Moro promete parceria com prefeitos e diz que fará governo para todos os paranaenses
Governador eleito afirma que trabalhará com municípios independentemente de alinhamento político e promete gestão honesta, eficiente e sem uso da máquina pública para fins partidários.
Moro discursa no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) após ser eleito governador do Paraná no primeiro turno; em sua fala, prometeu parceria com os prefeitos e uma gestão voltada aos interesses dos paranaenses – Foto divulgação
Um dia após ser eleito governador do Paraná no primeiro turno, Sergio Moro (PL) sinalizou, em seu primeiro pronunciamento após a confirmação do resultado, quais deverão ser as principais marcas de sua futura gestão. Em discurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), neste domingo (4), Moro defendeu uma administração baseada em honestidade e eficiência, prometeu parceria com todos os prefeitos e afirmou que não permitirá o uso da estrutura pública para fins políticos.
A fala ocorreu ao lado do vice-governador eleito, Edson Vasconcelos, e foi marcada por referências aos compromissos que, segundo Moro, deverão orientar o governo a partir de janeiro de 2027.
Ao abordar o resultado da eleição, o governador eleito classificou a campanha como “limpa” e “propositiva” e afirmou que sua candidatura enfrentou o que chamou de “máquina” e “mentiras” durante a disputa.
“Contra toda a máquina, contra todas as mentiras que colocaram contra a gente, nós fizemos uma campanha limpa, uma campanha propositiva, baseados apenas na verdade, naquilo que a gente acredita”, declarou.
Novo ciclo de desenvolvimento
Entre os principais pontos do discurso esteve a promessa de dar continuidade aos avanços já obtidos pelo Paraná, mas com mudanças nas áreas que, segundo ele, ainda apresentam problemas.
Moro afirmou que pretende iniciar um “novo ciclo de desenvolvimento” no Estado, sem desconsiderar políticas e resultados de administrações anteriores.
“Nós vamos iniciar um novo ciclo de desenvolvimento no Paraná, respeitando o que foi feito no passado, respeitando o que é feito no presente. Mas nós vamos trabalhar para o cidadão paranaense”, disse.
A declaração sinaliza uma tentativa de combinar continuidade administrativa com uma agenda própria para o próximo governo. Moro, no entanto, não detalhou no pronunciamento quais medidas pretende adotar para alcançar os objetivos apresentados.

Rigor contra desvios
A defesa de uma administração pública pautada pela integridade foi outro eixo do discurso. Moro afirmou que seu governo deverá adotar uma postura rigorosa diante de irregularidades e apresentou a honestidade como um dos compromissos centrais da futura gestão.
“Vamos ser intolerantes contra qualquer espécie de desvio”, afirmou.
O governador eleito também disse que pretende demonstrar, à frente do Estado, que é possível conciliar honestidade e eficiência na administração pública.
A declaração ganha relevância diante da trajetória política de Moro, que construiu parte de sua projeção pública nacional a partir da atuação como juiz federal na Operação Lava Jato. No discurso de domingo, porém, ele concentrou as referências no futuro governo estadual e não apresentou medidas específicas para estruturar os mecanismos de controle que pretende adotar.
Segurança e desenvolvimento econômico
Moro também citou a segurança das famílias e a criação de condições para o crescimento econômico entre as prioridades do próximo governo.
O governador eleito defendeu um Estado em que os paranaenses possam criar os filhos com tranquilidade e tenham oportunidades para trabalhar, empreender e prosperar.
Ao falar sobre a legitimidade conferida pelas urnas, afirmou que a população deverá ser a referência das decisões do futuro governo.
“Quem manda no Paraná é a população paranaense”, declarou.
Relação com prefeitos
Um dos sinais políticos mais claros do pronunciamento foi a promessa de manter diálogo com os municípios independentemente de alianças partidárias.
Moro agradeceu aos prefeitos e lideranças que participaram da campanha, mas afirmou que a futura administração deverá construir parcerias também com aqueles que não apoiaram sua candidatura.

“Vamos trabalhar com todos os prefeitos em parcerias, porque, no final, o que conta é atender o cidadão de cada cidade do Paraná”, afirmou.
Em seguida, reforçou a ideia de que a atuação do governo deverá ser orientada pela prestação de serviços à população, e não pela disputa política.
“O que importa é atender bem o cidadão paranaense.”
Promessa de não usar máquina pública para fins políticos
No mesmo contexto, Moro afirmou que pretende separar a administração estadual dos interesses eleitorais e partidários.
“Eu nunca vou permitir que a máquina pública seja utilizada para a finalidade política”, disse.
A declaração estabelece um compromisso político para o futuro governo, mas sua efetivação dependerá das decisões administrativas e dos mecanismos de controle adotados a partir da posse.
Família
Moro também dedicou parte do pronunciamento à família. Ao mencionar a reeleição da esposa, Rosangela Moro (PL), para a Câmara dos Deputados, destacou a atuação dela no Congresso e seu trabalho anterior como advogada em causas sociais.
“Tenho muito orgulho de você, Rosangela, e não conseguiria ter chegado aqui se não fosse vocês, se não fosse a minha família”, declarou.
O governador eleito também agradeceu aos filhos, Júlia e Vinícius, e afirmou que procura limitar a exposição pública da família por razões de segurança.
Aliados eleitos para o Senado
O resultado eleitoral também ampliou a presença de aliados de Moro na representação do Paraná no Congresso. Filipe Barros (PL) foi eleito para uma das vagas ao Senado, com 27,35% dos votos, enquanto Deltan Dallagnol (Novo) ficou com a segunda cadeira, com 25,26%.
A composição poderá facilitar a articulação política do futuro governo em Brasília, embora a relação entre Executivo estadual, bancada federal e demais forças políticas do Paraná ainda dependa das negociações que serão construídas até a posse.
Moro e Edson Vasconcelos assumem o governo do Paraná em janeiro de 2027. Até lá, a equipe de transição deverá transformar as promessas apresentadas durante a campanha e no discurso da vitória em propostas concretas de governo.

