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Nova Esperança: monumentos públicos revelam capítulos da história local e nacional


Por: Alex Fernandes França
Data: 18/02/2026
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De homenagens à imigração japonesa a marcos do descobrimento do Brasil, obras espalhadas em espaços urbanos de Nova Esperança preservam memórias e reforçam a identidade coletiva construída ao longo das décadas.

(Fotos Alex Fernandes França) - Obelisco moderno celebra a integração Brasil-Japão e homenageia os cem anos da chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao país, entre 1908 e 2008

Em dezembro de 2025, o município de Nova Esperança celebrou seus 73 anos de emancipação política. Passado o período festivo, permanece viva a importância de olhar para além das comemorações e reconhecer os símbolos que continuam a contar, de forma silenciosa e permanente, a história da cidade. Espalhados por espaços públicos, monumentos e marcos históricos preservam a memória de personagens, acontecimentos e conquistas que ajudaram a construir a identidade e a trajetória do município ao longo das décadas.

Integração Brasil-Japão: um século de imigração

Na Praça Noboru Yamamoto, a escultura moderna em formato esférico com anéis metálicos celebra os 100 anos da imigração japonesa no Brasil. Inaugurado em 2008, o monumento faz alusão ao centenário do primeiro desembarque oficial de imigrantes japoneses no país, ocorrido em 1908. A placa registra o marco histórico com os dizeres: “1908–2008 – 100 anos Imigração Japão – Brasil”.

Ao lado, uma segunda placa presta homenagem ao imigrante Noboru Yamamoto, que chegou a Nova Esperança em 1935, trabalhando nas lavouras de café e, mais tarde, na avicultura. Ele e sua esposa, Nobuko, foram líderes comunitários na ACENE e Fujin Kai, respectivamente, deixando legado de dedicação à preservação da cultura japonesa no município.

Homenagem ao ex-presidente Getúlio Vargas ladeada por um tronco de peroba, símbolo das antigas matas da região e da força dos pioneiros que desbravaram a terra fértil

Busto de Getúlio Vargas e o tronco de peroba: símbolos do passado e da terra

Outro ponto de memória importante é o busto do ex-presidente Getúlio Vargas, localizado na Praça Mello Palheta. Ao seu lado, repousa um tronco de peroba, árvore nativa da região que representa as antigas matas que cobriam Nova Esperança antes do início do povoamento.

O monumento original foi instalado em 1953, por iniciativa do primeiro prefeito, Dr. José Silveira da Teixeira, que registrou em placa: “Assim como esta, milhares de outras perobas contemplaram os céus de Nova Esperança. As outras caíram, mas esta ficará de pé para dizer às gerações futuras da coragem dos desbravadores...”. O conjunto foi restaurado em 2001 com apoio da ACINE e reinaugurado com nova placa em 2019, durante a gestão do prefeito Moacir Olivatti.

Marco simbólico instalado em frente ao Paço Municipal celebra meio século de história e desenvolvimento, homenageando o espírito trabalhador da comunidade. O monumento chama atenção pelo formato que remete ao mapa da cidade, reforçando o sentimento de identidade e pertencimento

Cinquentenário do município: a capelinha que virou cidade

Em frente ao Paço Municipal, outro marco chama atenção: o monumento em homenagem ao cinquentenário de Nova Esperança, inaugurado em 2002. A placa apresenta uma narrativa poética sobre a evolução da cidade, que teve início com uma singela capela e se transformou em um polo urbano cheio de esperança, trabalho e fé: “Gente que agora vira a página número 50 dessa história mais uma vez cheia de Esperança”.

Monumento comemorativo aos 500 anos do Brasil destaca trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha, documento que narra a chegada dos portugueses às terras brasileiras, valorizando a memória histórica e as raízes da identidade nacional

500 anos do Brasil: carta de Pero Vaz de Caminha eternizada

Também diante da Prefeitura, uma placa em bronze relembra os 500 anos do descobrimento do Brasil, comemorados em 2000. A peça traz trechos da célebre Carta de Pero Vaz de Caminha, documento que descreve o primeiro contato da frota de Pedro Álvares Cabral com as terras e povos indígenas da então Terra da Vera Cruz.

A homenagem destaca a importância do documento como registro inaugural da história brasileira e exalta a contribuição dos pioneiros nova-esperancenses para o desenvolvimento local. A solenidade de inauguração teve à frente o então prefeito José Gerônimo Benatti.

Instalado na entrada da cidade, o monumento exibe o símbolo do esquadro e compasso em homenagem à Loja Maçônica fundada em 1960 e seus princípios de fraternidade e ética

Loja Maçônica: símbolo de fraternidade e tradição

Na entrada da cidade, um monumento discreto, mas carregado de simbolismo, homenageia a Loja Maçônica Nova Esperança, fundada em 13 de abril de 1960. O marco ostenta o tradicional esquadro e compasso, além da sigla AGGADU, que significa "Ao Grande Arquiteto do Grande Universo", expressão que na maçonaria remete à ideia de Deus como força criadora.

