25 anos depois, o mundo ainda carrega as marcas do 11 de Setembro
Em 11 de setembro de 2001, ataques coordenados nos Estados Unidos mataram 2.977 pessoas e provocaram uma transformação profunda na política, na segurança e na forma como o mundo passou a enxergar o século XXI.
Há acontecimentos que pertencem à história. E há acontecimentos que, mesmo depois de décadas, continuam presentes na memória coletiva.
Nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, o mundo lembra os 25 anos dos ataques terroristas que atingiram os Estados Unidos e provocaram uma das maiores rupturas da história contemporânea. Um quarto de século depois, as imagens das torres do World Trade Center tomadas pela fumaça, dos aviões atingindo os edifícios e da população tentando compreender o que estava acontecendo permanecem entre as cenas mais marcantes do início deste século.
Naquela manhã de 2001, 19 integrantes da rede extremista Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais. Dois deles foram lançados contra as Torres Gêmeas, em Nova York; um terceiro atingiu o Pentágono, na Virgínia; e o quarto caiu em uma área rural da Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes reagiram aos sequestradores. As duas torres posteriormente desabaram.
Ao todo, 2.977 pessoas morreram nos ataques, entre passageiros, trabalhadores, visitantes e agentes envolvidos nas operações de emergência. As vítimas eram provenientes de mais de 90 países, dimensão que ajuda a explicar por que o episódio ultrapassou rapidamente as fronteiras norte-americanas e passou a ser compreendido como um acontecimento de alcance mundial.
O dia em que a televisão mudou a percepção do mundo
Para milhões de pessoas, 11 de setembro não começou como uma notícia comum.
Naquela manhã, televisões de todo o planeta interromperam suas programações. As primeiras imagens mostravam um acidente de grandes proporções. Pouco depois, a colisão de um segundo avião contra a outra torre eliminou qualquer dúvida de que se tratava de uma ação coordenada.
A partir dali, o mundo acompanhou praticamente em tempo real uma tragédia que ainda estava acontecendo.
A televisão transformou o acontecimento em uma experiência coletiva. Pessoas em países distantes de Nova York assistiam às mesmas imagens, ouviam as mesmas informações e tentavam compreender a dimensão de algo que parecia impossível.
Para uma geração, aquela foi uma das primeiras grandes experiências de uma notícia global acompanhada praticamente ao vivo.
Muito além de Nova York
Os ataques não terminaram quando as torres caíram. Nos anos seguintes, os Estados Unidos ampliaram operações militares no exterior, enquanto governos de diferentes países reforçaram políticas de segurança e combate ao terrorismo. Os procedimentos em aeroportos foram modificados, o controle de fronteiras ganhou novas dimensões e a discussão sobre segurança passou a ocupar um espaço muito maior no cotidiano.
O impacto também alcançou a política internacional, a economia, a indústria da aviação, o jornalismo e a própria relação das sociedades com segurança, privacidade e liberdade.
O 11 de Setembro, portanto, não pode ser compreendido apenas pelas imagens daquele dia. Seu significado também está nas consequências que atravessaram os 25 anos seguintes.
Uma geração que nasceu depois
Talvez uma das maiores marcas da passagem do tempo esteja em uma constatação simples: há milhões de pessoas para quem o 11 de Setembro não é uma lembrança. É história.
Em 2026, jovens adultos podem ter nascido depois dos ataques. Crianças e adolescentes que hoje frequentam escolas conhecem as Torres Gêmeas apenas por fotografias, vídeos e relatos.
O próprio 9/11 Memorial & Museum destaca que uma nova geração precisa conhecer o significado daquele acontecimento e suas consequências. Na programação do 25º aniversário, a instituição reforça justamente a importância de preservar a memória e transmitir às gerações futuras as histórias de perda, coragem, solidariedade e serviço que marcaram aquele período.
É nesse ponto que a efeméride deixa de ser apenas uma recordação norte-americana e passa a representar uma questão universal: como uma sociedade preserva a memória de acontecimentos que as novas gerações não vivenciaram?
O tempo não apagou as marcas
Um quarto de século depois, as consequências humanas também permanecem. Além das 2.977 mortes ocorridas nos ataques, milhares de profissionais de emergência, trabalhadores de resgate, voluntários e pessoas que estiveram expostas à região de Lower Manhattan sofreram consequências relacionadas à exposição e às operações posteriores. O Memorial incluiu, na cerimônia de 2026, um sétimo momento de silêncio dedicado às pessoas que morreram posteriormente em decorrência de doenças relacionadas ao 11 de Setembro e suas consequências.
A cerimônia dos 25 anos ocorre nesta sexta-feira em Nova York, com a leitura dos nomes das vítimas e momentos de silêncio para marcar os principais momentos dos ataques. Pela primeira vez, a programação inclui também uma homenagem específica às pessoas que morreram posteriormente em razão dos efeitos sobre a saúde.
Da tragédia à memória
Em Nova York, onde um dia existiram as Torres Gêmeas, o local dos ataques transformou-se em espaço de memória. O 9/11 Memorial preserva os nomes das vítimas e procura transformar a lembrança da tragédia em instrumento de educação para as gerações seguintes. A instituição mantém registros históricos, relatos pessoais, objetos e testemunhos relacionados aos ataques e às pessoas que morreram.
A dimensão humana talvez seja a maneira mais adequada de compreender os 25 anos. Por trás dos números havia nomes. Por trás de cada nome havia uma história. Famílias que perderam pessoas, profissionais que correram em direção ao perigo enquanto outros tentavam escapar, passageiros que reagiram e comunidades que passaram anos convivendo com as consequências daquele dia.
E aqui, no Noroeste do Paraná?
A distância entre Nova York e as pequenas cidades do Paraná não impediu que o 11 de setembro chegasse até aqui.
Naquele dia, moradores de Nova Esperança e de outros municípios da região também pararam diante da televisão para acompanhar as imagens. Trabalhadores interromperam suas atividades. Famílias conversaram sobre o que estava acontecendo. Muitos guardaram na memória exatamente onde estavam quando viram as primeiras notícias.
É essa dimensão da memória que permite compreender a importância de relembrar o acontecimento 25 anos depois. Porque grandes acontecimentos históricos não pertencem apenas aos lugares onde ocorreram.
Eles também pertencem às pessoas que os testemunharam à distância e às gerações que receberam essas histórias de seus pais, professores e familiares.
Vinte e cinco anos depois
O 11 de Setembro continua sendo lembrado não apenas pela destruição das Torres Gêmeas, mas pelas vidas interrompidas e pelas transformações que vieram depois.
Um quarto de século é tempo suficiente para que uma criança que assistiu àquelas imagens hoje tenha filhos adultos. É tempo suficiente para que uma geração inteira tenha crescido conhecendo aquele dia pelos livros, documentários, fotografias e relatos. Por isso, lembrar não significa permanecer preso ao passado. Significa compreender.
Compreender como sociedades podem ser transformadas por acontecimentos inesperados. Compreender o custo humano da intolerância e da violência. Compreender a importância da solidariedade diante da tragédia. E compreender que a memória histórica não se mantém viva apenas por monumentos, mas também pelas histórias contadas de uma geração para outra.
Vinte e cinco anos depois, as torres não estão mais de pé. Mas a história daquele dia continua.
E talvez a principal pergunta deste aniversário não seja apenas o que aconteceu em 11 de setembro de 2001.
É o que o mundo aprendeu — e o que ainda precisa aprender — com aquele dia.

