Crônica sem título

Nos dias que antecedem o de enviar minha crônica para este jornal, começo a divagar sobre o que escreverei. Faço anotações, revisito textos que deixei pela metade, viajo nas possibilidades. Entretanto hoje, decidi trazer a primeira que escrevi.
O ano era 1987 ou 1988, eu com muita vontade de vencer e com muita coisa ainda pra ser vivida e vencida. A escrita simples assim como o texto. Não consegui pensar no título, mas os amigos próximos gostaram do resultado. Por essa razão, acho importante compartilhar o novo velho com vocês. Não se esqueçam que essa obra reflete o pensamento de uma já passada época.
Os seres humanos se dividem em três categorias:
ü O feio
ü O bonito
ü O lindo
O ser feio é aquele desprovido de qualquer hipótese de beleza, o feio tem a contribuição de um interior pobre, falta de simpatia, de sorriso, do pó mágico da “Sininho”. O ser feio não gosta do vento, não voa com os pássaros, não recebe carinho, não sorri diante do espelho, nem chora a sua solidão. O feio nunca fez pedido a uma estrela cadente, ou melhor, nunca as viu brilhar. Os olhos do feio nunca brilharam diante da lua, tampouco dividiu a sua contemplação. O ser feio nunca teve uma noite de sonhos, acorda com dores de cabeça e torce a boca diante de uma situação engraçada. “O ser feio faria qualquer um rebentar de riso se não causasse piedade”.
O ser bonito é aquele que “sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Ele sente dor de cabeça, mas toma um Dorflex, sorri diante do espelho mesmo que seja fugidio, imperceptível para os olhos e bálsamo para a alma. O bonito toma banho de chuveiro, passa sabonete com as mãos e mesmo cansado e sem querer, olha o céu, vê a lua, faz pedido a todas as estrelas (mesmo que não sejam cadentes) de olhos fechados.
O ser lindo é aquele que passeia de mãos dadas com o vento, que fica horas olhando o céu esperando uma estrela cair, banha-se apenas com o pó mágico da “Sininho”, lê “Soneto de Fidelidade”. O ser lindo nunca contempla a lua, ele é a lua – elemento de contemplação. Adora sair leve, o encontro. Sente saudades e deixa rolar uma lágrima. O ser lindo vai ao cinema, come pipoca, vai ao parque de diversões, mesmo que morra de medo da montanha russa.
Os seres lindos são raros e estão em extinção. Daí o pedido a você:
SEJA LINDO!