Estrutura em alvenaria marca a implantação do sistema de esgoto no município na década de 1980, durante a gestão do prefeito João Urbano, com apoio do governo estadual

Manilha do esgoto: memória do saneamento básico

Ainda na Praça Noboru Yamamoto, uma estrutura cilíndrica de tijolos com tubulações laterais representa a implantação do primeiro sistema de saneamento básico da cidade, um marco da gestão do prefeito Dr. João Urbano, com apoio do então governador Álvaro Dias, na década de 1980. Segundo apuração da reportagem, a obra foi inaugurada por volta de 1987, embora a placa original tenha sido retirada por vândalos ao longo dos anos.

“Sonrisal” - Monumento no trevo de acesso simboliza a pavimentação da Rodovia do Café e o avanço da infraestrutura rodoviária na região

O “Sonrisal”: marco da Rodovia do Café

No trevo de acesso à cidade, um obelisco circular de concreto, apelidado carinhosamente pela população de “Sonrisal” devido ao seu formato, marca um momento histórico para a região: a inauguração do trecho asfaltado da BR-376 entre Paranavaí e Maringá, realizada em 23 de julho de 1967.

A estrutura — uma roda verde de seis metros de diâmetro, assentada sobre plataforma de concreto de 6,8 metros e elevada a 80 centímetros do solo — ocupa um terreno de 60 metros quadrados. Mais do que um elemento decorativo, o monumento simboliza o avanço da infraestrutura rodoviária no Paraná e a integração econômica entre o Norte e o litoral.

A solenidade contou com a presença do então governador Paulo Pimentel, do ministro dos Transportes Mário Andreazza e de prefeitos de diversas cidades, entre eles Pedro Arthur Sampaio, prefeito local à época. O evento ocorreu sob o governo do marechal Arthur da Costa e Silva, e a obra foi executada pela empresa Rodopavi, instalada na então vila de Iroí (atual Presidente Castelo Branco).

A Rodovia do Café — nome dado ao trecho paranaense da BR-376 — é um dos eixos rodoviários mais importantes do país, ligando regiões produtoras do interior ao Porto de Paranaguá. Sua concepção remonta ao século XIX, quando engenheiros já estudavam rotas para encurtar o caminho entre o litoral e o interior. A pavimentação, iniciada nos anos 1960, representou um salto logístico para o escoamento da produção agrícola, especialmente o café, e diminuiu a dependência da sinuosa e precária Estrada do Cerne.

Hoje, o “Sonrisal” permanece como símbolo da chegada do asfalto e do desenvolvimento rodoviário, lembrando que a história de Nova Esperança também se conecta à expansão da malha viária que transformou o Paraná e o Brasil.

Sagrado Coração de Jesus:
Estátua na Praça Dom Pedro II representa a fé e a devoção da comunidade católica, sendo um marco religioso diante da paróquia homônima.

Monumento do Sagrado Coração de Jesus: fé e devoção no coração da cidade

Na Praça Dom Pedro II, em frente à Paróquia Sagrado Coração de Jesus, ergue-se uma imponente estátua que representa Jesus Cristo com o coração visível, símbolo do amor divino e da misericórdia para com a humanidade. Conhecida como Monumento do Sagrado Coração de Jesus, a obra integra o cenário urbano como um marco de fé e identidade religiosa para a comunidade católica local.

O monumento foi inaugurado em 28 de junho de 2019 e doado à comunidade pelo casal Valdir e Maria Alice Bertoncelo, gesto registrado na placa fixada na base da escultura. A homenagem também remete à própria história da paróquia, fundada em 19 de setembro de 1952, e que, desde então, desempenha papel central na vida espiritual e social da cidade.

Assim como outras representações do Sagrado Coração espalhadas pelo mundo, a estátua simboliza não apenas a devoção católica, mas também um convite à reflexão e à renovação espiritual. Com seu olhar sereno voltado para quem passa, tornou-se ponto de referência na Praça Dom Pedro II, reforçando a presença da fé no cotidiano e a tradição religiosa que acompanha a trajetória da comunidade.

 

Memória viva e cidadania

Os monumentos espalhados por Nova Esperança funcionam como marcos de cidadania e pertencimento. Eles não apenas decoram os espaços urbanos, mas narram a história coletiva, celebram origens, conquistas e valores, além de servirem como pontos de reflexão para as novas gerações.

Visitar esses monumentos é mais do que um passeio: é um reencontro com as raízes e os sonhos de um povo que transformou a “capelinha do passado” em uma cidade que continua escrevendo sua história com esperança.


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