom aluno também significa formar alguém que não aceite automaticamente como verdadeiro tudo aquilo que aparece em sua tela”, explica. Para as escolas, isso significa ensinar crianças e adolescentes a perguntar quem produziu determinado conteúdo, de onde veio, se há evidências e se outras fontes confirmam aquela informação.

A proposta é desenvolver nos jovens uma postura crítica diante do que aparece na tela, em vez de simplesmente ensinar a identificar uma ou outra fake news.

IA torna o desafio ainda maior

A popularização da inteligência artificial trouxe uma nova camada ao problema. Dados da pesquisa indicam também que 65% dos usuários de internet de 9 a 17 anos já utilizaram ferramentas de IA generativa. Entre adolescentes de 13 a 17 anos, o índice chega a 75%. Textos, imagens, áudios e vídeos produzidos ou alterados por IA podem parecer reais e convincentes. Por isso, os estudantes precisam aprender quando acreditar, por que e como verificar uma informação quando houver dúvida. “Não precisamos formar jovens que desconfiem de tudo. Precisamos formar jovens que saibam quando confiar, por que confiar e como verificar quando houver dúvida”, explica.

A educação midiática nesse contexto também é importante para mostrar aos alunos que nem tudo o que aparece nas redes tem a mesma finalidade: um conteúdo pode informar, mas também pode vender, persuadir ou defender determinado ponto de vista.

“É importante compreender que a desinformação nem sempre é uma mentira evidente. Uma informação verdadeira pode ser apresentada fora de contexto; uma fotografia pode ser real, mas atribuída a outro acontecimento; um gráfico pode utilizar dados corretos e, ainda assim, induzir a uma interpretação equivocada”, reforça Hartmann.

Educação midiática também é educação cidadã

As crianças e os adolescentes que hoje estão aprendendo a interpretar informações serão, em poucos anos, os adultos responsáveis por decisões que ultrapassam suas próprias vidas e podem impactar famílias, empresas, comunidades e toda a sociedade. Prepará-los para esse futuro vai muito além de ensiná-los a reconhecer uma notícia falsa. “No ambiente digital, compartilhar também é assumir responsabilidade pela informação que ajudamos a colocar em circulação. Talvez essa seja uma das aprendizagens mais importantes da educação contemporânea”, enfatiza.

Uma sociedade democrática precisa de cidadãos capazes de analisar informações, considerar diferentes perspectivas, questionar argumentos e tomar decisões com autonomia e discernimento. É uma habilidade que começa a ser construída ainda na escola e que ganha cada vez mais importância.

Profissionais precisam estar preparados

Outro ponto fundamental é preparar os profissionais da educação para lidar com as discussões e modelos de atuação mais atuais relacionados à educação midiática. Para que possam orientar os estudantes diante de novos formatos de conteúdo, inteligência artificial, redes sociais, publicidade e desinformação, professores e gestores precisam ter acesso a informação, atualização e repertório para acompanhar essas transformações.

“No Sinepe/PR, nós buscamos atuar nesse tema junto aos profissionais da educação, contribuindo para que as escolas estejam preparadas para os desafios e para que os educadores tenham condições de levar essas discussões para a sala de aula”, finaliza o vice-presidente.


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