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Água do Ó reúne fé, natureza e convivência comunitária às margens da PR-458 em Santa Fé


Por: Alex Fernandes França
Data: 16/03/2026
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A cerca de seis quilômetros do centro do município, bairro se destaca pela Igreja Católica, pela tradicional venda, pelos pesqueiros e pelo cenário natural que atrai moradores e visitantes da região.

A cerca de seis quilômetros do centro de Santa Fé, às margens da rodovia PR-458, existe um lugar onde o tempo parece caminhar em outro ritmo. Entre flores coloridas, um corredor verde que acompanha o traçado da estrada e o silêncio característico do interior, a paisagem da Água do Ó chama a atenção de quem passa. Não são poucos os viajantes que param para registrar fotografias do cenário bucólico que mistura natureza, memória e religiosidade.

De um lado da estrada, a tradicional Venda da Água do Ó mantém viva uma história de mais de seis décadas. Do outro, a pequena igreja católica — chamada carinhosamente pelos moradores de “igrejinha” — simboliza a fé de uma comunidade que preserva tradições e laços de pertencimento. O diminutivo, aliás, está longe de representar algo pequeno: é apenas uma forma afetuosa de nomear um espaço que guarda grande significado espiritual para quem vive na região.

A reportagem conversou com Nivaldo Ratti, conhecido como “Baiano”, responsável há cinco anos pela administração da tradicional venda, estabelecimento que ele arrendou e passou a cuidar desde então.

“Essa venda é histórica e tem mais de 60 anos de fundação. Fica a cerca de seis quilômetros do centro de Santa Fé e o maior movimento acontece no domingo, quando realizamos o tradicional bingo. Vem gente da cidade e de toda a região”, conta Baiano.

Segundo ele, o prédio pertence ao senhor Benito Scandelai, e a venda continua sendo um ponto de encontro importante para moradores e visitantes.

“Eu moro aqui há 40 anos e gosto muito daqui. É um lugar tranquilo, onde muitas famílias vivem e mantêm o sentimento de comunidade”, relata Nivaldo Ratti, o “Baiano”, responsável pela tradicional Venda da Água do Ó

Comunidade e memória

Baiano fala com emoção sobre sua ligação com o lugar. “Eu moro aqui há 40 anos e gosto muito daqui. Muitas famílias vivem aqui, e logo ao lado existe a Vila Rural, onde também residem diversas famílias”, relata.

A comunidade da Água do Ó guarda memórias que atravessam gerações. Durante décadas, o bairro foi conhecido também pelo futebol de várzea. O campo local recebia partidas disputadas entre equipes da região, nas tradicionais categorias Terceirinho, Aspirantes e Titulares.

O time mais lembrado pelos moradores era o Sãopaulino, que encerrou suas atividades há cerca de 20 anos. Nos tempos áureos, os jogos reuniam famílias inteiras ao redor do gramado, transformando o futebol em um verdadeiro evento comunitário.

Com o passar dos anos e o deslocamento de moradores para áreas urbanas, o futebol varzeano foi perdendo espaço, mas as histórias continuam vivas na memória de quem acompanhou aquela época.

Fé e identidade local

A pequena igreja católica do bairro Água do Ó, em Santa Fé, simboliza a religiosidade da comunidade e se destaca na paisagem bucólica às margens da PR-458 - Fotos Alex Fernandes França/jornalnoroeste.com

A pequena igreja católica do bairro mantém viva a tradição religiosa da comunidade. Missas são celebradas uma vez por mês, reunindo moradores e visitantes.

A religiosidade, aliás, também faz parte da própria história do município. Segundo relatos de pioneiros, o nome Santa Fé estaria ligado justamente à forte espiritualidade presente entre os primeiros colonizadores. Outra versão aponta que o nome teria sido inspirado no filme mexicano “Estrada Santa Fé”, grande sucesso nos cinemas na época da colonização da região, conforme relato do colonizador Lupércio Carezzato.

Paisagem que convida à contemplação

Fachada da tradicional Venda da Água do Ó, localizada às margens da PR-458, em Santa Fé, ponto de encontro da comunidade e referência para moradores e visitantes que passam pelo bairro

Quem percorre o trecho da PR-458 encontra uma paisagem cuidadosamente preservada. A grama bem aparada e as flores de diversas cores criam uma moldura natural para a igrejinha e a venda histórica.

Do lado oposto da estrada, uma via de acesso leva a três pesqueiros bastante conhecidos na região: Toni, Pedrazzani e Longas. Os locais recebem visitantes de diversas cidades, atraídos pela gastronomia, pelos tanques repletos de peixes e pelo contato direto com a natureza.

Além disso, a região abriga outro atrativo natural: a Cachoeira da Água do Ó, formada pelo ribeirão de mesmo nome, que segue seu curso até desaguar no rio Bandeirante Novo — responsável também pelas quedas do Salto Bandeirante.

Nivaldo Ratti, o “Baiano”, ao lado da antiga balança vermelha da marca Filizola, peça que remete aos tempos tradicionais do comércio no interior e que ainda compõe o cenário histórico da Venda da Água do Ó, em Santa Fé

A trilha até a cachoeira começa de forma tranquila, margeando o ribeirão, mas apresenta trechos que exigem maior atenção na descida. Ao longo do caminho, há pontos sinalizados e até uma pequena ponte, elementos que fazem parte da experiência de quem se aventura pela trilha.

Refúgio em meio ao cotidiano

Em tempos marcados por rotinas aceleradas e tensões cotidianas, lugares como a Água do Ó ganham ainda mais significado. Estudos desenvolvidos pela Universidade de Chiba, no Japão, indicam que o contato com ambientes naturais pode reduzir em até 16% os níveis de cortisol no organismo — hormônio relacionado ao estresse.

Interior da tradicional Venda da Água do Ó, em Santa Fé, espaço que preserva o clima típico do interior e segue como ponto de encontro da comunidade, especialmente aos domingos, quando o tradicional bingo reúne moradores e visitantes da região

O resultado é uma sensação de bem-estar que muitos visitantes relatam sentir ao passar pela região.

Entre flores, histórias e memórias que atravessam gerações, o bairro da Água do Ó permanece como um retrato vivo do interior paranaense. Um lugar onde a fé, a natureza e a convivência comunitária continuam escrevendo capítulos de uma história que resiste ao tempo — e encanta quem passa por ali.


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